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Sala
lotada durante exposição de Renato
Rabelo no último encontro da Escola
Nacional do PCdoB |
A Escola Nacional de Formação concluiu
no dia 10 mais uma etapa na preparação dos
seus professores. Durante cinco dias, 110
militantes e dirigentes estaduais
participaram dos debates a cerca do tema
As singularidades do capitalismo
contemporâneo e a luta pela superação do
neoliberalismo no Brasil, em São Paulo.
“Este encontro representou um passo
efetivo para a edificação da escola. Em
primeiro lugar, o curso adensou as bases
teóricas e políticas das resoluções do 11º
Congresso, o que contribui tanto para a
assimilação de suas conclusões quanto para
sua difusão. Verificou-se que o projeto da
escola avança com a estruturação de
sessões estaduais e regionais e a
realização de cursos para um número cada
vez maior de militantes . Ao mesmo tempo,
caminhamos para a elaboração do currículo
unificado”, analisa Adalberto Monteiro,
secretário de Formação do PCdoB.
Esta foi a quarta edição do evento que, em
2002 deu início à nova fase da Escola do
PCdoB, iniciada nos anos 80 e coordenada
na época por Dynéas Aguiar, hoje
vice-prefeito de Campos do Jordão, cidade
que sediou o histórico curso de 1984. Nos
anos 90, após aulas esporádicas e
experiências que assinalavam a necessidade
de se retomar o projeto, os primeiros anos
do século 21 marcaram a retomada concreta
dos cursos de formação. “Em 2002,
organizamos as atividades para o ano
seguinte e em julho de 2003 conseguimos
reunir quadros que nos seus estados já
trabalhavam com a formação ou tinham
perspectivas de trabalhar e que se
destacariam como professores”, lembra
Nereide Saviani, coordenadora pedagógica
da Escola Nacional.
Em seguida, foram definidos os núcleos de
ensino e pesquisa que tinham como função
formar professores em temas específicos da
teoria marxista. “Foi então que
estabelecemos que anualmente seriam feitos
cursos para formação de professores em
fevereiro, e em julho, haveria uma reunião
nacional”, diz Nereide. “Hoje”, lembra a
coordenadora, “é preciso que os estados
dêem continuidade à apresentação do Curso
Básico em Vídeo e realizem turmas-piloto
para testar o roteiro do curso”.
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Nereide
Saviani: "o atual processo está se
mostrando bastante rico" |
Ao longo desses quatro anos, Nereide
avalia que “o atual processo está se
mostrando bastante rico, principalmente
pelo envolvimento dos estados no esforço
de constituir as sessões estaduais.
Consideramos positivo também o fato de as
oscilações de julho de 2003 até agora – no
que diz respeito ao número de pessoas que
começaram e pararam ou que começaram no
segundo curso – estão dentro de um quadro
normal de evasão. Temos cerca de 50
pessoas que podem ser consideradas do
corpo docente da Escola. Além disso, temos
48 novos quadros e nosso empenho é que
eles retomem de algum jeito os cursos
anteriores e prossigam neste caminho de
assumir a formação. É possível dizer que
dá sim para pensar numa escola
estruturada. Aquilo que era um propósito,
hoje toma forma concreta. É uma conquista
do PCdoB ter esse time de professores
apesar de todas as limitações materiais e
geográficas”.
Experiências de sucesso
Dentre as atividades desenvolvidas no
âmbito estadual pela Escola Nacional de
Formação, duas experiências recentes
merecem destaque. Em Fortaleza, foram
feitas duas experiências ao longo de cinco
meses em 2005 com o curso de nível um, uma
com trabalhadores e outra com membros dos
distritais da capital cearense e da UJS.
“Além de aulas, os militantes participaram
de um debate sobre a história do PCdoB, do
encontro sobre Questões de Partido no
Ceará e do lançamentos das teses para o
11º Congresso e assistiram ao filme
Araguaia - Conspiração do Silêncio”, conta
Joan Edesson, da comissão estadual de
Formação do PCdoB/CE.
Ao todo, o curso teve a presença de 68
pessoas, número que baixou para 40 na fase
final do curso. “Mesmo levando em conta a
diminuição entre o número de participantes
que iniciaram e os que terminaram o curso,
considero a experiência bastante exitosa
porque foi a primeira que realizamos no
estado. Mesmo com debilidades, conseguimos
atingir dois públicos fundamentais para o
partido: os trabalhadores e a juventude”,
diz Edesson. Em 2006, o objetivo é dar
continuidade ao processo de formação dos
militantes e implantar o curso de nível
dois. Para o sucesso da escola nos
estados, Edesson salienta que é necessário
o envolvimento das direções: “foi
essencial para a realização do curso a
compreensão da direção estadual do partido
sobre a importância da formação. Hoje, 10
integrantes do secretariado estadual, seis
são professores. Isso mostra o
comprometimento dos dirigentes e fez uma
grande diferença”.
Em Olinda, desde a criação da Escola
Nacional, o trabalho de educação dos
militantes vem sendo desenvolvido. “Temos
aplicado o CBV nas bases e com isso já
atingimos cerca de 300 pessoas. Estamos
conseguindo ótimos resultados”, diz
Alexandre Alves, secretário de Formação do
PCdoB de Olinda. Como forma de driblar os
danos causados por aquilo que Alves
classifica como “educação repressora”, os
professores locais optaram por inovar na
dinâmica das aulas. “Passamos a formular
perguntas fora da cartilha para que fossem
respondidas individualmente. Depois, em
grupo, discutia-se a sistematização dessas
questões. E, após o vídeo, entrávamos no
debate e os participantes podiam
confrontar suas respostas com aquilo que
viram no curso. Esse processo enriqueceu
muito o debate. Tivemos intervenções de
alta qualidade”, lembra. Segundo Alves,
ações como essa têm contribuído para a
ampliação do número de militantes mais
qualificados . “O papel da Escola é esse:
formar quadros e elevar a consciência dos
militantes. Cumprir esse papel é buscar a
transformação social. É preciso que os
comitês estaduais tenham esse entendimento
e invistam na formação como fator de
mobilização e fortalecimento do PCdoB na
busca pelo socialismo”.
De São Paulo,
Priscila Lobregatte
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