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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

11 de março de 2006

greve de fome
EUA ignoram médicos e mantém alimentação forçada em Guantânamo
 

Nem direito à greve os presos de Guantânamo têm. O Pentágono anunciou ontem que as autoridades militares da base naval ilegal em Cuba continuarão a alimentação forçada de reclusos em greve de fome, apesar dos protestos de um grupo de médicos. "Não há nenhuma mudança. Manteremos a política", afirmou Bryan Whitman, porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA.

A argumentação é em referência a uma carta publicada pela revista "Lancet" na qual mais de 260 médicos pedem aos EUA que ponham fim a tais práticas. Whitman acrescentou que atualmente há seis reclusos que fazem greve de fome e que três deles estão sendo alimentados de maneira forçada.

Em sua carta, os especialistas de sete países ressaltaram que existem acordos internacionais que impedem os médicos de obrigar a alimentar pessoas que, por própria escolha, decidiram não comer para protestar. Além disso, lembraram ser proibido recorrer a cadeiras especiais para reter os reclusos enquanto lhe são ministrados tubos de alimentação forçada. Na sua opinião, os médicos que promovem essas práticas deveriam ser submetidos a medidas disciplinares por parte de seus respectivos órgãos profissionais.

Um total de 263 médicos do Reino Unido, Irlanda, EUA, Alemanha, Austrália, Itália e Holanda assinaram a carta, sob a coordenação do doutor David Nicholl, do Hospital da Cidade de Birmingham (centro da Inglaterra).

Especula-se que a base ilegal dos EUA abriga cerca de 500 reclusos, a maioria deles aprisionados no Afeganistão e que são considerados "combatentes inimigos" para não serem protegidos pelas disposições da Convenção de Genebra sobre prisioneiros de guerra. A maioria absoluta não tem direito a visitas, nem de advogados, e é mantida aprisionada sem a realização de um julgamento. Além disso, existem inúmeras denúncias de que o centro de detenção é na verdade um laboratório de métodos de torturas, como os da prisão iraquiana Abu Ghraib, também sob a tutela dos EUA.

Da Redação,
Com agências

 

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