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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

21 DE MARÇO DE 2006

CLÁUSULA DE BARREIRA

PCdoB comemora aniversário
com desafio de manter espaço político


Os 84 anos do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) serão comemorados nesta quarta-feira (22) no Salão Nobre da Câmara dos Deputados. Será uma ocasião para divulgar o "Apelo Democrático" do Partido contra a cláusula de barreira, afirma o líder do Partido na Câmara, deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE). O "Apelo" foi aprovado no último fim de semana pelo Comitê Central do PCdoB, como forma de mobilizar contra a cláusula de barreira.

"Será a oportunidade para removermos essas barreiras que querem impedir o acesso do nosso Partido e outras legendas ao Parlamento brasileiro", opina o deputado cearense. Para ele, os partidos "nunca foram, nem são, fator de desestabilização para nenhum governo, pelo contrário, são fatores de consolidação da democracia e progresso para nosso país”

Inácio ingressou no Partido em 1981, ainda sob a ditadura militar. Segundo ele, o principal desafio do Partido no momento atual é vencer a barreira — que só dá funcionamento parlamentar à legenda que tenha mais de 5% dosvotos para deputado federal, em todo o Brasil, e 2% em nove unidades da Federação. “Nós estamos diante de uma batalha política muito importante, que é garantir o espaço político conquistado na luta tenaz dos comunistas e democratas brasileiros e que hoje nos alveja - que é a cláusula de barreira – e alcança todas as forças democráticas – PSB, PV, PDT, Psol ... Todas as siglas são atingidas por esses instrumentos”, denuncia.

O presidente da legenda, Renato Rabelo, destaca o momento atual do Partido, como “de plena expansão de suas fileiras, com rejuvenescidos vínculos com as lutas do povo e em exercício de responsabilidades em instituições da República”. Também Renato Rabelo critica o projeto de cláusula de barreira, que cria mecanismos impeditivos para os partidos pequenos, destacando que “a democracia deve ser sempre preservada e ampliada, restringí-la ou mutilá-la, jamais”.

Luta permanente

O deputado Aldo Rebelo (SP), filiado ao Partido desde 1976, e hoje presidente da Câmara, ressaltou a luta do Partido “em defesa da democracia e da elevação do padrão de vida material e intelectual do povo brasileiro. É uma luta incessante pelo povo e pela consolidação da independência nacional”, afoirmou.

Para Aldo, a luta permanece hoje, quando “o Partido atualiza sua vocação democrática no combate às desigualdades regionais e sociais. Nossa luta é alimentada diariamente pela certeza de que apenas o desenvolvimento nacional com equilíbrio social trará a justiça entre os povos. O crescimento do país com equidade regional é uma necessidade vital para que possamos caminhar para uma sociedade mais justa e igualitária”, defendeu o deputado.

O deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE), filiado desde 1980, sintetiza a posição atual do PCdoB no cenário político brasileiro: “Combativo, muito atuante e moderno, que procura dar resposta aos problemas atuais do país”.

Honrando os fundadores

Para o deputado Jamil Murad (PCdoB-SP), que está filiado ao Partido desde 1968, “o PCdoB honrou os seus fundadores, que se sacrificaram, em condições mais difíceis de sua existência, para garantir o seu fortalecimento”. Acrescentou que no aniversário do Partido “renovamos o compromisso para cumprir essa missão de construir Brasil de progresso, liberdade e bem-estar”.

Jamil destacou o papel do Partido durante a crise política, quanto ele "se superou" na sua atuação, apesar de ser partido pequeno, mais que muitos partidos grandes. “Se ele é pequeno no tamanho, é grande na sua experiência e nos ideais”, arrematou o parlamentar.

Batalha política

Inácio aponta o projeto que cria cláusula de barreiras como o grande desafio para o Partido no momento atual. Ao lado da situação particular de ser governo, ter representação nas casas legislativas e ocupar a Presidência da Câmara, que é a função mais destacada que o Partido já assumiu em sua existência,. “Nós temos as restrições que a legislação impõe ao nosso Partido, fruto das pressões das forças conservadoras, atrasadas, que querem impedir a consolidação democrática no Brasil e a participação do PCdoB”, afirma o parlamentar.

Para ele, as cláusulas de barreira (5% e 2%) são mecanismos legais “para impedir o Partido de falar ao povo e participar nas casas legislativas. Ao invés de usar a força, eles fazem manobras e discursos e análises elaborados pelos mais requintados estudiosos, para turvar os olhos e mentes do povo e dizer que o país só precisa de dois ou três partidos e não cabe o Partido Comunista”.

Estímulo para o governo

Inácio também avaliou a participação dos comunistas no governo federal. Para ele, o Partido vive um “momento positivo, participando do governo, com clareza, com posições críticas ajustadas, fazendo crítica naquilo que é central – não o varejo —, estimulando o governo a dar um passo adiante na política econômica”.

O deputado concorda com Jamil Murad sobre o papel do Partido na crise política. “Conseguimos conter a armadilha da desarticulação - a arapuca do PSDB e PFL”, disse, acrescentando que “o nosso papel é desatacado pelo que cumpre em cada situação – na liderança do governo, no Ministério da Articulação Política, na Presidência da Câmara, que vai além da força da estrutura partidária, mas demonstra a capacidade e o preparo que o Partido adquiriu”.

Partido histórico

O Partido Comunista do Brasil completará 84 anos no próximo dia 25. Partido mais antigo do País, ele viveu 60 destes 84 anos passados na clandestinidade, imposta por ditaduras e governos autoritários.

Fundado em 1922, o partido foi reorganizado em 1962, quando adotou a sigla PCdoB depois de uma luta entre duas correntes que chegou ao auge nos anos 50. Na década de 30, o Partido liderou a resistência antifascista. Sob a ditadura militar de 1964, dirigiu um dos principais movimentos de resistência, a Guerrilha do Araguaia (1972-1975).

Depois da anistia de 1979, o PCdoB passou por um período de semi-legalidade e, desde 1985, vive o mais longo período de legalidade de sua história. O Partido tem participado dos principais movimentos cívicos e sociais do país: Campanha das Diretas (1984), voto no candidato da oposição à presidência da República no Colégio Eleitoral (1985), organização das lutas e criação de entidades dos movimentos sindical, estudantil, de mulheres e negros, participação na campanha da Frente Brasil Popular (1989), contra a privatização neoliberal das empresas estatais brasileiras na década de 90, participação e defesa do governo Lula, entre outros episódios.

O PCdoB defende a unidade mais ampla das forças progressistas, avançadas e nacionalistas como forma de colocar o país em novo rumo de desenvolvimento. Durante toda a sua história o Partido manteve as marcas da luta pela liberdade, pela democracia, pelos direitos dos trabalhadores, pela soberania nacional e pelo socialismo.

De Brasília
Márcia Xavier

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