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Walter Sorrentino*
Comemoramos em fevereiro e março dois
marcos fundantes do Partido Comunista do
Brasil. Em 25 de março, 84 anos de
fundação deste que é o partido mais antigo
do país. Em 18 de fevereiro, a sua
reorganização, superando duro confronto
ideológico com correntes que tendiam a
descaracterizá-lo como força
revolucionária do proletariado. Superando
mais de 60 anos de atividade clandestina
ou ilegal, completamos já mais de 20 anos
de legalidade, onde o Partido amplia seus
vínculos com os trabalhadores e o povo,
granjeia respeito da sociedade e o
convívio democrático com as forças
políticas do país.
É notável a persistência e coerência que
marcam essa trajetória, em meio a tantas
vicissitudes da luta de classes no Brasil.
O PCdoB venceu, e renova hoje seu
compromisso com a classe que lhe deu
origem, com a luta patriótica por um país
soberano, desenvolvido e igualitário, com
o socialismo, com a cara e o jeito de
nosso povo. Tem crescente protagonismo
político frente aos grandes embates que
estão em curso quanto aos projetos para o
país, ocupando um lugar político próprio e
bem definido nos acontecimentos.
Trata-se, portanto, de datas que motivam
justas homenagens e orgulho do Partido.
Mas afinal, quem é o Partido? Como falar
de persistência e coerência sem atribuir
isso a sujeitos concretos? O Partido é,
antes de tudo, sua militância, esses
camaradas que ao longo de gerações
sustentaram a perspectiva partidária,
gente de carne e osso, dotados,
entretanto, de consciência política de
classe. E que, por isso mesmo, dedicaram o
melhor de seus esforços para que
estivéssemos aqui hoje, a dar seguimento à
mesma luta, nas novas condições do país e
do mundo. É a essa militância que se deve
prestar essas homenagens.
Eles e elas estão por aí, na luta social
entre os trabalhadores, os jovens, as
mulheres, os negros. Fazem o esteio da
força na CSC e CUT, bem como na UJS e UBM.
Estão entre os índios da Amazônia, como
também entre os intelectuais do mundo da
cultura. Atuam nas manifestações de massa,
bem como nos governos, sempre a perseguir
os objetivos da linha partidária. Não há
causa progressista sobre a qual não tenham
opinião e atividade. São os continuadores
dos que venceram o anarco-sindicalismo,
nos primórdios da fundação, e enfrentaram
as perseguições nos tempos em que a
questão social era caso de polícia; dos
que conquistaram a fabulosa vitória pela
redemocratização do país em 1945, bem como
em 1985; dos que fizeram a greve geral de
1953 e conquistaram o voto aos 16 anos;
dos que corajosamente se embrenharam nas
selvas do Araguaia para lutar pela
liberdade; dos que vêm enfrentando, desde
o célebre 8º Congresso em 1992, os duros
embates teóricos pela reafirmação do
ideário socialista renovado. Não se pode
contar a história do Brasil sem que se
refira o papel do PCdoB. Quantos e quantos
sacrifícios fizeram esses homens e
mulheres! Quantas lições de heroísmo e
abnegação legaram a nós e ao país!
O Partido é dos trabalhadores e do povo,
mas sem seus militantes, dedicados a
sustentar permanentemente a luta onde quer
que atuem, não há Partido Comunista. A
homenagem é justa. Nesta data, a forma
particular dessa homenagem é a instituição
da Carteira Nacional do Militante. É o
cumprimento de um antigo anseio, hoje
tornado realidade com o novo Estatuto
aprovado no 11º Congresso.
A Carteira é antes de tudo um instrumento
para valorização do ser militante, um
elogio à militância. A política é a forma
mais elevada da consciência social e a
militância política por um mundo novo um
fator emancipador das consciências.
Queremos valorizá-la, pois ela é
manifestação da consciência mais avançada
de nosso tempo, o de dedicar energias e
tempo à luta por um mundo novo, em ligação
com os papéis sociais, políticos,
culturais, científicos e públicos que cada
um de nós desenvolve na atividade social.
A posse da Carteira vem patentear o
orgulho de sustentar tal opção.
Ao mesmo tempo, ela passa a vincular e
comprovar o exercício de direitos e
deveres à base do contrato político que
firmamos, livremente entre nós, nos termos
do Estatuto que nos rege. A implantação em
todo o país da Carteira Militante é hoje o
principal instrumento da luta pela
estruturação do Partido. Aponta para a
busca ativa de cada um em cumprir os
pressupostos estatutários, bem como dos
Comitês partidários, em planejar sua
implantação em todos os níveis da
estrutura do Partido.
A estruturação partidária hoje mais que
nunca implica não apenas independência
política e ideológica, como também
independência financeira e força material
organizada. A implantação da Carteira
significa alargar a base de sustentação
material do Partido,
estimulando a adesão consciente de seus
quase 80 mil militantes sem sua
sustentação. Ao mesmo tempo, ela
estimulará o maior ordenamento da
estrutura partidária pela base, permitindo
o melhor conhecimento de quem é a
militância comunista. Não devemos nos
atrasar nisso. Um partido sério é um
partido estruturado, com as fronteiras bem
definidas de responsabilidades e direitos
de cada um.
O 11º Congresso nos fala de permanência e
renovação no pensamento e ação de Partido.
Para isso, a consigna central da
atualidade é ainda cuidar mais e melhor do
Partido, como atitude indispensável para
constituir uma força efetiva, dotada de
clareza estratégica e habilidade tática
para abrir caminho ao socialismo. É a
forma que assume hoje a tarefa histórica
complexa que é construir o Partido
Comunista. Neste tempo em que a esquerda
brasileira passa por transformações
importantes, quando os trabalhadores e o
povo vão fazendo sua própria experiência
política, é hora, mais do que nunca, de
vestir a camisa do PCdoB, ou seja,
ostentar a honrosa Carteira Nacional de
Militante.
O Estatuto e as normas complementares
editadas dão conta de como implantar a
Carteira Militante em toda a estrutura
partidária. Esse processo passa a ser um
referencial objetivo do quanto avança a
estruturação partidária, da clareza que
temos nas direções sobre a estruturação
partidária, e do ímpeto militante em ver
cumpridos seus direitos – o direito básico
a possuir a Carteira, preenchido o dever
básico em contribuir com uma parcela de
seu rendimento anual, para votar e ser
eleito nos processos internos ao Partido.
Sairemos mais fortalecidos desse processo.
Todos e todas que militam no Partido
precisam ativamente buscar cumprir esse
propósito, que será a homenagem que
prestamos àqueles que nos legaram esse
precioso Partido Comunista do Brasil ao
longo dos 84 anos de ação.
*secretário nacional de Organização do
PCdoB
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