Jovens brasileiros se concentraram nesta
sexta-feira (10) em frente à Embaixada
da República Tcheca, em Brasília.
O ato foi “em defesa da liberdade de consciência
e organização da juventude
comunistas tcheca”, disse Paulo Vinícius,
diretor de Solidariedade Internacional
da União de Juventude Socialista
(UJS) ao conselheiro da embaixada, Pavel
Procriakza, que atendeu os manifestantes
na calçada do prédio.
Os
jovens entregaram na embaixada dois documentos
– uma moção e um abaixo-assinado
– de apoio à KSM, organização
juvenil comunista, que está sob
ameaça de ilegalização
pelo governo tcheca. A KSM é vinculada
ao Partido Comunista da Boêmia e
Morária, que nas últimas
eleições teve 18,5% dos
votos tchecos, elegendo 41 deputados num
total de 200.
Um
movimento internacional
A
manifestação em Brasília
soma-se a outras já realizada na
Europa, em resposta ao chamado da Federação
Mundial das Juventudes Democráticas
(FMJD). Participaram
representantes da UJS, União da
Juventude Comunista (UJC), Juventude Avançando,
União Nacional dos Estudantes (UNE),
União Brasileira dos Estudantes
Secundaristas (Ubes), Central Única
dos Trabalhadores (CUT) e Centro Universitário
de Cultura e Arte do DF (Cuca).
Paulo Vinícius destacou que “é
inadmissível que se utilize expedientes
legais e burocráticos para cassar
o status de associação civil
da KSM, sob a alegação de
que esta organização interfere
em atividades restritas aos partidos políticos”.
Ele lembrou que somente a juventude comunista
está sendo alvo dessa medida.
Para
os jovens das entidades participantes,
a medida do governo tcheco “tem forte
caráter ideológico, que
focaliza sua interdição
na Juventude Comunista, ignorando que
no mesmo país se organizam livremente
os Jovens Conservadores, a Juventude Social
Democrata, assim como a Juventude Democrata-Cristã.
Isto vincula a presente iniciativa a uma
clara campanha de caráter anticomunista,
revanchista e antidemocrática que
claramente busca silenciar uma histórica,
importante e decisiva parcela da juventude
tcheca que deve ter assegurado o direito
de defender livremente suas posições
políticas, assim como organizar-se,
sem discriminações de quaisquer
espécie”.
O
trecho é do documento "Toda
a solidariedade Brasileira à União
da Juventude Comunista da República
Tcheca", assinado por quase uma centena
de organizações juvenis,
entidades sociais, parlamentares e personalidades,
de diferentes partidos e tendências.
Os
jovens brasileiros protestam contra as
ações judiciais promovidas
pelo Ministério do Interior da
República Tcheca que visam cassar
o status de “associação
civil” da União da Juventude Comunista
da República Tcheca (KSM). Asções
visam também impugnar os estatutos
da entidade, alegando que somente os partidos
políticos podem ter atuação
política no país.
No
abaixo-assinado, os jovens expressam solidariedade
com a KSM e exigem “o fim imediato dos
ataques, assim como passos concretos para
que se restabeleçam as liberdades
democráticas básicas para
a Juventude Tcheca e a livre atuação
da KSM".
Forte
representação
O
representante da Embaixada disse que encaminharia
os documentos ao Ministério do
Interior, informando sobre a manifestação.
Mas tentou minimizar o problema, dizendo
ser uma questão “puramente burocrática”.
Ele refutou a denúncia de que há
uma campanha anticomunista no seu país,
destacando que o Partido Comunista possui
18% da representação no
parlamento tcheco.
Paulo
Vinícius rebateu, usando o mesmo
argumento: sendo o Partido Comunista a
terceira maior força política
no país, é inadmissível
a perseguição aos jovens
comunistas tchecos. Ele disse não
aceitar a argumentação do
governo tcheco de equiparar os comunistas
aos nazistas, na tentativa de impedir
a organização dos jovens
comunistas em associações
civis.
Vinícius, que participou na Bélgica
de umas das manifestações
feitas na Europa em solidariedade aos
jovens tchecos, no mês passado,
lembrou que “no último Conselho
Coordenador da Federação
Mundial das Juventudes Democráticas
(FMJD), havido em Budapeste, lançou-se
uma jornada de lutas internacional com
início no dia 27 de fevereiro,
que está tendo grande papel na
luta contra a ilegalização
dos Jovens Comunistas Tchecos (KSM) e
contra a iniciativa anticomunista da extrema
direita no Conselho da Europa”.
Manifestações
no mundo
Desde
o final de fevereiro, estão ocorrendo
na Europa manifestações
de solidariedade aos jovens comunistas
tchecos. No dia 27, os representantes
da Juventude Comunista Grega (KKE) visitaram
a Embaixada Tcheca em Atenas protestando
contra os ataques à KSM. Os manifestantes
entregaram ao Secretário da Embaixada,
Jan Husak, uma Declaração
de Solidariedade à KSM com mais
de três mil assinaturas, subscrita
por personalidades entre as quais o Prêmio
Nobel de Literatura Dario Fo, e Bono Vox,
do U2.
A
1º de março a Juventude Comunista
Portuguesa (JCP) promoveu uma concentração
em Lisboa, distribuindo informes à
população denunciando os
ataques do Governo Tcheco. O Partido Comunista
Português (PCP) apresentou um questionamento
por escrito na Assembléia da República,
demandando à União Européia
e ao governo português que tome
posição contrária
à medida do governo tcheco. O Executivo
português respondeu ao PCP que não
é uma prática normal na
União Européia que os governos
expressem posições contra
decisões internas dos governos
nacionais.
Na
Bélgica, o Communiste Active, movimento
de jovens do Partido do Trabalho Belga,
realizou duas concentrações
em apoio à KSM: uma diante da Embaixada
Tcheca em Bruxelas e outra no Consulado
em Liège, também no dia
27 de fevereiro. Em Bruxelas, sob as palavras
de ordem “Liberdade de Expressão,
liberdade de associação
e liberdade de contestação”,
Wouter Van Damme, presidente da Comac
entregou na Embaixada as mais de 3 mil
assinaturas da petição de
apoio à KSM.
Na
Itália, uma delegação
composta por um representante do Partido
dos Comunistas Italianos e um expoente
da “rede dos comunistas” foram à
Embaixada Tcheca entregar as assinaturas
e expressar a solidariedade à KSM.
Outros atos ocorreram simultaneamente
nos Consulados de Milão, Veneza,
Udine, Florença e Nápoles.
A
Juventude do Partido Comunista Turco,
que reuniu o seu Conselho Central no mesmo
período de final de fevereiro,
tomou a decisão de reforçar
a luta contra os ataques do governo tcheco
e em defesa da KSM. Participaram da reunião
como convidados organizações
juvenis do Brasil, Cuba, Chipre, República
Tcheca, Eritréia, Grécia,
Hungria, Índia, Nepal, Palestina,
Portugal, Espanha, Sudão, Turquia
e Venezuela,
Também
houve protestos na Síria, Canadá,
Hungria e Áustria.
De
Brasília
Márcia Xavier
Clique
aqui para ver o documento entregue na
Embaixada tcheca em Brasília
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