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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

21 DE FEVEREIRO DE 2006

ALCKMISTAS EM AÇÃO 2

Três pedidos de CPIs só sobre
privatização tucana do setor elétrico


Segundo artigo da série de Rodrigo de Carvalho, que investiga como o governo Alckmin atua para abafar CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo

O governo Geraldo Alckmin é alvo de pedido de investigação na Assembléia Legislativa sobre o processo de privatização no setor elétrico. O caso envolve a venda da estatal Eletropaulo, comprada pela multinacional norte-americana AES.

São três pedidos. Um foi feito por Sebastião Arcanjo (PT), publicado em 09/06/05, trata do processo de privatização da Eletropaulo. Dois outros são de Cândido Vacarezza (PT): o primeiro, publicado em 22/02/03, trata da má administração dos serviços públicos pela AES; o segundo publicado em 02/04/03, aborda possíveis irregularidades nos empréstimos conferidos à Eletropaulo, na execução do contrato de concessão e uma denúncia de administração temerária.

História de um péssimo negócio

O processo de privatização da Eletropaulo foi realizado pelo governo federal em abril de 1998, em meio a uma série de denúncias. Apontava-se a subvalorização do patrimônio da empresa. E também o direcionamento do resultado, favorecendo um grupo de investidores. Questionava-se igualmente o modelo de privatização, em que recursos públicos foram usados na compra da estatal pelos capitais privados e, mais importante, o desmantelamento de um setor estratégico para a soberania e o desenvolvimento nacional.

O grupo vencedor, a AES, entrou em concordata nos EUA logo em seguida. Com isso, não cumpriu com suas obrigações de investimentos no setor. Nem sequer pagou as parcelas do empréstimo concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De onde vieram os apagões

Após a privatização, ocorreu o sucateamento do sistema elétrico em São Paulo, com falta de investimento na rede, fechamento de agências, redução do quadro de trabalhadores da empresa e o acúmulo de uma dívida superior a U$ 5,5 bilhões, dos quais U$ 1,2 bilhão com as parcelas de empréstimos do BNDES. Em contrapartida, a Eletropaulo/AES repassou para a matriz norte-americana U$ 318 milhões em dividendos. Neste caso, a empresa acumula déficit nacional e superávit de envio em divisas para os EUA. Ao assumir o BNDES, em 2003, o então presidente Carlos Lessa, afirmou que não havia como cobrar as dívidas da empresa, porque o governo anterior autorizou um empréstimo sem lastros reais de patrimônio do consórcio para aplicar o contrato.

A conseqüência da privatização do setor elétrico foram os apagões ocorridos em 2001/2002 e o racionamento de energia, provocando um desaquecimento da economia e enormes prejuízos sociais. Além disso, foram reajustados os valores de cobrança ao consumidor, dividindo os “prejuízos” da empresa, acumulando em dez anos reajustes na ordem de 254%.

O estado de São Paulo perdeu com a privatização da Eletropaulo. No aspecto econômico, o processo fragilizou um setor estratégico para o desenvolvimento do estado mais industrializado da nação; e deixou de haver compromisso com o investimento e a capacitação do setor para suprir novas demandas. No aspecto social, a privatização causou desemprego no setor, assim como aumentos exorbitantes nas tarifas de energia. Pontos de energia foram desligados sem a considerar os impactos sociais que isso acarretaria em setores da saúde e da educação. O patrimônio público foi desfeito sem nenhuma contrapartida considerável que justificasse a transferência para o setor privado. E maiores prejuízos ainda podem estar por vir, caso tenha que haver a absorção das demandas não cumpridas pela ineficiência da empresa geradora.

Porém a experiência da privatização da Eletropaulo não foi suficiente para o governo Alckmin. Dentro da ideologia neoliberal, o inquilino do Palácio dos Bandeirantes garante que a gestão privada é a melhor saída para o desenvolvimento da sociedade. Prepara para os próximos meses, a privatização da Companhia Estadual de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Ceteep) , com a venda de parte importante e lucrativa do sistema de energia.

Clique aqui para ver o artigo que deu início a esta série

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