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Brasil, domingo, 5 de julho de 2009

16 de fevereiro de 2006

movimento estudantil

Estudantes de Juiz de Fora protestam contra reajuste de tarifas de ônibus

 
 
 
Pneus queimados nas ruas marcam veemência do protesto estudantil

O movimento estudantil promoveu na última segunda-feira (13/2) o sexto dia de protestos contra o reajuste da passagem de ônibus em Juiz de Fora (MG). O grupo parou o trânsito por mais de três horas. Alguns manifestantes picharam ônibus, queimaram um boneco caricato do prefeito Alberto Bejani (PTB) e pneus no cruzamento das avenidas Rio Branco e Independência. A Câmara Municipal foi invadida. No prédio do Legislativo, alguns manifestantes soltaram rojões e picharam paredes. Na confusão, alguns estudantes chegaram a ser agredidos. A manifestação acabou com registro de, pelo menos, cinco ocorrências policiais.

O protesto começou por volta das 13h30 em frente à Câmara. Cerca de 200 estudantes, conforme estimativas da Polícia Militar (PM) e do Diretório Central dos Estudantes (DCE), se dirigiram até a Avenida Independência, pela pista central da Rio Branco, interrompendo o tráfego de ônibus. O grupo era composto, em sua maioria, de secundaristas, que estavam com faixas, apitos e, alguns, com sprays. No caminho, houve adesão de mais pessoas, e as estimativas da PM e da organização eram de que o número de participantes tenha subido para 300.

De mãos dadas, os estudantes bloquearam o cruzamento da Rio Branco com Independência por uma hora e meia. Eles promoveram apitaço e gritaram palavras de ordem. Os manifestantes atearam fogo em um boneco caricato do prefeito e em seis pneus no meio da pista como forma de protesto. Dos prédios, alguns moradores jogaram papel picado em apoio ao movimento. Policiais acompanhavam, de perto, as movimentações e chegaram a abordar alguns estudantes que estavam carregando garrafas de álcool. "O objetivo é acompanhar e garantir a vida e o patrimônio", disse o tenente-coronel da PM, Anselmo Fernandes da Silva.

Engarrafamento

Com o cruzamento bloqueado, um longo engarrafamento se formou nas avenidas e adjacências. De lá, os estudantes voltaram à porta da Câmara, por volta das 15h30. No retorno, alguns integrantes se exaltaram e começaram a pichar os ônibus que estavam parados. Um cinegrafista da "TV Panorama" chegou a ser agredido enquanto fazia imagens do ato. Na porta da Câmara, a direção do movimento não conseguiu controlar os manifestantes que invadiram o prédio. Aos gritos e munidos de bombinhas, do tipo "cabeça de nego", alguns estudantes mais exaltados e sem respeitar a orientação da direção do movimento estudantil, picharam as paredes e agrediram verbalmente os vereadores. O plenário foi tomado pelos manifestantes, que subiram em cadeiras. "A Casa não pode ser depredada dessa forma. A Câmara não tem poder para resolver essa situação", disse José Sóter Figueirôa (PMDB).

Em nota oficial, o presidente da Casa, Vicente de Paula Oliveira (Vicentão - PTB), repudiou a forma como o movimento foi conduzido e disse ser um total desrespeito aos representantes eleitos pelo povo. A organização do movimento também condenou os atos de vandalismo. Após constatarem as paredes rabiscadas, organizadores tentaram limpá-las. Para o coordenador geral do DCE, Maycon Chagas, as agressões e pichações foram atos isolados e não fazem parte do protesto dos estudantes. "Estamos fazendo um ato limpo, em busca de uma causa."

Uma comissão formada por representantes do movimento foi recebida por Vicentão, no final da tarde, após negociações. A reunião foi a portas fechadas e durou cerca de meia hora. Segundo o vereador Francisco Canalli (PMN), que também estava presente no encontro, essa mesma comissão irá se reunir com todos os vereadores amanhã, às 11h. "Vamos ouvi-los e buscar um consenso entre os vereadores para tentar uma solução para o impasse."

MP pede suspensão do reajuste por sete dias

O promotor do Patrimônio Público, Paulo Ramalho, foi chamado pela PM para ajudar nas negociações com os estudantes, na tentativa de conter o tumulto. Ele informou que requisitou à Prefeitura a suspensão do aumento da passagem por sete dias. Segundo ele, neste período, a planilha de custos seria analisada pela promotoria. "Vamos aguardar um parecer da Prefeitura. Caso a resposta seja negativa, pretendemos entrar com uma ação cautelar, impedindo o aumento."

Após a reunião, por volta das 18h30, os estudantes começaram a deixar o prédio da Câmara, mas uma confusão na saída do plenário acabou em pancadaria. De acordo com os líderes do movimento, três homens teriam se infiltrado no protesto e agredido dois estudantes, um deles, um jovem de 17 anos. Um manifestante teve sangramento na boca devido as pancadas e o outro, inchaço na região dos olhos. Eles registraram ocorrência.

Repúdio

De acordo com informações da Agência de Gestão de Transporte e Trânsito (Gettran), o tráfego nas ruas centrais ficou interrompido por mais de três horas. Cerca 18 agentes de trânsito e 26 policiais do Grupamento de Policiamento de Trânsito (GPTran) foram deslocados para fazer o desvio do tráfego. O congestionamento se estendeu por toda a Avenida Rio Branco, incluindo as vias de acesso. Segundo a assessoria da Astransp, dois veículos foram pichados durante o ato: um ônibus da Viação Ansal, com spray de tinta, e outro da Tusmil, com pasta de dente.

Em nota oficial, a Prefeitura repudiou os atos praticados por manifestantes por não condizerem com "a prática democrática e ordeira que caracteriza a comunidade de Juiz de Fora ao longo de sua história". Ainda de acordo com a nota, as agressões não podem ser apontadas como parte de um ato lícito e participativo, como sempre foi a marca do movimento estudantil brasileiro. "O que se viu durante os protestos foram atos de vandalismo e depredação do patrimônio", diz o documento.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora também divulgou nota de repúdio. Na texto, a entidade avaliou que, ao agredirem os profissionais, no exercício de suas funções, os manifestantes "tentaram calar aqueles que sempre são as vozes, olhos e ouvidos de nossa sociedade."

De acordo com o coordenador de comunicação do DCE, Giliard Gomes Tenório, mesmo com ações de segunda-feira, o movimento continua para mobilizar a população. "Desde sábado, estamos correndo um abaixo-assinado. Nossa intenção é levar ao prefeito e mostrar que nossa causa é de muitos."

Fonte: Tribuna de Minas

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