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Adalberto
Monteiro dá início à cerimônia |
A forte chuva que tomou São Paulo no
final da tarde de ontem não foi suficiente
para espantar o público convidado a
prestigiar os lançamentos da editora Anita
Garibaldi, na 19ª Bienal do Livro. Se do
lado de fora a água assustava os visitantes
da feira, do lado de dentro do Anhembi
diferentes gerações do movimento comunista e
progressista, intelectuais e dirigentes
políticos se encontraram no auditório do
pavilhão para saudar a reedição de uma das
obras mais proeminentes de seu acervo: o
livro Agrarismo e Industrialismo, de
Otávio Brandão (veja
resenha). A ocasião serviu
também para iniciar as homenagens pelos 25
anos da revista Princípios e para
estrear alguns dos novos títulos da editora
para este ano.
Ao abrir a cerimônia, Adalberto Monteiro,
secretário nacional de Formação, ressaltou
que “qualquer processo de mudança exige a
compreensão ampla da realidade do país e a
sintonia fina com os anseios do povo. Este é
um dos grandes méritos da obra de Otávio
Brandão”.
Enfrentando o temporal, Dionysa Brandão,
filha do Otávio, compareceu para prestigiar
o evento. O espírito contestador de Brandão
parecia de fato ser uma herança genética.
Abordada sobre a obra de seu pai, Dionysa
fez questão de lembrar que não deveria ser
chamada de senhora, já que não tinha nem
escravos, nem propriedades. Em seguida,
ressaltou que “o resgate da memória dos
grandes intelectuais e daqueles que
estudaram o país é uma tendência ainda
recente. Mas muitos nomes importantes do
nordeste já foram reconhecidos, entre eles o
de meu pai. Otávio Brandão conheceu o homem
brasileiro através da observação do
ambiente. E foi essa percepção tão singular
que marcou sua obra”.
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Dionysa,
filha de Brandão, e Bomfim, secretário
de Cultura de Alagoas |
Relançado com o apoio da Secretaria de
Estado da Cultura de Alagoas e da Unicamp, o
livro Agrarismo e Industrialismo é um
marco na compreensão das estruturas sociais
brasileiras. Durante sua apresentação,
Eduardo Bomfim, secretário de Cultura, que
na ocasião representou o governador alagoano
Ronaldo Lessa, ressaltou que “Brandão foi um
homem que se dedicou ao estudo da
brasilidade, sem deixar, ao mesmo tempo, de
ser internacionalista, um marxista leninista
que conheceu a fundo nosso território e que
tinha uma visão futurista, à frente de seu
tempo”.
Nascido em 1896, em Viçosa (AL), Brandão
enfrentou o conservadorismo de uma época
questionando o sectarismo da direita e até
mesmo de setores da esquerda. “Ele foi um
homem de pensamento aberto, que entendia que
para ser realmente marxista, era preciso
conhecer de perto o Brasil, sua gente, a
tradição popular”, lembrou Bomfim.
Em sua busca por um sistema social mais
igualitário, numa época em que começavam a
chegar ao Brasil correntes revolucionárias,
Brandão chegou a ser anarquista. Ao ter
contato com o marxismo, resolveu filiar-se
ao Partido Comunista do Brasil – na época
sob a sigla PCB – logo após sua fundação, em
1922. Teve posição destacada na direção da
legenda e ajudou a fundar o jornal A Classe
Operária em 1925, do qual foi redator.
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Ruy, Bonfim,
Ana Rocha, Jabbour, Magalhães, Monteiro
e Sena |
O farmacêutico formado pela Universidade
de Recife logo se mostrou um apaixonado pelo
Brasil. Foi um dos pioneiros da temática
ambiental, quando o assunto ainda não
despertava a atenção da sociedade, ao lançar
o livro Canais e lagoas, obra em que
ressalta a beleza das lagoas Mundau e
Manguaba, em Maceió, e defende a preservação
do meio ambiente. Com Agrarismo e
Industrialismo, Brandão influenciou os
pensadores de sua época e entrou de vez para
o rol dos maiores intelectuais da esquerda
nacional. Nela, o autor faz uma reflexão das
contradições existentes na realidade
brasileira, colocando de um lado o setor
capitalista de caráter agrário e, de outro,
o setor capitalista industrial.
“Ao relançar Agrarismo e Industrialismo
estamos na verdade resgatando um dos autores
mais importantes de nosso país, um homem de
alma revolucionária que soube ir às
entranhas de nosso povo, conheceu as
regionalidades e percebeu que apesar da
diversidade de povo brasileiro, há uma
unidade inquebrantável daquilo que constitui
nossa nação”, disse Bonfim.
Além de Adalberto Monteiro e Eduardo Bomfim,
participaram da mesa José Carlos Ruy, editor
de A Classe Operária, Ana Rocha, presidente
do comitê estadual do PCdoB/RJ, Elias
Jabbour, Davidson Magalhães e Costa Senna –
autores que estrearam na noite,
respectivamente, os títulos China:
infra-estrutura e crescimento econômico, A
globalização do capital e os estados
nacionais e O casamento da Chapeuzinho
Vermelho com o Pequeno Polegar mais duas
histórias.
O estande da editora Anita Garibaldi pode
ser visitado na Bienal do Livro, até o dia
19 de março, na Travessa Literária, rua A,
no Anhembi, em São Paulo. Promovido pela
Câmara Brasileira do Livro, o encontro
deverá receber cerca de 800 mil pessoas até
o seu término, no próximo domingo.
Veja
aqui
lançamentos da Editora Anita Garibaldi desta
19ª Bienal
De São Paulo,
Priscila Lobregatte
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