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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

14 de fevereiro de 2006

REPÚDIO AO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO

Relatório da ONU acusa EUA de tortura em Guantânamo


 

Um relatório da Comissão de Direito Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre os prisioneiros mantidos no campo de concentração da base ilegal americana em Guantânamo, Cuba, conclui que os Estados Unidos cometeram torturas e infringiram os direitos humanos.

O resumo do documento ainda não finalizado, divulgado ontem (13/2) pelo jornal "Los Angeles Times" e baseado em investigações que duraram um ano e meio, acusa os EUA de uso de violência no transporte dos prisioneiros e "técnicas" de interrogatório que "devem ser consideradas como equivalentes à tortura", entre outras coisas.

Os membros da ONU também citam no documento que os EUA usaram de métodos violentos durante os interrogatório: confinamento solitário extenso, exposição dos detentos a temperaturas, iluminação e barulho extremos, e obrigaram os prisioneiros a fazer a barba, além de outras técnicas que exploram crenças religiosas ou causam intimidação e humilhação. Tudo isso, segundo a ONU, constitui tratamento desumano e ultrapassamo os limites que "determinam" tortura.

Quinhentos homens de cerca de 35 nacionalidades estão presos no campo de concetração de Guantânamo, a maioria capturada durante a invasão do do Afeganistão, em 2001. Alguns prisioneiros estão em Guantânamo há mais de quatro anos sem nenhuma acusação formal de prisão.

Na semana passada, o jornal The New York Times revelou que prisioneiros em greve de fome em Guantânamo estavam sendo amarrados em cadeiras e forçados a se alimentar por meio de tubos. Dias antes, a Anistia Internacional exigiu que os EUA fechassem o campo de concentração e que abrissem os demais centros de detenção americanos a uma inspeção independente.

Inspetores da ONU tentaram fazer visitas às instalações de Guantânamo no ano passado, mas foram impedidos porque Wahisngton não permitiu que eles pudesem falar livremente e em particular com os prisioneiros.

Pelo fim do campo

O esboço do documento divulgado pelo Los Angeles Times pede o fechamento da base, e afirma que os pretextos dos EUA para manter os prisioneiros em Guantânamo são distorcidos das leis do direito internacional.

As conclusões da ONU tiveram como base interrogatórios feitos com ex-prisioneiros de Guantânamo, além de advogados e familiares de detentos, mas a equipe não teve nenhum acesso aos presos dentro da base em Cuba.

"Nós consideramos muito cuidadosamente todos os argumentos apresentados pelo governo dos EUA", disse Manfred Nowak, um dos membros da ONU que preparam o documento. "Nós concluímos que a situação em várias áreas violam leis de direitos humanos e demonstram o uso da tortura", acrescentou.

O texto diz ainda que não foram realizados processos suficientes para justificar a presença de 750 pessoas como prisioneiras em Guantânamo acusadas de ser "inimigos combatentes", e determina que a causa principal de sua prisão foi para interrogatório, e não para prevenir que eles "pegassem suas armas".

O documento não pode obrigar os EUA a fechar o campo de concentração, mas a ONU espera dar mais força a conclusões semelhantes feitas por grupos de direitos humanos e pelo Parlamento europeu.

Com agências internacionais



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