Por 10 votos a 3, o Conselho de Ética
da Câmara aprovou nesta quinta-feira
(16) parecer do deputado Jairo Carneiro
(PFL-BA) que pede a cassação
do mandato do deputado João Magno
(PT-MG). O processo segue agora para
plenário.
João
Magno confirmou no conselho o recebimento
de R$ 426 mil do empresário Marcos
Valério, acusado de operar o
chamado "Mensalão",
um suposto esquema de pagamento de mesada
a parlamentares. O deputado argumentou,
entretanto, que agiu de boa-fé,
tendo recebido os recursos por orientação
do ex-secretário de finanças
do PT Delúbio Soares. Magno disse
que os recursos foram usados para pagamento
de dívidas das campanhas eleitorais
de 2002 e 2004, e não em proveito
pessoal. O relatório de Jairo
Carneiro destacou, no entanto, que a
prestação de contas de
João Magno foi feita apenas em
17 de outubro de 2005.
Quem
votou como
Votaram
a favor do parecer do relator e pela
cassação os deputados
Ann Pontes (PMDB-PA); Nelson Trad (PMDB-MS);
Josias Quintal (PSB-RJ); Jairo Carneiro
(PFL-BA); Moroni Torgan (PFL-CE); Carlos
Sampaio (PSDB-SP); Antônio Carlos
Mendes Thame (PSDB-SP); Orlando Fantazzini
(PT-SP); Chico Alencar (Psol-RJ) e Colbert
Martins (PPS-BA). Votaram contra a cassação
Ângela Guadagnin (PT-SP), Sandes
Júnior (PP-GO) e José
Carlos Araújo (PL-BA).
Ângela
apresentou voto em separado pedindo
a suspensão temporária
do mandato do deputado, como pena alternativa.
Segundo a deputada, "diante das
circunstâncias do caso e da transparência
com que atuou Magno, seria recomendável
a aprovação parcial do
relatório de Carneiro, substituindo
a perda do mandato pela suspensão
por período a ser arbitrado pelo
Conselho".
Já
Chico Alencar, embora votando com o
relator, elogiou João Magno.
"Se houver coerência, João
Magno será absolvido, porque
se o plenário absolveu Romeu
Queiroz (PTB-MG) mais motivos tem para
inocentar João Magno", afirmou.
"Caneta
de chumbo"
João Magno disse que não
pretende recorrer do resultado na Comissão
de Constituição e Justiça
da Câmara. Para ele, o relator
usou "caneta de chumbo". "Usaram
só o peso da lei contra mim,
e o mesmo não valeu para casos
parecidos", afirmou João
Magno, ao comparar seu caso com o do
deputado Roberto Brant (PFL-MG), que
teve o pedido de cassação
aprovado no Conselho de Ética
por oito votos a sete.
Em
depoimento no Conselho de Ética,
Brant disse que um de seus coordenadores
de campanha, Nestor Francisco de Oliveira,
sacou R$ 102,8 mil de uma conta da SMP&B,
empresa de Marcos Valério. Segundo
o deputado pefelista, os recursos foram
doados pela Usiminas e usados um mês
depois, no pagamento de um programa
pré-eleitoral veiculado nas emissoras
regionais de televisão, em maio
de 2004, no horário reservado
ao PFL.
Jairo
Carneiro disse que "cada processo
é um processo" e argumentou
que votou contra o parecer que pedia
a cassação de Brant, porque
os recursos foram utilizados pelo partido,
e não pelo parlamentar. No caso
de Magno, o dinheiro foi para campanha
própria, ressaltou. "Considero
que não fui incoerente",
disse ele.
Antes
da votação, João
Magno recebeu diversas manifestações
de apoio a sua trajetória política.
Para o deputado Orlando Fantazini (Psol-SP)
o parlamentar mineiro foi vítima
do partido. O próprio relator
disse que a condenação
não o alegraria e que a absolvição
não o entristeceria.
Com
agências