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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

24 DE FEVEREIRO DE 2006

ALCKMISTAS EM AÇÃO 4

CPI do Trabalho no Campo denuncia as péssimas condições dos trabalhadores rurais no Estado de São Paulo

 

Quarto artigo da série de Rodrigo de Carvalho, que investiga como o governo Alckmin atua para abafar CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo

A proposta de Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI para investigar as atuais condições do trabalho rural no estado de São Paulo foi proposta pela deputada Ana Martins (PCdoB) em 02/12/2005. A CPI do Trabalho no Campo é uma resposta às denúncias contra as condições em que são submetidos os trabalhadores rurais. No ano de 2005, morreram cerca de 20 trabalhadores por exaustão nas lavouras paulistas.

Um trabalhador que morreu por exaustão começou a passar mal após cortar 410 metros de cana ou 25 toneladas. A remuneração deste trabalhador era de R$ 0,08 (oito centavos). Ele receberia no dia, exatos R$ 32,80 por uma jornada diária que certamente ultrapassara 12 horas. Considerando que este trabalhador preservava o domingo para o descanso, no final do mês sairia da lavoura com R$ 852,80, pouco mais de dois salários mínimos. Sua vida foi interrompida pela superexploração do trabalho.

A notícia da morte deste trabalhador em Rio das Pedras, município próximo de Piracicaba, foi publicada no dia 26 de outubro de 2005. Outra notícia publicada nesta semana, que demonstra o reverso da moeda, é o quinto aumento consecutivo do álcool, nas bombas dos postos de combustível. O produto está oferecendo recordes de lucratividade para os usineiros no estado. Este trabalhador e outros tantos explorados pelas péssimas condições de trabalho e rebaixadas remunerações são os que colhem o produto primário para o fornecimento do desenvolvimento nacional.

Outros casos como a carga de trabalho de 12 horas/média, chegando a alguns casos a 18 horas de trabalho, levam a uma situação de semi-escravidão. Uma das faces mais cruéis da situação do trabalho no campo é a exploração infantil. Em São Paulo, estima-se que há mais de 60 mil crianças nesta condição.

A investigação abrange a situação de contratação precária, através de intermediários denominados como “gatos” que literalmente revendem a mão de obra desses trabalhadores rurais, além da condição de insalubridade no trabalho, a ausência de condições mínimas e justas de trabalho.

A instalação da CPI do Trabalho no Campo extrapola as condições de luta política entre governo e oposição, entre a permissão ou não da investigação da máquina pública e do governo. Trata-se, neste caso, de um assunto mais amplo que exige responsabilidade pública para combater as situações subumanas que vivem milhares de trabalhadores. A obstrução da existência desta CPI é uma demonstração de grande dificuldade que passa o legislativo paulista em responder às demandas sociais mais básicas.
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