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por José Carlos Ruy
Começou sexta-feira, dia 17/3, em São
Paulo, a reunião do Comitê Central do
Partido Comunista do Brasil, que vai até
domingo e debaterá uma extensa pauta que
incluí, entre outras coisas, a análise da
situação nacional e do projeto eleitoral do
PCdoB para este ano, o exame da situação
internacional e o início do debate sobre as
diretrizes do planejamento estratégico, o
6o. PEP.
A reunião foi aberta com a análise da
conjuntura política feita por Renato Rabelo,
presidente nacional do PCdoB, que enfatizou
o crescimento do presidente Lula nas últimas
pesquisas de opinião, confirmando-o como um
candidato forte para a eleição presidencial
de outubro. Outro fator da presente
conjuntura é o declínio da oposição, marcada
pelas dificuldades enfrentadas pelo PSDB até
chegar à definição do governador paulista
Geraldo Alckmin como candidato tucano à
sucessão de Lula, num processo que dividiu o
principal partido da oposição e, com
certeza, vai deixar feridas que dificilmente
fecharão tão cedo. A conjuntura ainda é
marcada, disse Renato Rabelo, por outros
dois aspectos: a afirmação de um novo, e
inédito, ciclo avançado na América do Sul,
com a vitória de representantes das forças
progressistas nas últimas eleições. O outro
aspecto é sinalizado pelas dificuldades que
a política agressiva, e guerreira, do
presidente norte-americano George W. Bush,
que enfrenta uma grande queda nos índices de
aprovação, como indicam as últimas pesquisas
de opinião nos EUA.
O quadro mudou, e é pouco favorável à
oposição, diz Renato. Apesar das tentativas
de reavivar a crise, cujo cenário é a CPI
dos Bingos (ou CPI do Fim do Mundo, pelo
empenho de apurar qualquer coisa, mesmo que
não estejam dentro do escopo legal de suas
atribuições) e que visam diretamente o
presidente Lula e também o ministro da
Fazenda, Antonio Palocci, mesmo assim as
recentes pesquisas de opinião mostram Lula
vencendo já no primeiro turno, se o
candidato da oposição for Alckmin. Mesmo em
São Paulo, terra do governador tucano, as
últimas pesquisas mostram um empate entre
Lula e o candidato do PSDB, seja José Serra
ou Geraldo Alckmin.
A posição do PCdoB
O PCdoB vai persistir na busca de um novo
modelo de desenvolvimento, na recomposição
do núcleo de esquerda do governo e na
mobilização dos movimentos sociais. Ele
insiste na necessidade da repactuação
política em torno de uma Nova Carta aos
Brasileiros que estabeleça metas para o
desenvolvimento, o crescimento econômico e o
emprego.
Renato informou também ao Comitê Central
que os esforços de rearticulação do núcleo
de esquerda do governo (PT, PCdoB e PSB)
avançaram no final de 2005 mas, agora,
enfrentam certa paralisação motivada
principalmente por não se saber ainda quais
serão as regras que vão prevalecer na
eleição e nortear as alianças entre os
partidos. Mas, reitera, para o PCdoB é
fundamental que o segundo mandato parta da
perspectiva de um desenvolvimento forte para
o país, com aumento na produção, valorização
do trabalho e distribuição de renda. “É
preciso mudar o perfil em que se baseia o
modelo híbrido que o governo vem aplicando”,
diz ele. Modelo que tem alto custo para a
maioria e que transfere riqueza para o pólo
financeiro dominante na sociedade. Somente
em 2005, foram pagos 147 bilhões de reais de
juros, e 70% dessa quantia beneficiou apenas
20 mil famílias, alertou ele, citando dados
divulgados pelo economista Márcio Pochmann.
A desproporção fica clara quando se compara
com o volume de dinheiro distribuído pelo
Bolsa Família, que alcançou a quantia de 8
bilhões de reais, para 8,7 milhões de
famílias. Enquanto cada uma das 20 mil
famílias mais ricas do país foi beneficiada
em média com 5,1 milhões de reais obtidos
com o pagamento de juros, os infelizes que
recebem o Bolsa Família tiveram, em média,
919 reais. Esta é a engrenagem que não
permite o desenvolvimento, não eleva os
investimentos em infraestrutura, e ao mesmo
tempo leva ao crescimento da dívida pública.
“O governo está amarrado a esta política
macro econômica”, disse o dirigente
comunista. “É preciso haver um
redirecionamento dessa política”, concluiu
Na disputa eleitoral, o PCdoB vai
procurar o equilíbrio entre a disputa
proporcional, para a Câmara dos Deputados, e
a disputa majoritária, de senadores e
governadores. O objetivo do PCdoB é eleger
pelo menos 15 deputados federais e superar a
draconiana e antidemocrática cláusula de
barreira de 5% na eleição para a Câmara dos
Deputados, sendo 2% em pelo menos nove
estados, disse o dirigente comunista. O
Partido vai disputar os governos do Distrito
Federal e do estado de Tocantins, e vai
avaliar a conveniência de lançar candidatos
ao Senado em alguns estados.
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