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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

24 DE FEVEREIRO DE 2006

MEDICINA

A reunião de parlamentares e diplomatas, na residência do presidente da Câmara

Cuba oferece cirurgia de visão
gratuita para brasileiros


O embaixador de Cuba em Brasília, Pedro Juan Nunes Mosquera, e a equipe de cirurgiões responsável pela Operação Milagro ofereceram ao governo do Brasil a possibilidade de operar gratuitamente pacientes brasileiros com problemas de visão. A oferta foi apresentada durante almoço das autoridades cubanas e integrantes da Frente Parlamentar Brasil-Cuba na residência oficial da Presidência da Câmara. O presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que aniversariou nesta quinta-feira (23), disse ver a proposta como um presente.

A deputada Socorro Gomes (PCdoB-PA), integrante da Frente Parlamentar e presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), contou que o grupo vai fazer contato com o governo e os ministérios para operacionalizar o convênio que efetive a oferta. A deputada disse que o serviço vai atender a grande demanda de brasileiros pobres que procuram Cuba para atendimento especializado em oftalmologia — a Ilha é referência mundial nessa especialidade.

O que a Ilha oferece

Cuba já mantém serviço semelhante em outros países da América Latina. Ele consiste em ofertar, além de cursos de especialização em oftalmologia a médicos brasileiros recém-graduados na Escola Latino-americana de Ciências Médicas, o aporte de especialistas cubanos e, caso necessário, também a doação de um centro oftalmológico, equipado com tecnologia de ponta, que permitiria ao Brasil realizar até 100 mil operações gratuitas anualmente.

No encontro, também foi discutida a resistência do Conselho Federal de Medicina do Brasil em aceitar que médicos cubanos exerçam a profissão no país. A Comissão de Educação da Câmara tem discutido com autoridades da área a possibilidade de validação automática dos diplomas de Medicina expedidos em Cuba.

Debate polêmico

A Comissão de Educação da Câmara tem realizado debates sobre o assunto. O Ministério da Educação (MEC) manifestou-se contrário à validação automática de diplomas expedidos no exterior, mas o ministro Fernando Haddad destacou que o Brasil vive um momento de integração com os países vizinhos, ressaltando que, com a educação, não é diferente.

O ministro lembrou que o Brasil tem recebido grande número de estudantes de países vizinhos, e muitos brasileiros estão procurando instituições de ensino no exterior. Haddad defende a idéia de que “o Brasil precisa de critérios justos e igualitários para reconhecer os diplomas tanto de quem se forma em Cuba quanto de quem conclui a graduação em qualquer outro país”.

A Associação dos Pais e Amigos dos Estudantes Brasileiros em Cuba estima em 600 o número de jovens do Brasil que estão se graduando na Ilha. A grande maioria deles estuda Medicina.

A Frente Parlamentar quer aprofundar a discussão, ouvindo as argumentações contra e a favor, para contribuir com a definição de regras para validação dos diplomas. Atualmente, as universidades públicas são as responsáveis por analisar os pedidos de validação de diplomas estrangeiros. Cada uma adota critérios próprios para analisar o currículo do profissional e aplicar provas de certificação.

Em defesa de Cuba

O representante da Associação dos Pais e Amigos dos Estudantes Brasileiros em Cuba, Hélio Capagnucio, lembra que as universidades públicas brasileiras não oferecem vagas e acesso a todos que querem estudar Medicina. Ele ressaltou que Cuba concede bolsas de estudo integrais, que cobrem, inclusive, despesas de alojamento e alimentação para estudantes carentes brasileiros.

Capagnucio ressalta ainda a “excelente qualidade” do curso de Cuba, acrescentando que “quem está lá merece ter o seu problema analisado com mais bom senso, sem corporativismo e sem interesses econômicos", disse.

Ele defende que o reconhecimento da formação recebida pelos médicos brasileiros nas universidades cubanas seja analisado levando em conta as semelhanças entre os cursos oferecidos aqui e lá. E destacou como semelhanças a duração de seis anos e o regime de período integral.

Contra a validação

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, Eduardo Guerra, que também participou dos debates, condena a validação automática. Ele propôs uma avaliação periódica para todos os médicos que trabalham no Brasil, sejam estrangeiros ou não. Em relação aos estrangeiros, além da validação do diploma, Eduardo Guerra sugeriu que eles façam o teste de proficiência em língua portuguesa.

Fernando Haddad anunciou que o assunto está sendo discutido no âmbito da Reforma Universitária. "Nesse processo da Reforma Universitária, toda e qualquer mudança a gente submete ao conselho de reitores para tentar caminhar juntos, para construir um marco regulatório no bojo da reforma que dê conta de todas as dificuldades e promova uma superação qualitativa do sistema", ressaltou.

Necessidade de ajuste

Já a chefe da Divisão de Temas Educacionais do Ministério das Relações Exteriores, Almerinda Augusta de Carvalho, diz que o assunto é objeto de discussão na comissão interministerial criada para estudar a situação dos brasileiros que estudaram Medicina naquele país e de médicos cubanos que trabalham no Brasil.

Ela informou que uma equipe brasileira visitou faculdades em Cuba e uma equipe daquele país veio ao Brasil e teve contatos com faculdades e com os ministérios da Saúde e da Educação.

Segundo Almerinda, os trabalhos da comissão foram concluídos em outubro do ano passado. Foi então enviada uma nota ao governo cubano informando sobre um ajuste complementar necessário para viabilizar um acordo de cooperação educacional e cultural que já existe entre os dois países. Ela lembrou que, quando Cuba promover esse ajuste complementar, ele ainda terá de ser aprovado pelo Congresso Nacional antes de entrar em vigor.

De Brasília
Márcia Xavier
Com Agência Câmara

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