Os quatro adolescentes que prestaram depoimento na Corregedoria de Polícia de Pernambuco na quinta-feira (2) acusando policiais militares de espancamento estavam desaparecidos desde sexta-feira (3).
Eles integravam o grupo de 14 jovens foi levado por carros da Rádio Patrulha e do Serviço de Emergência, na segunda-feira de Carnaval, em Recife, e jogados no rio Capibaribe, após serem surrados a golpes de cassetete. Dois deles morreram afogados.
Os quatro jovens foram os primeiros a prestar depoimento, após os corpos de Diogo Ferreira e Zinael Silva terem sido localizados, na quinta, pelo Corpo de Bombeiros nas margens do rio — a mais de cinco quilômetros do local apontado como palco da violência, a favela do Coque.
Sexta-feira, um grupo da Diretoria da Criança e do Adolescentes de Pernambuco passou o dia procurando os adolescentes para que fossem submetidos a exames no Instituto de Medicina Legal. Vários deles apresentavam hematomas e cortes pelo corpo, devido aos golpes aplicados pelos policiais com cassetetes de madeira.
"Ainda é cedo para avaliar o que ocorreu. Acreditamos que as famílias podem estar escondendo os garotos com medo de represálias", disse o corregedor-geral da Secretaria Estadual de Defesa Social, José Luiz Oliveira.
O corregedor admitiu que familiares dos outros oito sobreviventes da violência também estão com medo. "Eles dizem que não querem entrar no programa de proteção à testemunha. Pretendem mudar de Estado."
Treze policiais acusados pela violência foram afastados. Eles teriam identificado o grupo como responsável por arrastões durante o Carnaval. Nenhum dos adolescentes tinha passagem pela polícia. Todos estavam matriculados em escolas da rede pública e alguns trabalhavam.
Apesar de condenar a ação dos policiais no episódio que resultou na morte dos dois adolescentes, o comandante-geral da Polícia Militar de Pernambuco, coronel Cláudio José da Silva, afirmou que se tratou de um "fato isolado".
Com agências
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