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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

 09 de março de 2006

opinião 
A política de comunicação do PCdoB


Renato Rabelo *

Marcado para os dias 31 de março, 1 e 2 de abril, em São Paulo, o Ativo Nacional de Comunicação do PCdoB será um momento privilegiado para refletir sobre este tema estratégico e para definir as formas de aperfeiçoamento dos nossos instrumentos partidários. Significativas mudanças têm ocorrido neste terreno nos últimos anos em decorrência, principalmente, das aceleradas transformações tecnológicas e do intenso processo de monopolização do setor. A chamada mídia tem hoje um poder político inimaginável há algum tempo. Ela manipula informações, forma e deforma consciências, fixa padrões de comportamento. É por isso que vários especialistas no assunto falam na existência de uma ditadura midiática no planeta, que tem como base a lógica capitalista de concentração e centralização do capital e do poder.

Na Venezuela, ela foi uma das principais responsáveis pelo frustrado golpe de abril de 2002; nas recentes eleições da Bolívia, fez de tudo para evitar a vitória de Evo Morales; no Brasil, não mede esforços para fustigar e fragilizar o governo Lula. Não é para menos que Leonel Brizola já insistia há algum tempo que “o maior partido do Brasil é a Globo”. A luta pela democratização da mídia faz parte hoje da jornada pela ampliação da democracia como forma de alavancar a própria luta pela emancipação dos trabalhadores. É uma batalha de caráter estratégico. Nesse embate de classes ganha importância decisiva o fortalecimento dos instrumentos alternativos de comunicação, no qual se encaixa o reforço dos veículos do PCdoB.

Prioridades partidárias

O tema da comunicação é muito vasto e complexo. É preciso definir quais são as prioridades para não se perder na imensidão dos desafios. Não adianta tentar abarcar todo o seu universo. O partido precisa ter espírito prático e concentrar as energias nos principais instrumentos. Nossa maior barreira é a do recurso financeiro e humano. A área exige cada vez mais especialização e muito dinheiro. O objetivo principal da nossa comunicação é como chegar ao maior número de pessoas, difundindo nossas opiniões, ajudando na construção partidária e contribuindo na construção de alternativas avançadas para o Brasil. O ideal seria ter um jornal diário, mas isso hoje se mostra distante. Nem a chamada grande imprensa atinge todo país. Já o acesso à televisão depende de profundas mudanças no Brasil, que limitem o poder dos monopólios.

A questão, então, é de como reforçar e aperfeiçoar os nossos instrumentos. O que hoje encontra maiores dificuldades é o jornal A Classe Operária. Elas decorrem da própria redução da importância da imprensa escrita. Ela perdeu papel diante da TV e, agora, da internet. Ela ainda é necessária, já que a maioria dos brasileiros não tem acesso à internet e é desinformada pela mídia televisiva. Além disso, nosso povo não tem o hábito da leitura, as tiragens dos jornais são irrisórias e têm mostrado uma acentuada tendência de queda. O povo ouve rádio e assiste televisão; já os militantes se informam cada vez mais pela internet. O que fazer, portanto, para ampliar a difusão das nossas idéias?

Penso que devemos insistir na manutenção do nosso jornal, mas tendo noção de que o espaço da imprensa escrita está diminuindo. Não adianta ficar preso à tradição, preservando nosso jornal apenas em função da sua enorme importância histórica, de sua trajetória heróica. O jornal deve ser encarado como necessidade pela militância, precisa captar o verdadeiro interesse do partido. Não pode tratar de forma convencional e repetitiva os novos desafios. Ele deve ser criativo, vivo, dinâmico. Precisa ser mais analítico e apresentar matérias que o diferenciem do restante da imprensa. Nosso jornal não vai vingar apenas por emulação ou por decreto. Ele precisa ser sentido como útil e necessário. Já avançamos nesse campo, temos uma equipe de primeira, mas é preciso dar novos passos. Do contrário, ele perderá espaço e importância.

Se o jornal esbarra em dificuldades, a grande novidade na última fase foi Portal Vermelho. Na prática, ele cumpre o papel que se dizia da A Classe Operária – é um jornal diário, nacional, orientador e unificador do partido. Essa idéia foi apresentada de maneira pioneira, arrojada. O partido foi um dos primeiros no país a investir na internet. Num primeiro momento, houve incompreensões até na direção. Era como ler chinês, ninguém conhecia esta linguagem. Mas, com o tempo, o Vermelho ganhou dimensão, prêmios, elogios do partido e respeito nos meios políticos. Hoje supera a maior parte das páginas de política na internet. Penso que é preciso aprimorá-lo e investir mais neste poderoso instrumento, pensar até em edições em espanhol e inglês. As condições estão dadas para dobrar os acessos a pagina, ampliando a difusão das nossas idéias.

Por último, uma observação sobre a questão da publicidade. No capitalismo, em que tudo se transforma em mercadoria – e mesmo no socialismo, onde o mercado será mantido por muito tempo –, há enormes investimentos nesta área. Tudo é feito para “vender o produto”. O grau de especialização da publicidade no Brasil é dos mais elevados do mundo. O partido não pode se descuidar nesta área. Ele precisa estudar formas mais modernas e eficientes para divulgar as suas idéias e a sua imagem. Atualmente, apesar dos avanços, ainda estamos engatinhando neste terreno. Hoje se faz necessário investir mais em campanhas publicitárias, em pesquisas qualitativas, profissionalizar mais esta área. O partido precisa romper preconceitos e estar sintonizado com o tempo. Não dá mais para atuar de maneira artesanal neste terreno.

*Presidente nacional do PCdoB

 

 

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