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Mexicanos protestam diante de hotel |
O processo administrativo aberto pelas
autoridades municipais da Cidade do México
contra o Hotel María Isabel, da
rede Sheraton na cidade, continua levantando
polêmica no México.
O hotel, que expulsou em 3 de fevereiro
16 funcionários e diretores de
empresas cubanas que negociavam com empresários
americanos, com base na lei Helms-Burton,
não podia abrir suas portas ao
público até que fossem resolvidas
16 irregularidades observadas em uma das
vistorias que a prefeitura mexicana efetuou
em 8 de fevereiro último.
A medida foi suspensa no fim da tarde
de ontem, quando o hotel foi reaberto.
A reabertura voltou a indignar os mexicanos,
que se referiram à expulsão
dos cubanos como um Ultraje!,
como estampou na capa o jornal Reforma
um dia depois da expulsão.
Irregular
A decisão da delegada intendente
em Cuauhtémoc, Virginia Jaramillo,
uma das 16 jurisdições nas
quais a cidade é dividida, determinou
o fechamento do hotel María Isabel
Sheraton, porque a empresa não
teria resolvido várias das 16 irregularidades
detectadas na visita ao lugar.
O diretor-geral jurídico e de
governo, Alonso Rojas Rodríguez,
explicou que a suspensão definitiva
ordenada por um juiz ao hotel é
para que o Sheraton tenha as garantias
de que se cumpra o processo administrativo,
e por isso foram colocados os selos de
fechamento.
Virginia também impôs uma
multa de 156.474 pesos, devido às
15 irregularidades que o hotel não
conseguiu resolver.
Entre elas estão a falta de um
programa interno de prevenção
a acidentes, 3 mil metros quadrados construídos
além das plantas aprovadas, não
existência de licenças de
funcionamento para dois bares, não
tem cardápio em sistema braile
e 10% das escadarias não têm
o material antiderrapante.
A única irregularidade resolvida
no processo administrativo foi a do estacionamento,
pois o hotel apresentou um contrato de
aluguel com um prédio próximo
para resolver esta situação.
Críticas federais
O porta-voz presidencial mexicano, Rubén
Aguilar, criticou a decisão das
autoridades municipais de fechar o hotel
Sheraton. Aguilar disse que, embora o
governo federal respeite a medida, considera
que ela "afeta a imagem do turismo
a nível mundial, desanima o investimento
e impacta no emprego" e pediu para
que o conflito seja solucionado "por
meio do diálogo".
A decisão de Virginia foi mal
vista inclusive pelo chefe do governo,
Alejandro Encinas, apesar de ambos pertencerem
ao Partido da Revolução
Democrática (PRD). Encinas aconselhou
à intendente e às autoridades
do hotel que resolvam o conflito para
que o estabelecimento possa continuar
operando, já que "se trata
de uma fonte de emprego e atividade turística
muito importante para a cidade".
O estabelecimento, localizado em frente
ao emblemático Anjo da Independência,
sobre o turístico Passeio da Reforma,
perto da embaixada americana, expulsou
em 3 de fevereiro passado 16 funcionários
e diretores de empresas cubanas. A medida
foi adotada sob ordens do regime dos Estados
Unidos, que pressionou a cadeia Starwood
Hotel, proprietária do Sheraton,
para expulsar os cubanos.
Funcionários da delegacia de
Cuauhtémoc colocaram lacres nos
acessos do hotel por violar pelo menos
16 regras municipais, e deram 24 horas
para cumprir com o encerramento de serviços
e retirada dos hóspedes, prazo
que não foi cumprido pelos representantes
da empresa.
Lei ilegal
Quando os EUA adotaram em 1996 a aberração
jurídica conhecida como lei Helms-Burton,
o México, assim como vários
outros países, aprovou uma legislação
para impedir que tal norma, por sua forma
grosseira de ingerência e extraterritorialidade,
tivesse efeitos internos.
Dez anos depois, diante da expulsão
dos cidadãos cubanos do hotel Maria
Isabel, o governo mexicano, até
agora, se recusou a aplicar a lei que
adota sanções a quem a desobedece.
Em 21 de fevereiro, à noite, intelectuais
e militantes sociais mexicanos, país
que visitavam Cuba, denunciaram tal atitude
do governo mexicano.
O ex-diplomata Gustavo Iruegas, de vasta
experiência nos assuntos diplomáticos,
foi contundente ao dizer: “Se o
México não aplica sua lei,
abdicará de sua independência”.
Mais de 400 intelectuais e dirigentes
sociais desse país, aos quais se
juntaram personalidades de outros países
latino-americanas, entregaram em meados
de fevereiro uma carta à chancelaria
mexicana na qual qualificavam de "revoltante"
a falta de resposta do governo do presidente
Fox, diante da expulsão dos cubanos.
O jornalista uruguaio Carlos Fazio, colunista
do diário mexicano La Jornada,
citou como antecedentes o cancelamento
pelo mesmo Sheraton de um negócio
com entidades turística de Cuba,
em fins de 1992 e a ruptura, em 1993,
de um contrato de compra de pneus feito
com a filial mexicana da Goodyear; nos
dois casos aplicando a lei Torricelli,
recém-aprovada naquele momento.
Com informações de agências
internacionais e jornal Granma Internacional
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