O secretário-geral do Conselho
Mundial de Igrejas (CMI), Samuel Kobia,
destacou as mudanças políticas
que têm lugar hoje na América
Latina, com a eleição de
novos governos na Bolívia e Chile.
Qualificou de avanços históricos
a eleição de Evo Morales
como primeiro presidente indígena
da Bolívia e de Michelle Bachelet
como a primeira mulher a aceder à
presidência do Chile.
Destacou o fato de que a Assembléia
Geral da CMI, que tem lugar nesta cidade
brasileira, se efetue perto no tempo destes
acontecimentos relevantes, o que, segundo
sua opinião, é um exemplo
das mudanças significativas acontecidas
na região nos últimos dois
anos.
Ao abordar o tema da justiça no
mundo, o líder religioso assinalou
que se abusou do dom da vida e que a cobiça
humana e a sede de poder criaram estruturas
que obrigam as pessoas a viver na pobreza.
Explicou que agora, quando há
mais alimentos para todos, mais de 852
milhões de pessoas no planeta passam
fome, e cada dia morrem de inanição
25 mil pessoas. Acrescentou que esse horror
não é alheio na América
Latina, onde a globalização
estreita as fronteiras mas acirra ao mesmo
tempo as diferenças de poder e
de riqueza.
Segundo Kobias, existem suspeitas de
que algo anda mal no mundo se em pleno
século 21 a fortuna das três
pessoas mais ricas da Terra é superior
ao total do produto interno bruto atual
dos 48 países menos desenvolvidos.
“Os argumentos políticos
e as racionalizações econômicas
não podem contestar a imoralidade
básica de um mundo com tais desigualdades”,
frisou.
A 9ª Assembléia Geral da
CMI, iniciada em 14 deste mês, reúne
4 mil pessoas de 348 igrejas protestantes,
ortodoxas e anglicanas, que representam
560 milhões de fregueses em mais
de 100 países.
No evento mais importante do organismo
religioso internacional participam como
observadores uma delegação
do Vaticano, bem como os Prêmios
Nobel da Paz, o arcebispo anglicano Desmond
Tutu, da África do Sul; Adolfo
Pérez Esquivel, da Argentina e
Rigoberta Menchú, da Guatemala.
Fonte: Adital
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