1. Sobre o mundo actual recai a ameaça
de instauração de uma ditadura
global de uns quantos estados imperialistas,
com os EUA à cabeça. O seu
objectivo é o domínio do
"bilhão dourado" (o Primeiro
Mundo") [1] sobre a periferia explorada,
eternamente condenada à degradação
econômica e social. É por
isso que hoje em dia não há
tarefa mais importante para a Humanidade
do que a luta contra o imperialismo e
a sua mais recente variante, a globalização.
Esta luta só será coroada
de êxito se houver condições
para uma unidade planetária dos
esforços da classe operária,
do campesinato trabalhador, da intelectualidade
democrática e dos combatentes pela
libertação nacional.
Esta luta prossegue e fortalece-se, apesar
do refluxo temporal do socialismo no continente
europeu. A influência das forças
de esquerda cresce de novo por todo o
mundo. Os comunistas sempre estiveram
e estão na vanguarda da luta contra
o imperialismo. Daí, não
ser casual que, nos últimos tempos,
se tenham tornado mais frequentes as provocações
anticomunistas. Um escandaloso exemplo
disto foi a resolução da
Assembleia Parlamentar do Conselho da
Europa (APCE), na sessão de Janeiro
deste ano.
Naturalmente, nenhuma resolução
poderá apagar o movimento comunista
da história ou desvalorizar a sua
contribuição para o desenvolvimento
da civilização mundial.
Não obstante, isto não nos
desobriga de dar uma resposta contundente
aos provocadores. Além disso, a
resolução da APCE não
é apenas uma manifestação
de falta de memória histórica
e da mais infame ingratidão para
com a União Soviética e
o seu papel na salvação
da Europa da escravidão fascista.
Não, tudo isto vai na linha de
uma vingança fascista, de um "renascimento"
fascista.
O mundo vive um momento decisivo. Ou
a Humanidade diz um rotundo "não"
à restauração fascista,
ou estará condenada a novos sofrimentos
por muitos anos. Por isso, o Partido Comunista
da Federação Russa (PCFR)
considera ser sua obrigação
social e internacional intervir com uma
iniciativa de elaboração
de uma estratégia e uma táctica
para uma luta activa da Humanidade contra
a ameaça global.
Esta tarefa exige uma valoração
internacional das múltiplas facetas
e uma condenação dos crimes
do imperialismo e da globalização.
Não pretendemos aqui apresentar
uma lista exaustiva desses crimes. O presente
memorando, que se apresenta à atenção
da opinião pública mundial,
está aberto à discussão,
melhoria e introdução de
concretizações. Pensamos
que, para este trabalho, é necessária
a criação de uma comissão
internacional com autoridade e prestígio.
2
Os autores do relatório do parlamentar
sueco Lindbad [2] , de forma presunçosa
e sem base científica, tocaram
uma questão teórica e prática
muito importante – acerca do papel
da violência na história.
Se abordarmos a história mundial
com mesquinhos critérios pequeno-burgueses,
então havia que recusá-la
em bloco, logo desde o momento em que,
debaixo das árvores, o homem primitivo
começou a viver em sociedade. A
história universal é, em
muitos aspectos, a história de
guerras intermináveis, saques e
violências. Como avaliam os comunistas
este doloroso, mas indiscutível
facto?
O marxismo nunca exagerou o papel da
violência na história. Pelo
contrário, os seus fundadores sempre
zombaram dos "pensadores" do
tipo de Duhring [3] , que consideravam
a violência como a principal fonte
de desenvolvimento social. E isto é
compreensível: a apologia da violência
é uma característica da
ideologia das classes exploradoras e reaccionárias.
Mas o marxismo também não
desvalorizou o papel da violência,
entendendo que, perante a violência
dos exploradores, os oprimidos têm
direito e devem responder com a violência
da autodefesa. E houve, e há, motivos
para se defenderem. O capitalismo surgiu
no processo da chamada acumulação
inicial (do capital), cujo objectivo era,
através da força, segregar
os trabalhadores dos meios de produção.
Os horrores da acumulação
inicial permanecerão, para sempre,
escritos a sangue no livro da história.
O capitalismo veio ao mundo coberto,
da cabeça aos pés, de sangue
e imundície. A sua história
dá inumeráveis motivos para
o arrependimento. Para que pudesse implantar-se
na sua pátria de origem (Inglaterra),
foi necessário arruinar e liquidar
o campesinato livre, anterior proprietário
da terra, os "orgulhosos yeoman "
[4] de Shakespeare. Além disso,
adoptou contra os "vagabundos"
expulsos das suas terras, leis terroristas
que castigavam com a pena de morte o menor
atentado contra o "sagrado direito"
à propriedade privada. Utilizou
largamente o trabalho escravo desses mesmos
vagabundos, encarcerados em presídios
chamados "casas de trabalho"
[5] . Ao longo de dois séculos
e meio, a prolongada revolução
burguesa na Alemanha devastou o país,
literalmente e por diversas vezes, reduzindo
a população a menos da metade.
A grande Revolução Francesa
recorreu, sem vacilações,
a medidas de terror maciço contra
os inimigos do povo. Os Estados Unidos
da América levantaram o edifício
da sua civilização sobre
os ossos de milhões de indígenas
e escravos negros. A saciada Europa de
hoje deve o seu empanturramento à
feroz exploração das suas
antigas colónias e das actuais
semi-colónias.
As cruéis guerras da época
da formação do capitalismo
deixaram uma mancha inapagável
na história europeia. Entre elas,
a Guerra dos 30 Anos (1618-1648), no século
XVII, no decurso da qual foi exterminada
quase um terço da população
da Alemanha, na qual teve um papel decisivo
o regime monárquico de Gustavo
Adolfo da Suécia. A Guerra do Norte
(1700-1721), desencadeada pelo rei sueco
Carlos XII. A Guerra da Sucessão
espanhola (1700-1714), entre a França,
Espanha e Áustria. A Guerra dos
7 Anos (1756-1763), iniciada pelo rei
prussiano Frederico II. As Guerras Napoleónicas
(1880-1815), que afundaram toda a Europa
no caos e foram a causa da morte em massa
da população civil, de assassinatos
e execuções de milhões
de pessoas, destruição de
monumentos nacionais, etc..
Como deveríamos referir-nos a
essa cadeia de crueldades chamada História
Universal?
O clássico humanismo burguês
conforma-se com a ideia de que o caminho
do bem passa pela violência e procura
a reconciliação com essas
contradições, aceitando
que o mal aparece como força motora
do progresso. Essa posição
foi expressa, com toda a plenitude e franqueza,
pelos pais espirituais da civilização
burguesa, o economista Ricardo e o filósofo
Hegel.
Nós, comunistas, não somos
mesquinhos chorões pequeno-burgueses
e conhecemos o preço do progresso
social. Por tudo há que pagar.
Mas enquanto a Humanidade sofre a "pré-história"
(Marx), vê-se obrigada a pagar o
progresso com sangue. A doutrina comunista
não pretende negar a realidade,
nem embelezá-la. Vê toda
a dureza da vida e não renuncia
aos frutos do progresso, conquistados
por um preço terrível. Mas
recusa aceitar este estado de coisas como
uma norma eterna e procura outros caminhos
para formas mais humanas de desenvolvimento,
para uma história propriamente
dita da Humanidade, diferente da sua "pré-história".
O comunismo científico é
a única doutrina social na história
que indica uma saída para este
beco sem saída política,
econômica e moral.
Sim, o socialismo, como todas as formas
sociais que o precederam, surge a partir
de sacrifícios e violência.
"Os longos sofrimentos de gerações"
de que nos falavam Marx e Lenine, não
são uma metáfora vazia.
Mas, simultaneamente, este é o
primeiro sistema da história que,
objectivamente, leva dentro de si a negação
do sangrento caminho "normal"
do progresso. E põe ao alcance
da consciência das massas quão
inadequado é este caminho.
É necessário distinguir
entre o sangue dos revolucionários,
vertido para alcançar o progresso
social, do sangue dos reaccionários,
vertido na luta contra o progresso, com
o objectivo de o impedir ou de voltar
atrás. Existe a justa violência
revolucionária, dirigida à
consecução da liberdade
e a independência. E existe a violência
reaccionária, dirigida contra a
liberdade e o progresso, em defesa dos
interesses egoístas das reaccionárias
classes exploradoras.
Os revolucionários não
se arrependeram, nem se arrependerão
da justa violência dos oprimidos
contra os opressores. Consideram que a
renúncia a distinguir entre matar
um opressor e matar para espoliar, é
farisaísmo. As grandes revoluções
socialistas do século XX na Rússia
e China fizeram compreender essa verdade
simples, inclusive a tão ardorosos
defensores do capitalismo como Franklin
D Roosevelt, Winston Churchill e Charles
De Gaulle. Mais, viram-se obrigados a
participar, em união com a Rússia
Socialista, na luta contra o fascismo.
Mas a velha amizade esquece-se. Em substituição
dos aliados dos anos 40 chegaram novos
amnésicos históricos.
É por isso que recomendamos aos
estados do Ocidente que olhem criticamente
o seu passado, que o julguem honestamente
e que acabem com as duas medidas para
avaliar. Os crimes devem ser reprovados,
diferenciando o que se alcançou
de positivo e imperecível.
Há um critério preciso
para diferenciar o que são crimes
do que é a necessária violência
revolucionária. "A burguesia
– diz-se no "Manifesto Comunista"
– jogou na história um extraordinário
papel revolucionário". E os
comunistas não devem desvalorizar
e silenciar esse papel. Mas os tempos
da burguesia revolucionária há
muito que passaram. O capitalismo entrou
no estádio do imperialismo e da
globalização. As suas metas
separaram-se completamente das tarefas
do progresso social. Os comunistas consideram
um crime histórico toda a violência
destinada a atrasar o progresso social.
E o imperialismo há muito tempo
que está manchado com crimes desse
tipo.
3
O imperialismo existe em duas variantes:
liberal e totalitário-fascista.
Distinguem-se pela forma de organização
política, mas a base econômica
das duas é a mesma: a manutenção
do bem-estar próprio, à
custa da exploração de outros
países e povos. Como testemunha
a história, o liberalismo degenera
com facilidade no fascismo do tipo alemão
ou italiano, ou na sua variante, o maccarthismo
norte-americano. Os regimes fascistas,
frequentemente, dão-se bem com
a economia liberal e beneficiam de apoios
de todo o género dos liberais,
como se pode exemplificar com o fascismo
de Pinochet no Chile.
Os crimes do nazismo e do fascismo foram
condenados e castigados pela comunidade
internacional. Os crimes dos chamados
regimes liberais, até ao dia de
hoje, não receberam a devida valorização
e a comunidade mundial, amiúde,
está mal informada sobre as malfeitorias
cometidas por eles.
Os crimes do imperialismo são
diferentes em função do
país e do período histórico.
Incluem assassinatos e execuções
maciças, criação
de campos de extermínio, fome,
deportações, torturas, trabalhos
forçados, bem como outras formas
de terror. A sua responsabilidade é
enorme, também na destruição
das bases da existência de muitos
estados e nações. Pela violação
de princípios fundamentais da moral
social, tradições nacionais
e valores culturais. Pela criação
de crises sócio-políticas
e espirituais no mundo.
1. Crimes contra os trabalhadores, contra
a classe operária, o campesinato
e a intelectualidade democrática.
O capitalismo esforçou-se sempre,
com extrema crueldade, por esmagar as
rebeliões do povo trabalhador e
explorado. Bastará recordar a sangrenta
repressão da Comuna de Paris (1871),
a dispersão a tiro da manifestação
do 1º de Maio de 1886 em Chicago
ou os horrores da guerra civil na Rússia.
Mas os principais instrumentos da luta
contra o povo trabalhador foram a escravatura,
directa ou indirecta, a fome e as torturas.
Particularmente, a utilização
de trabalho forçado de escravos
nos regimes "democráticos"
da Grã-Bretanha, França,
Holanda, Espanha, EUA no período
de expansão colonial e neocolonial.
Consequências catastróficas
da política de globalização
imperialista. Os custos ecológicos
e sociais da chamada política liberal
de mercado dos países ocidentais
sentem-se em todo o mundo, o que provoca
um incremento brutal dos padecimentos
de dezenas de milhões de habitantes
do nosso planeta. Agrava-se a escandalosa
injustiça nas relações
internacionais, antes de mais na divisão
do trabalho, imposta pelo diktat das potências
ocidentais. Isto levou a que, nos últimos
dez anos se agudizasse, de um modo sem
precedentes, o problema da fome. Os indicadores
da mortalidade infantil por causa da fome
alcançaram, segundo dados da ONU,
um nível nunca antes visto: 17
mil mortos por dia. No total, 25 mil pessoas
morrem de fome diariamente. Hoje em dia,
777 milhões de pessoas, em países
dependentes de regimes liberais, e 38
milhões em países onde se
instauraram à imagem das democracias
ocidentais, sofrem de fome. Mesmo nos
"livres e democráticos"
EUA morrem por ano, não menos de
1.800 norte-americanos, pelo simples facto
de não terem seguro médico.
Os dados do Relatório da ONU de
2005 sobre o desenvolvimento humano soam
como uma sentença ao imperialismo.
Os rendimentos conjuntos das 500 pessoas
mais ricas do planeta, superam os rendimentos
da parte mais pobre da população
do planeta, que é cerca de 416
milhões de pessoas. Entre estes
dois pólos encontram-se 2.500 milhões
de pessoas que vivem com menos de 2 dólares
por dia. Estes representam 40% da população
da Terra, mas a sua porcentagem sobre
o total de receitas mundiais representa
apenas 5%. Os 10% mais ricos da população
mundial, por sua vez, recebem 54% dos
rendimentos mundiais. A política
dos regimes ocidentais leva a que mais
de 1.000 milhões de pessoas vivam
em condições de miséria.
Todos os anos, 10,7 milhões de
crianças morrem antes dos 5 anos
de idade. E isto quando, segundo cálculos
de peritos da ONU, gastando apenas 4.000
milhões de dólares, seria
possível reduzir a mortalidade
infantil em quase 2/3 nos 75 países
mais pobres. De 2.500 milhões de
escravos, segundo dados da ONU e da OSCE
(Organização para a Segurança
e a Cooperação Europeia),
cerca de 500 mil vivem na Europa Ocidental,
e até 200 mil em estados em "transição"
para a economia liberal.
A implementação da "democracia"
e dos modelos liberais na Rússia,
sob pressão dos EUA e das instituições
internacionais por eles controladas, resultou
na perda de 10 milhões de pessoas
no território da Federação
Russa. Desse número, 9 milhões
são de nacionalidade russa. O genocídio
russo e de outros povos da Rússia,
como consequência de tal política,
foi determinado nos materiais da comissão
para a destituição do presidente
B. N. Yeltsin e recebeu o apoio da maioria
dos deputados da Duma Estatal (Parlamento
da Rússia) da Federação
Russa em 1999.
2. Crimes contra a liberdade e a independência
dos povos
É enorme a culpa do capitalismo
pela crueldade da época colonial.
A população da Índia,
Argélia e Camboja, Indonésia
e Etiópia também sofreram
o extermínio das "liberais"
Grã Bretanha, França, Holanda,
Bélgica e Itália, respectivamente.
Como também aconteceu aos povos
da Coreia, Vietname, Jugoslávia,
Afeganistão e Iraque no tempo das
agressões dos EUA.
O capitalismo praticou e pratica extensamente
a destruição das bases da
vida e o extermínio das populações
indígenas, com matanças
e execuções em massa:
Os nativos americanos na América
do Norte pelo regime dos EUA;
Os ucranianos na Áustria-Hungria
nos princípio do século
XX;
Os chineses no decurso das "Guerras
do Ópio", levadas a cabo pelos
os EUA, Grã Bretanha, Alemanha
e outros estados, como o Japão;
Os povos dos países de África,
Ásia e América Latina, pelos
estados da actual União Europeia
e pelos Estados Unidos nos séculos
XIX-XX;
Os povos bielorusso e ucraniano durante
a política de "pacificação"
na Polónia, no período que
mediou entre a primeira e a segunda guerra
mundiais.
O genocídio dos povos russo, ucraniano,
bielorusso, judeu e outros, no período
de ocupação da URSS pelas
tropas da Alemanha, Itália, Hungria,
Roménia, Eslováquia, Croácia
e Eslovénia, bem como por destacamentos
das SS, formados por letões, estónios,
lituanos e nacionalistas e "kulaks"
(camponeses ricos contra-revolucionários)
de Galitzia (Ucrânia Ocidental).
Desde meados do século XIX, os
EUA, guiados pela "doutrina Monroe",
fazem intermináveis intervenções
armadas contra os países latino-americanos.
Prisões sem julgamento e execuções
de revolucionários, como Ernesto
Che Guevara, há muito tempo que
se tornaram uma característica
integrante da "democracia" americana
(sic) e do "estado de direito".
O golpe militar no Chile, inspirado pela
CIA, o assassinato do presidente Allende,
entraram na história como um dos
crimes mais cínicos do imperialismo.
Hoje prossegue o bloqueio a Cuba e as
provocações sem descanso
à Venezuela, porque ambos os povos
escolheram uma via de desenvolvimento
socialista.
Com o pretexto da implantação
da democracia leva-se a cabo uma guerra
desapiedada contra o povo do Iraque, cuja
única "culpa" é
o desejo de viver segundo as suas próprias
leis e decidir, ele próprio, o
seu destino. Sob a capa do hipócrita
argumento de defesa da liberdade, preparam-se
agressões contra o Irão
e a Síria, apoia-se a política
de ocupação de Israel, preparam-se
represálias contra todo aquele
que contrarie as pretensões dos
EUA, e seus aliados, de hegemonia no mundo
moderno.
Na Europa, na Letónia e Estónia,
perante o silêncio cúmplice
da União Europeia, ressuscita-se
o sistema de "apartheid", que
priva dos seus direitos políticos
quase metade da população,
pelas suas características étnicas.
3. Crimes contra a paz e a vida na Terra
O imperialismo é responsável
por ter desencadeado as duas guerras mundiais,
que custaram a vida a cerca de 100 milhões
de pessoas. O lançamento pelos
EUA da bomba atómica sobre Hiroshima
e Nagasaki representa o maior crime de
guerra na história da humanidade.
Não menos mortífera foi
a utilização de armas de
destruição maciça,
dirigidas contra qualquer organismo vivo.
Por exemplo, o espargimento – pela
aviação norte-americana
– de agentes desfolhantes sobre
a Indochina.
As guerras foram acompanhadas de deportações,
torturas e extermínio de pessoas
nos campos de concentração.
Extermínio de russos nos campos
de concentração ingleses
da ilha Mudyug, durante a intervenção
da Entente. Até 20 mil russos,
ucranianos, bielorussos e representantes
de outros povos, membros de Exército
Vermelho, foram mortos nos campos de concentração
polacos, no início dos anos 20.
Defensores do ideal comunista, dissidentes,
lutadores pela reunificação
dos povos ucraniano e bielorrusso, ucranianos,
bielorrussos e judeus foram empilhados
e exterminados no campo de concentração
polaco.
Vinte milhões de civis da URSS
caíram vítimas dos trabalhos
forçados, da fome, das penúrias
provocadas pela guerra, das execuções
em massa. Russos, ucranianos, bielorussos,
judeus e ciganos foram exterminados durante
a ocupação do território
da União Soviética pelas
tropas da Alemanha, Itália, Hungria,
Roménia, Eslováquia, bem
como pelas legiões das SS, incluindo
algumas originárias da Finlândia,
Noruega, Letónia, Estónia
e Lituânia.
O bloqueio a que se viu submetida a população
civil de Leninegrado, que provocou a morte
a mais de meio milhão dos seus
habitantes, representa um dos mais terríveis
crimes contra a humanidade.
As guerras imperialistas são fruto
de cínicas provocações:
O incêndio do Reichstag, o bombardeamento
de blocos habitacionais em Moscovo, o
11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque.
Não é nenhum segredo a activa
cooperação dos serviços
secretos ocidentais com os terroristas
internacionais, a sua preparação
e equipamento, a selecção
de objectivos.
4. Crimes contra a cultura
Pensamos que os crimes do imperialismo
contra a cultura nacional e de toda a
humanidade merecem uma investigação
independente e rigorosa. Todas as atrocidades
que temos vindo a enumerar são
o resultado directo da "missão
civilizadora" do imperialismo, da
instauração pela força
da "democracia", da concepção
da "prescindibilidade" das culturas
nacionais e das civilizações
oriundas dos povos da Ásia, África,
América e, inclusivamente, de parte
da Europa. Partindo destes pressupostos
ideológicos cimentou-se a necessidade
de "eliminação"
de pessoas concretas que, assegurava-se,
representavam um obstáculo à
construção da sociedade
"livre", sendo catalogados como
sub-humanos, não aptos, face à
ideologia e à política liberal-democrática.
Julgamos necessário que a comunidade
internacional se pronuncie e condene as
teorias que animam o ódio entre
humanos, tais como o maltusianismo, o
social-darwinismo, a doutrina de Nietzsche,
o racismo, o mundialismo, etc..
Além disso, pensamos que as múltiplas
guerras que o imperialismo tem provocado
nos Balcãs, ao longo de século
e meio, não perseguem unicamente
interesses económicos. Estão
dirigidas à destruição
da Grécia como berço da
civilização europeia e da
Sérvia como foco originário
do cristianismo ortodoxo na Europa.
4
Os círculos governantes e os partidos
políticos dos países ocidentais,
em muitos casos, não se desligaram
dos crimes cometidos no passado e dos
que se cometem na actualidade.
Na Europa, partidários de regimes
ditatoriais amiúde se camuflam,
disfarçando-se de democratas: em
Espanha e na Itália, nazis na Áustria,
partidários de Pilsudski (ditador
de 1926 a 1935) na Polónia, de
Stepan Bandera (cabecilha dos colaboracionistas
nazis na Ucrânia dos anos 40) na
Ucrânia, fascistóides nas
repúblicas bálticas.
A valoração política
e moral das acções passadas
e presentes dos imperialistas é
imprescindível que se faça
agora, quando os países fiéis
a essa ideologia e às suas directrizes
tentam apresentar-nos a sua actividade
como padrão a seguir por toda a
humanidade.
O dever da comunidade internacional passa
por emitir um juízo sobre o "contributo"
destes regimes para a história
mundial, e advertir as pessoas dos seus
perigos, para evitar que se possam repetir
os crimes cometidos pelos liberais.
Uma avaliação objectiva
da história do imperialismo é
extraordinariamente importante para a
educação das jovens gerações,
para a criação de uma base,
sobre a qual se devem edificar relações
autênticas de cooperação
entre os estados e povos com uma história
diferente e pertencentes a diferentes
civilizações.
Consideramos que as vítimas dos
crimes dos regimes imperialistas, as suas
famílias e descendentes merecem
uma compensação material
pelos seus sofrimentos. Propomos a criação
de um Dia internacional em memória
das vítimas dos crimes do imperialismo.
Poderia ser o dia 3 de Setembro, aniversário
do começo da segunda guerra mundial.
Mas não podemos limitar-nos à
condenação. É imprescindível
oferecer à humanidade uma alternativa
real.
O imperialismo e a globalização
são formas reaccionárias
e deformadas da integração
mundial. A integração propriamente
dita torna-se inevitável. A humanidade,
objectiva e inexoravelmente, encaminha-se
para uma unidade muito mais intensa, sob
todos os pontos de vista. Este é
um facto positivo e indiscutível.
Qualquer tentativa de reverter esta tendência,
de voltar ao passado, de ressuscitar o
isolacionismo, é reaccionária.
No entanto, para os destinos da humanidade,
para os destinos do Homo sapiens não
podem ser absolutamente indiferentes o
caminho e o modo de alcançar essa
unidade.
Continuaremos a avançar pelo caminho
da submissão do trabalho ao capital,
ou pelo da libertação do
trabalho face ao capital, para a conversão
do trabalho numa necessidade vital e natural?
Encaminhamo-nos para uma unidade do multiforme,
para associação em que "o
livre desenvolvimento de todos é
condição para o desenvolvimento
de cada um", ou para a unidade da
uniformidade, para o cartel mundial, para
onde o poder do capital está empurrando
a humanidade?
Vamos para a instauração
no mundo do poder oligárquico de
um reduzido círculo de pessoas,
ou para a interacção democrática
e a cooperação de países
soberanos e dos seus povos?
Unicamente o socialismo pode oferecer
uma alternativa real, não reaccionária
nem utópica, à globalização
e à "nova ordem mundial".
A posição de partida dos
comunistas russos consiste na unidade
da luta de classes dos trabalhadores pela
libertação social e a luta
dos povos pela sua independência,
por um desenvolvimento livre, democrático
e autóctone.
Estamos convictos que o movimento anti-imperialista
e anti-globalização adquirirá
um auge ainda maior e reforçará
a sua unidade de acção,
partindo dos seguintes objectivos, na
sua luta conjunta:
Pela libertação do trabalho
da exploração e pela justiça
social.
Pelo internacionalismo e o patriotismo
como valores fundamentais da convivência
humana e internacional. Contra o chauvinismo
e o cosmopolitismo [6] .
Pela independência nacional e estatal.
Pelos direitos humanos. Não só
os civis e políticos, mas também
os sociais e económicos: direito
ao trabalho, ao descanso, à educação,
à assistência médica,
à defesa social.
Pela liberdade de expressão e
informação. Contra o totalitarismo
informativo e cultural do imperialismo.
Pela defesa do meio ambiente, face ao
efeito destrutivo da "carreira consumista"
e à actual divisão internacional
do trabalho.
Pelo direito do povo ao levantamento,
à autodefesa perante a agressão,
à luta armada contra os opressores
e ocupantes.
Contra o terrorismo internacional. Por
uma clara diferenciação
entre o terrorismo e a luta de libertação
nacional.
Contra toda a forma de discriminação
racial ou nacional, contra todas as formas
de apartheid.
Contra o jugo da dívida externa.
Pela supressão do controlo dos
blocos político-militares agressivos.
A plataforma proposta de uma nova Internacional
anti-imperialista e anti-globalização
não exclui ninguém, nem
prejudica as formas concretas de construção
social que, no futuro, a humanidade escolha.
Mas a realização destes
lemas é imprescindível.
Inevitavelmente, serão factos reais,
graças aos esforços conjuntos
da humanidade progressista, se é
que esta não quer, apenas, sobreviver,
mas avançar pelo caminho do progresso,
da paz, da igualdade de direitos e da
justiça.
Há que olhar o futuro e não
ajustar contas com o passado.
Há que avançar com valentia
e decisão.
Notas
[1] O conceito de "1 bilhão
dourado", expressão muito
usada no mundo de língua russa,
mas pouco habitual no "Ocidente",
faz referência ao número
aproximado de habitantes do que chamaríamos
os "países capitalistas desenvolvidos"
(vulgarmente "Primeiro Mundo"),
isto é, EUA, Canadá, Japão,
países da União Europeia
e alguns outros (Austrália, Nova
Zelândia, Israel...).
[2] Goran Lindblad, parlamentar sueco
conservador, membro do PPE que redigiu
e defendeu a resolução anticomunista
na Assembleia Parlamentar do Conselho
da Europa.
[3] Karl Eugen Duhring, filósofo
alemão do século XIX.
[4] Os "Yeoman" eram uma classe
média de agricultores na Inglaterra
da Baixa Idade Média e primeiros
séculos da Idade Moderna. Eram
pequenos proprietários acomodados,
e eles próprios também trabalhavam
as suas terras (se bem que alguns pudessem
ter assalariados ao seu serviço).
[5] Workhouses em inglês. Eram uma
espécie mista de centros de internamento
e oficinas para os pobres, na Inglaterra
dos séculos XVII-XIX. Aí,
as condições de vida eram
terríveis, como Dickens reflectiu
nas suas novelas.
[6] Teoria burguesa que exorta à
renúncia dos sentimentos patrióticos,
da cultura e das tradições
nacionais em nome da "unidade do
género humano". O cosmopolitismo,
tal como o propugnam os ideólogos
burgueses contemporâneos, expressa
a tendência do imperialismo ao domínio
mundial. A propaganda cosmopolitismo (da
ideia de criar um governo para todo o
mundo) debilita a luta dos povos pela
sua independência nacional, pela
sua soberania como Estado. O cosmopolitismo
é incompatível com o internacionalismo
proletário que harmoniza a comunidade
de interesses fundamentais dos trabalhadores
de todo o mundo com o seu amor à
pátria, com o espírito do
patriotismo popular. In Dicionário
Soviético de Filosofia.
O original encontra-se no Pravda
. A versão em castelhano em http://www.rebelion.org/noticia.php?id=27082
.
Tradução de José
Paulo Gascão.
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