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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

3 de março de 2006

IMBROGLIO

Cidade do México reabre hotel que expulsou cubanos


 

 
Mexicanos protestam diante de hotel

O processo administrativo aberto pelas autoridades municipais da Cidade do México contra o Hotel María Isabel, da rede Sheraton na cidade, continua levantando polêmica no México.

O hotel, que expulsou em 3 de fevereiro 16 funcionários e diretores de empresas cubanas que negociavam com empresários americanos, com base na lei Helms-Burton, não podia abrir suas portas ao público até que fossem resolvidas 16 irregularidades observadas em uma das vistorias que a prefeitura mexicana efetuou em 8 de fevereiro último.

A medida foi suspensa no fim da tarde de ontem, quando o hotel foi reaberto. A reabertura voltou a indignar os mexicanos, que se referiram à expulsão dos cubanos como um Ultraje!, como estampou na capa o jornal Reforma um dia depois da expulsão.

Irregular

A decisão da delegada intendente em Cuauhtémoc, Virginia Jaramillo, uma das 16 jurisdições nas quais a cidade é dividida, determinou o fechamento do hotel María Isabel Sheraton, porque a empresa não teria resolvido várias das 16 irregularidades detectadas na visita ao lugar.

O diretor-geral jurídico e de governo, Alonso Rojas Rodríguez, explicou que a suspensão definitiva ordenada por um juiz ao hotel é para que o Sheraton tenha as garantias de que se cumpra o processo administrativo, e por isso foram colocados os selos de fechamento.

Virginia também impôs uma multa de 156.474 pesos, devido às 15 irregularidades que o hotel não conseguiu resolver.

Entre elas estão a falta de um programa interno de prevenção a acidentes, 3 mil metros quadrados construídos além das plantas aprovadas, não existência de licenças de funcionamento para dois bares, não tem cardápio em sistema braile e 10% das escadarias não têm o material antiderrapante.

A única irregularidade resolvida no processo administrativo foi a do estacionamento, pois o hotel apresentou um contrato de aluguel com um prédio próximo para resolver esta situação.

Críticas federais

O porta-voz presidencial mexicano, Rubén Aguilar, criticou a decisão das autoridades municipais de fechar o hotel Sheraton. Aguilar disse que, embora o governo federal respeite a medida, considera que ela "afeta a imagem do turismo a nível mundial, desanima o investimento e impacta no emprego" e pediu para que o conflito seja solucionado "por meio do diálogo".

A decisão de Virginia foi mal vista inclusive pelo chefe do governo, Alejandro Encinas, apesar de ambos pertencerem ao Partido da Revolução Democrática (PRD). Encinas aconselhou à intendente e às autoridades do hotel que resolvam o conflito para que o estabelecimento possa continuar operando, já que "se trata de uma fonte de emprego e atividade turística muito importante para a cidade".

O estabelecimento, localizado em frente ao emblemático Anjo da Independência, sobre o turístico Passeio da Reforma, perto da embaixada americana, expulsou em 3 de fevereiro passado 16 funcionários e diretores de empresas cubanas. A medida foi adotada sob ordens do regime dos Estados Unidos, que pressionou a cadeia Starwood Hotel, proprietária do Sheraton, para expulsar os cubanos.

Funcionários da delegacia de Cuauhtémoc colocaram lacres nos acessos do hotel por violar pelo menos 16 regras municipais, e deram 24 horas para cumprir com o encerramento de serviços e retirada dos hóspedes, prazo que não foi cumprido pelos representantes da empresa.

Lei ilegal

Quando os EUA adotaram em 1996 a aberração jurídica conhecida como lei Helms-Burton, o México, assim como vários outros países, aprovou uma legislação para impedir que tal norma, por sua forma grosseira de ingerência e extraterritorialidade, tivesse efeitos internos.

Dez anos depois, diante da expulsão dos cidadãos cubanos do hotel Maria Isabel, o governo mexicano, até agora, se recusou a aplicar a lei que adota sanções a quem a desobedece. Em 21 de fevereiro, à noite, intelectuais e militantes sociais mexicanos, país que visitavam Cuba, denunciaram tal atitude do governo mexicano.

O ex-diplomata Gustavo Iruegas, de vasta experiência nos assuntos diplomáticos, foi contundente ao dizer: “Se o México não aplica sua lei, abdicará de sua independência”.

Mais de 400 intelectuais e dirigentes sociais desse país, aos quais se juntaram personalidades de outros países latino-americanas, entregaram em meados de fevereiro uma carta à chancelaria mexicana na qual qualificavam de "revoltante" a falta de resposta do governo do presidente Fox, diante da expulsão dos cubanos.

O jornalista uruguaio Carlos Fazio, colunista do diário mexicano La Jornada, citou como antecedentes o cancelamento pelo mesmo Sheraton de um negócio com entidades turística de Cuba, em fins de 1992 e a ruptura, em 1993, de um contrato de compra de pneus feito com a filial mexicana da Goodyear; nos dois casos aplicando a lei Torricelli, recém-aprovada naquele momento.

Com informações de agências internacionais e jornal Granma Internacional



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