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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

21 de fevereiro de 2006

festa popular
Olinda: a história do melhor carnaval de rua do mundo
 

O Carnaval de Olinda é considerado o melhor Carnaval de rua do mundo. Todo ano, atrai mais de um milhão de foliões, para as ruas e ladeiras do Sítio Histórico. Uma festa que, por sua magnitude em termos culturais e pela importância mundial do cenário onde se desenvolve, exige do governo municipal a tomada de iniciativas que possibilite a convivência entre a preservação do patrimônio histórico e o exercício da mais pura manifestação popular do Brasil, com resultados positivos para ambos.

Ao mesmo tempo em que preserva o patrimônio histórico, o governo de Olinda também se preocupa em resgatar a cultura da cidade, que tem o Carnaval como uma de suas mais importantes manifestações.

Ao assumir em 2001 a administração da cidade, o Governo Popular buscou preservar a riqueza cultural da festa ao proibir a execução de som eletrônico nas ruas e ladeiras do Sítio Histórico, não como um exercício de preconceito contra esse ou aquele ritmo, mas como a melhor forma de preservar a autenticidade da folia olindense, que há três décadas se caracteriza pelo chamado “Carnaval Participação”.

História

Em seus primórdios, a história do Carnaval de Olinda confunde-se com a história da folia no Recife e em Pernambuco, originária do antigo entrudo - festa pagã européia, que chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses. Era uma brincadeira onde os foliões lançavam farinha, tinturas e água suja. Foi proibida oficialmente e aos poucos incorporou elementos como o confete e a serpentina.

Em Pernambuco, o entrudo português mudou no século XVII, quando assimilou costumes africanos. No século XIX, surgiram o frevo e o passo, o que deu ao Carnaval de Pernambuco uma singularidade única no Brasil. A partir de então, começaram a ser organizadas as primeiras agremiações nos bairros populares.

O Carnaval de Olinda como o conhecemos hoje também é um evento relativamente recente. Data do início do século XX, coincidindo com o surgimento de diversas agremiações, algumas das quais ainda presentes nos carnavais da atualidade, como o Clube Carnavalesco Misto Lenhadores, fundado em 1907, e o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, de 1912.

O Carnaval de Olinda preserva as mais puras tradições da folia pernambucana e nordestina. Todo ano, pelas ruas e ladeiras da Cidade Alta desfilam centenas de agremiações carnavalescas e tipos populares, que mantêm vivas as genuínas raízes da mais popular festa do Brasil. São clubes de frevo, troças, blocos, maracatus, caboclinhos, afoxés, cujas manifestações traduzem a mistura dos costumes e tradições de brancos, negros e índios, base da formação do nosso povo e de nossa cultura.

Sem falar nos bonecos gigantes, dos quais, todo ano, são criados novos tipos e hoje já somam mais de cem calungas desfilando nas ruas e ladeiras da cidade. Na Terça-Feira Gorda, eles se reúnem e mostram toda sua graça entre os largos do Guadalupe e do Varadouro, em um encontro que por si só já é uma tradição da folia em Olinda. Esses bonecos são uma herança européia e têm sua origem nas procissões do século XV. Lá, os bonecos acompanhavam os cortejos religiosos, aqui, enfeitam a festa pagã. O primeiro boneco a sair às ruas de Olinda foi o Homem da Meia-Noite, que anima a folia desde 1932.

Os tipos populares são também outra tradição. A cada ano, eles enchem as ladeiras da Cidade Alta encarnando personagens inspirados tanto nos noticiários do dia a dia, como nos mais tradicionais costumes, todos retratando em suas fantasias a irreverência e a crítica social tradicionalmente presentes na folia da cidade.

Hoje o Carnaval de Olinda é, sem nenhum favor, a maior e mais autêntica festa popular do Brasil, atraindo todo ano milhares de foliões de vários recantos do país e do Exterior. A interação com a rica diversidade cultural do Nordeste, representada por troças, clubes, caboclinhos, maracatus e bonecos gigantes, aliada ao calor do frevo e à descontração e alegria do povo da cidade, tornam a folia olindense irresistível para um contingente cada vez maior de foliões.

Tema deste ano

Este ano, o Carnaval de Olinda celebra a conquista do título de primeira Capital Brasileira da Cultura. A idéia é trazer para a festa mais popular do Brasil a multiculturalidade do povo brasileiro, que a cidade representa, este ano, com muito orgulho, homenageando, dessa forma, saberes e fazeres cultivados ao longo de milhões de anos de história e enriquecidos por mais de cinco séculos de miscigenação com as diversas etnias européias e africanas.

Uma mistura que resulta no grande momento cultural que é o Carnaval de Olinda, a festa maior da nação chamada Brasil. A conquista do título é um motivo a mais para fazer desse evento um momento inesquecível para as centenas de pessoas que ocupam as ruas e ladeiras do Sítio Histórico nos quatro dias da folia olindense.

Em 2006, o Carnaval de Olinda conta com mais uma atração. Para comemorar o título de Capital Brasileira da Cultura e antecipar as celebrações do centenário do frevo, a Prefeitura de Olinda, por intermédio da Secretaria do Patrimônio, Ciência, Cultura e Turismo, instituiu o concurso para escolha do frevo tema da folia deste ano, uma iniciativa inédita no município.

Frevo

O frevo tema do Carnaval 2006 foi composto por J. Michiles e tem como intérprete o cantor Silvério Pessoa, que gravou a música “Olinda Capital da Cultura” nas versões frevo-canção, oficial e frevo-de-rua. A banda do Centro de Criatividade Musical de Olinda (CEMO) participou da gravação.

As dez músicas mais votadas pela comissão julgadora integrarão um projeto cultural elaborado pela Prefeitura de Olinda, que incluirá a gravação de um CD com as músicas. Os compositores que terão suas músicas no disco são Rogério Rangel, Getúlio Cavalcanti, Rômulo Pimentel, Lourenço Gato e Luciano Padilha, Toinho Alves, Eduardo Alves, Severino Araújo, Wilton Rosemberg, Climério Hänig e Cláudio Martins.

Além de eleger o frevo oficial do Carnaval 2006, a prefeitura buscou também, com o concurso, estimular o reencontro do frevo com seus antigos compositores, revelar novos talentos e fomentar a criação de novas músicas, dando inclusive o passo inicial para o registro do frevo como Patrimônio Imaterial de Olinda.

Quem não conhece os imortais sucessos de frevo que fazem o Carnaval do Recife e Olinda: "Bom Demais", "Me Segura Senão eu Caio", "Diabo Louro", "Fazendo Fumaça", "Roda e Avisa"...? José Michiles da Silva é o responsável pelas letras e melodias dessas famosas canções. Michiles também já criou consagradas letras de maracatu, coco, forró e famosos jingles para campanhas publicitárias e políticas.

Este ano, venceu o concurso instituído pela Prefeitura de Olinda para a escolha do frevo tema do Carnaval da primeira Capital Brasileira da Cultura, com a música “Olinda Capital da Cultura”.

As informações são da Prefeitura.

 

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