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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

16 de fevereiro DE 2006

OPINIÃO 
Política de quadros do PCdoB para a juventude


Um grande líder pensa sempre, e ao mesmo tempo, no presente e no futuro quando quer que suas idéias e experiências não morram com ele

O 11º Congresso do Partido Comunista do Brasil fez importantes reflexões acerca do desenvolvimento de sua política de quadros. Reflexões estas muito bem expressas no Projeto de Resolução Política e também no novo e vigoroso Estatuto, aprovado pelo Congresso.

A intenção é buscar aprofundar aqui um aspecto que considero bastante importante entre tantos outros que dizem respeito a este tema. Trata-se dos novos desafios e problemas que agora enfrenta o PCdoB com seu amplo crescimento, em especial a dificuldade de fazer andar em passos menos distantes o número de filiados versus o número de militantes e a adequada promoção de quadros, em especial jovens, às tarefas prioritárias do partido.

Sobre a primeira questão é preciso dizer que o partido precisa assimilar mais e melhor os artigos 56 e 57 do Capítulo X do Estatuto que, entre outros, determina que todo jovem filiado ao PCdoB deve cumprir tarefa executiva na União da Juventude Socialista (UJS) até os 25 anos, se militante e até 30 anos, se dirigente, salvo exceções que devem ser discutidas com os comitês estaduais e comitê central. Cabe à UJS, orientada política e ideologicamente pelo partido – mas com autonomia organizativa – o desafio de saber seduzir o novo filiado jovem ao patamar de um militante comunista.

O 13º Congresso da UJS que vai se realizar de 15 a 18 de junho do corrente ano, deve refletir com respostas mais claras esta responsabilidade desafiadora que é fazer da UJS um espaço para as mais diversas formas de expressão política da juventude e também uma verdadeira escola do socialismo. O partido é cúmplice da UJS na superação destes e outros tantos desafios que estão postos à maior juventude organizada do país.

A segunda e última questão, parte de uma reflexão sobre como tem sido a política de promoção de quadros para os dirigentes e militantes da UJS, que cumprindo sua trajetória nesta entidade, saem dela para fazer parte das fileiras de quadros do partido.

Tenho a impressão de que hoje o partido oferece, por via de regra, quatro possibilidades de tarefas aos jovens comunistas “formados” na escola da UJS. São elas: a) atuar nos gabinetes de nossos parlamentares, b) atuar como parlamentar do partido, c) atuar como governo nos espaços institucionais conquistados pelo partido em prefeituras, governos de estado e Federal – em especial na área de políticas públicas para a juventude, e d) fortalecer o corpo de dirigentes e/ou profissionais do partido (especialmente para as tarefas das secretarias de juventude, movimentos sociais, finanças e comunicação).

É natural que o grande prestígio e visibilidade que o partido vem alcançando, através de sua atuação no Governo Federal e no Congresso Nacional, se traduzam na abertura e articulação de mais e novos espaços nas esferas institucionais da luta política. Assim como também é natural que com o crescimento numérico do partido também se reforce a preocupação de fortalecer o corpo dirigente partidário com o intuito de espelhar este crescimento numérico num crescimento orgânico e menos flutuante.

O que não me parece natural é a contradição expressa na definição de que o partido tem como objetivo estratégico a prioridade de crescer entre os trabalhadores e a classe operária sem levar em conta uma política de quadros, em particular para a juventude, que possibilite o encaminhamento desta diretiva.

É verdade que ainda há muitos obstáculos à participação da juventude no movimento sindical. São raros os sindicatos em nosso país que tratam os jovens trabalhadores com as suas devidas particularidades, inclusive muitos sindicatos dirigidos pela Corrente Sindical Classista (CSC).

Ainda que tenhamos galgado grandes vitórias à frente do Coletivo Nacional de Juventude da CUT, é presente a pouca receptividade à incorporação no trabalho de direção do movimento sindical as novas lideranças que se aproximam. Não raro o ambiente é de bastante resistência quando não de repulsa.

A sensação que tenho é de que o partido, em seu conjunto, ainda tem realizado um esforço muito tímido para superar estes entraves quando surgem em sindicatos por nós dirigidos. Talvez uma maior sistematização do trabalho que já está sendo desenvolvido pelos comunistas (sejam eles jovens trabalhadores da UJS ou quadros da CSC) possa nos dar mais elementos para uma discussão menos subjetiva sobre este tema. A não realização, até o presente momento, do III Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores da UJS/CSC é um prejuízo neste sentido.

Todavia, penso que um bom começo para superar os entraves acima apresentados passa por desenvolver de forma mais equilibrada a política de quadros do partido para a juventude. Nossos objetivos táticos e mais pragmáticos (a ocupação qualificada dos espaços públicos institucionais e o fortalecimento da estrutura partidária) não pode se sobrepor ao nosso objetivo estratégico, que é crescer entre a massa de trabalhadores brasileiros. Pelo contrário, os objetivos táticos devem estar casados com os nossos objetivos estratégicos.

É amplamente reconhecido em nosso partido que é a UJS, ainda hoje, o nosso maior celeiro de quadros. É da UJS, em grande medida, que surgem os dirigentes partidários de amanhã. Se não pensarmos em como distribuiremos esse imenso contingente de quadros agora olhando para o amanhã, podemos acordar num futuro em que os desafios do presente serão os mesmos do passado.

Por Carla Tais Santos,
membro da direção nacional da União da Juventude Socialista

 


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