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Renato Rabelo *
Marcado para os dias 31 de março, 1 e 2
de abril, em São Paulo, o Ativo Nacional
de Comunicação do PCdoB será um momento
privilegiado para refletir sobre este tema
estratégico e para definir as formas de
aperfeiçoamento dos nossos instrumentos
partidários. Significativas mudanças têm
ocorrido neste terreno nos últimos anos em
decorrência, principalmente, das
aceleradas transformações tecnológicas e
do intenso processo de monopolização do
setor. A chamada mídia tem hoje um poder
político inimaginável há algum tempo. Ela manipula informações, forma e
deforma consciências, fixa padrões de
comportamento. É por isso que vários
especialistas no assunto falam na
existência de uma ditadura midiática no
planeta, que tem como base a lógica
capitalista de concentração e
centralização do capital e do poder.
Na Venezuela, ela foi uma das principais
responsáveis pelo frustrado golpe de abril
de 2002; nas recentes eleições da Bolívia,
fez de tudo para evitar a vitória de Evo
Morales; no Brasil, não mede esforços para
fustigar e fragilizar o governo Lula. Não
é para menos que Leonel Brizola já
insistia há algum tempo que “o maior
partido do Brasil é a Globo”. A luta pela
democratização da mídia faz parte hoje da
jornada pela ampliação da democracia como
forma de alavancar a própria luta pela
emancipação dos trabalhadores. É uma
batalha de caráter estratégico. Nesse
embate de classes ganha importância
decisiva o fortalecimento dos instrumentos
alternativos de comunicação, no qual se
encaixa o reforço dos veículos do PCdoB.
Prioridades partidárias
O tema da comunicação é muito vasto e
complexo. É preciso definir quais são as
prioridades para não se perder na
imensidão dos desafios. Não adianta tentar
abarcar todo o seu universo. O partido
precisa ter espírito prático e concentrar
as energias nos principais instrumentos.
Nossa maior barreira é a do recurso
financeiro e humano. A área exige cada vez
mais especialização e muito dinheiro. O
objetivo principal da nossa comunicação é
como chegar ao maior número de pessoas,
difundindo nossas opiniões, ajudando na
construção partidária e contribuindo na
construção de alternativas avançadas para
o Brasil. O ideal seria ter um jornal
diário, mas isso hoje se mostra distante.
Nem a chamada grande imprensa atinge todo
país. Já o acesso à televisão depende de
profundas mudanças no Brasil, que limitem
o poder dos monopólios.
A questão, então, é de como reforçar e
aperfeiçoar os nossos instrumentos. O que
hoje encontra maiores dificuldades é o
jornal A Classe Operária. Elas decorrem da
própria redução da importância da imprensa
escrita. Ela perdeu papel diante da TV e,
agora, da internet. Ela ainda é
necessária, já que a maioria dos
brasileiros não tem acesso à internet e é
desinformada pela mídia televisiva. Além
disso, nosso povo não tem o hábito da
leitura, as tiragens dos jornais são
irrisórias e têm mostrado uma acentuada
tendência de queda. O povo ouve rádio e
assiste televisão; já os militantes se
informam cada vez mais pela internet. O
que fazer, portanto, para ampliar a
difusão das nossas idéias?
Penso que devemos insistir na manutenção
do nosso jornal, mas tendo noção de que o
espaço da imprensa escrita está
diminuindo. Não adianta ficar preso à
tradição, preservando nosso jornal apenas
em função da sua enorme importância
histórica, de sua trajetória heróica. O
jornal deve ser encarado como necessidade
pela militância, precisa captar o
verdadeiro interesse do partido. Não pode
tratar de forma convencional e repetitiva
os novos desafios. Ele deve ser criativo,
vivo, dinâmico. Precisa ser mais analítico
e apresentar matérias que o diferenciem do
restante da imprensa. Nosso jornal não vai
vingar apenas por emulação ou por decreto.
Ele precisa ser sentido como útil e
necessário. Já avançamos nesse campo,
temos uma equipe de primeira, mas é
preciso dar novos passos. Do contrário,
ele perderá espaço e importância.
Se o jornal esbarra em dificuldades, a
grande novidade na última fase foi Portal
Vermelho. Na prática, ele cumpre o papel
que se dizia da A Classe Operária – é um
jornal diário, nacional, orientador e
unificador do partido. Essa idéia foi
apresentada de maneira pioneira, arrojada.
O partido foi um dos primeiros no país a
investir na internet. Num primeiro
momento, houve incompreensões até na
direção. Era como ler chinês, ninguém
conhecia esta linguagem. Mas, com o tempo,
o Vermelho ganhou dimensão, prêmios,
elogios do partido e respeito nos meios
políticos. Hoje supera a maior parte das
páginas de política na internet. Penso que
é preciso aprimorá-lo e investir mais
neste poderoso instrumento, pensar até em
edições em espanhol e inglês. As condições
estão dadas para dobrar os acessos a
pagina, ampliando a difusão das nossas
idéias.
Por último, uma observação sobre a questão
da publicidade. No capitalismo, em que
tudo se transforma em mercadoria – e mesmo
no socialismo, onde o mercado será mantido
por muito tempo –, há enormes
investimentos nesta área. Tudo é feito
para “vender o produto”. O grau de
especialização da publicidade no Brasil é
dos mais elevados do mundo. O partido não
pode se descuidar nesta área. Ele precisa
estudar formas mais modernas e eficientes
para divulgar as suas idéias e a sua
imagem. Atualmente, apesar dos avanços,
ainda estamos engatinhando neste terreno.
Hoje se faz necessário investir mais em
campanhas publicitárias, em pesquisas
qualitativas, profissionalizar mais esta
área. O partido precisa romper
preconceitos e estar sintonizado com o
tempo. Não dá mais para atuar de maneira
artesanal neste terreno.
*Presidente nacional do PCdoB
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