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Um grande líder pensa sempre, e ao
mesmo tempo, no presente e no futuro
quando quer que suas idéias e experiências
não morram com ele
O 11º Congresso do Partido Comunista do
Brasil fez importantes reflexões acerca do
desenvolvimento de sua política de
quadros. Reflexões estas muito bem
expressas no Projeto de Resolução Política
e também no novo e vigoroso Estatuto,
aprovado pelo Congresso.
A intenção é buscar aprofundar aqui um
aspecto que considero bastante importante
entre tantos outros que dizem respeito a
este tema. Trata-se dos novos desafios e
problemas que agora enfrenta o PCdoB com
seu amplo crescimento, em especial a
dificuldade de fazer andar em passos menos
distantes o número de filiados versus o
número de militantes e a adequada promoção
de quadros, em especial jovens, às tarefas
prioritárias do partido.
Sobre a primeira questão é preciso dizer
que o partido precisa assimilar mais e
melhor os artigos 56 e 57 do Capítulo X do
Estatuto que, entre outros, determina que
todo jovem filiado ao PCdoB deve cumprir
tarefa executiva na União da Juventude
Socialista (UJS) até os 25 anos, se
militante e até 30 anos, se dirigente,
salvo exceções que devem ser discutidas
com os comitês estaduais e comitê central.
Cabe à UJS, orientada política e
ideologicamente pelo partido – mas com
autonomia organizativa – o desafio de
saber seduzir o novo filiado jovem ao
patamar de um militante comunista.
O 13º Congresso da UJS que vai se realizar
de 15 a 18 de junho do corrente ano, deve
refletir com respostas mais claras esta
responsabilidade desafiadora que é fazer
da UJS um espaço para as mais diversas
formas de expressão política da juventude
e também uma verdadeira escola do
socialismo. O partido é cúmplice da UJS na
superação destes e outros tantos desafios
que estão postos à maior juventude
organizada do país.
A segunda e última questão, parte de uma
reflexão sobre como tem sido a política de
promoção de quadros para os dirigentes e
militantes da UJS, que cumprindo sua
trajetória nesta entidade, saem dela para
fazer parte das fileiras de quadros do
partido.
Tenho a impressão de que hoje o partido
oferece, por via de regra, quatro
possibilidades de tarefas aos jovens
comunistas “formados” na escola da UJS.
São elas: a) atuar nos gabinetes de nossos
parlamentares, b) atuar como parlamentar
do partido, c) atuar como governo nos
espaços institucionais conquistados pelo
partido em prefeituras, governos de estado
e Federal – em especial na área de
políticas públicas para a juventude, e d)
fortalecer o corpo de dirigentes e/ou
profissionais do partido (especialmente
para as tarefas das secretarias de
juventude, movimentos sociais, finanças e
comunicação).
É natural que o grande prestígio e
visibilidade que o partido vem alcançando,
através de sua atuação no Governo Federal
e no Congresso Nacional, se traduzam na
abertura e articulação de mais e novos
espaços nas esferas institucionais da luta
política. Assim como também é natural que
com o crescimento numérico do partido
também se reforce a preocupação de
fortalecer o corpo dirigente partidário
com o intuito de espelhar este crescimento
numérico num crescimento orgânico e menos
flutuante.
O que não me parece natural é a
contradição expressa na definição de que o
partido tem como objetivo estratégico a
prioridade de crescer entre os
trabalhadores e a classe operária sem
levar em conta uma política de quadros, em
particular para a juventude, que
possibilite o encaminhamento desta
diretiva.
É verdade que ainda há muitos obstáculos à
participação da juventude no movimento
sindical. São raros os sindicatos em nosso
país que tratam os jovens trabalhadores
com as suas devidas particularidades,
inclusive muitos sindicatos dirigidos pela
Corrente Sindical Classista (CSC).
Ainda que tenhamos galgado grandes
vitórias à frente do Coletivo Nacional de
Juventude da CUT, é presente a pouca
receptividade à incorporação no trabalho
de direção do movimento sindical as novas
lideranças que se aproximam. Não raro o
ambiente é de bastante resistência quando
não de repulsa.
A sensação que tenho é de que o partido,
em seu conjunto, ainda tem realizado um
esforço muito tímido para superar estes
entraves quando surgem em sindicatos por
nós dirigidos. Talvez uma maior
sistematização do trabalho que já está
sendo desenvolvido pelos comunistas (sejam
eles jovens trabalhadores da UJS ou
quadros da CSC) possa nos dar mais
elementos para uma discussão menos
subjetiva sobre este tema. A não
realização, até o presente momento, do III
Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores
da UJS/CSC é um prejuízo neste sentido.
Todavia, penso que um bom começo para
superar os entraves acima apresentados
passa por desenvolver de forma mais
equilibrada a política de quadros do
partido para a juventude. Nossos objetivos
táticos e mais pragmáticos (a ocupação
qualificada dos espaços públicos
institucionais e o fortalecimento da
estrutura partidária) não pode se sobrepor
ao nosso objetivo estratégico, que é
crescer entre a massa de trabalhadores
brasileiros. Pelo contrário, os objetivos
táticos devem estar casados com os nossos
objetivos estratégicos.
É amplamente reconhecido em nosso
partido que é a UJS, ainda hoje, o nosso
maior celeiro de quadros. É da UJS, em
grande medida, que surgem os dirigentes
partidários de amanhã. Se não pensarmos em
como distribuiremos esse imenso
contingente de quadros agora olhando para
o amanhã, podemos acordar num futuro em
que os desafios do presente serão os
mesmos do passado.
Por Carla Tais Santos,
membro da direção nacional da União da
Juventude Socialista
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