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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

19 de março de 2006

trabalho
Um milhão de franceses saem às ruas pela retirada do projeto de Villepin
 

Mais de meio milhão de pessoas tomaram as ruas da França ontem contra o contrato juvenil imposto pelo primeiro-ministro, Dominique de Villepin, que vê crescer a oposição ao projeto. Os jovens enfrentaram as forças policiais no final da manifestação convocada pelos sindicatos e organizações estudantis não só em Paris, mas em outras cidades também.

Segundo os números dos sindicatos, 1,5 milhão de pessoas participaram dos protestos. É crescente a oposição ao Contrato de Primeiro Emprego (CPE), previsto para os menores de 26 anos e que permite ser despedido sem justa causa durante os 24 primeiros meses.

Os principais líderes da esquerda francesa participaram da manifestação em Paris, entre eles o líder do Partido Socialista, François Hollande. "O que adianta esperar pela próxima manifestação quando milhares e milhares de pessoas, todos os sindicatos, numerosas associações de estudantes e de pais de alunos estão tão mobilizados?", perguntou o líder socialista exigindo a retirada imediata do projeto.

Em Paris, dezenas de jovens lançaram pedras e garrafas contra um grupo de policiais antidistúrbios na praça da Nação, lugar onde terminava a manifestação parisiense que reuniu mais de 350.000 pessoas. Em Lille, norte do país, onde se reuniram mais de 30.000 pessoas, a marcha terminou com o lançamento de bombas de gases lacrimogêneos por parte da polícia contra os manifestantes.

No último dia 7, entre 400.000 e um milhão de pessoas pediram a retirada do CPE na segunda jornada nacional de protesto. Um mês antes os protestos há haviam reunido entre 218.000 e 400.000. A principal bandeira das marchas era a retirada do contrato que segundo  sindicatos e jovens representa uma deterioração do trabalho. Os líderes dos protestos afirmam que prosseguirão com as manifestações até que Villepin retire o CPE.

Nos próximos dias, os sindicatos podem convocar novas jornadas de mobilização e inclusive uma greve geral. As organizações estudantis, por sua parte, estão dispostas a manter o bloqueio das universidades. Mais da metade está há uma semana paralisadas - e podem convocar novas jornadas de protestos como a de quinta-feira passada. "Primeiro retirem o CPE e depois abrimos as negociações do conjunto da situação problemática do emprego dos jovens, que afeta a 22% deles", garantiu o secretário-geral da Confederação Francesa Democrática dos Trabalhadores (CFDT), François Chérèque. O governo não consultou nenhuma organização representativa durante a elaboração do projeto.

Uma pesquisa que será publicada hoje pelo semanário "Le Journal du Dimanche" revela que 61% dos franceses está descontente com a gestão do primeiro-ministro à frente do governo, uma porcentagem que cresceu sete pontos em um mês. A oposição assiste a esse desgaste à espreita. Em pouco mais de um ano o país terá eleições presidenciais.

Da Redação
Com agências


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