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| Rabelo
durante 3ºEncontro de Professores
do PCdoB |
Para
alcançar a reeleição e pôr em prática
as mudanças de que o Brasil necessita
"será preciso uma repactuação
político-programática que seja capaz de
lançar bases para um projeto
desenvolvimentista democrático e resgatar
a esperança". Esse foi o tom da aula
ministrada pelo presidente do PCdoB,
Renato Rabelo, na tarde desta
quinta-feira, 9 de fevereiro, durante
curso do 3º Encontro de Professores da
Escola Nacional do PCdoB. O curso, com o
tema As singularidades do capitalismo
contemporâneo e a luta pela superação
do neoliberalismo no Brasil, recebeu
em São Paulo comunistas de diversos
estados desde o dia 5. Rebato Rabelo
falou, por pouco mais de duas horas, sobre
A luta pela superação do
neoliberalismo no Brasil (Parte II).
Durante uma breve introdução, ele
traçou um panorama das condições
impostas aos comunistas e aos movimentos
de esquerda após a derrocada das
primeiras experiências socialistas do
século 20. Ressaltou que "a teoria
revolucionária não está pronta para
qualquer período histórico e requer
desenvolvimento, renovação,
atualização, o que se realiza no bojo do
pensamento avançado de determinado
período histórico, no curso do movimento
político transformador e toma forma
conforme a realidade específica de cada
país e nação". Segundo ele,
"o alcance de novo auge
revolucionário - com a superação do
modo de produção capitalista - requer um
período de acumulação estratégica no
sentido revolucionário e construção de
forças avançadas, que passa
necessariamente pelo aprendizado político
próprio da maioria do povo, dos
trabalhadores, percorrido em diferentes e
variadas situações".
Postas
tais condições e necessidades, o
presidente do PCdoB falou sobre o atual
cenário de ascensão da esquerda na
América Latina. "As forças
revolucionárias e progressistas no atual
estágio de acumulação de condições
para a revolução têm alcançado êxitos
diante da profunda crise gerada pela
aplicação das políticas liberalizantes,
através da experiência que combina a
luta social em diferentes níveis com a
formação de frentes que congregam amplo
apoio político e social em defesa da
soberania nacional, da democracia e do
progresso social". E, ao contrário
de movimentos ditos de esquerda que, de
maneira sectária, menosprezam vitórias
importantes que apontam uma mudança de
rumo no continente, Rabelo salientou que
"a corrente mudancista na América do
Sul é uma só, com formas e níveis
diferenciados conforme a peculiaridade de
cada país".
Contra
o neoliberalismo
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| Comunistas
lotam auditório durante aula
de Rabelo |
Num
segundo momento, ao tratar das condições
e o nível da resistência ao
neoliberalismo no Brasil, Rabelo falou
sobre as limitações enfrentadas pelo
governo Lula dadas as condições
liberalizantes impostas pelos oito anos de
mandato de Fernando Henrique Cardoso:
"Pela sua origem, compromissos e
composição, o governo [do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva] expressou um
novo nível na luta contra o
neoliberalismo, assumindo uma postura
democrática mais avançada, em meio à
disjuntiva entre
"desenvolvimentismo" e
"ortodoxia", Estado e
"mercado", situação distinta
da fase do governo FHC, autor e condutor
do neoliberalismo brasileiro".
De
maneira enérgica, lembrou que, ao
contrário do que diziam os tucanos e FHC,
eles deixaram o país sob a ameaça de
insolvência e hoje, já no final do
mandato de Lula, o Brasil começa a
apresentar condições para que se alcance
o almejado desenvolvimento. Ao mesmo
tempo, reafirmou que, embora híbrido
entre o conservador e o mudancista, o
atual governo tem diferenças claras em
relação à gestão da aliança PSDB/PFL.
Entre elas, talvez a mais polêmica é a
política econômica, que, para Renato
Rabelo "não tem a mesma
característica da adotada nos governos de
FHC, marcada pelas grandes
privatizações, desmonte do Estado
nacional, desnacionalização e elevados
déficits do balanço de pagamentos,
defendidos como necessários porque eram
considerados como "poupança
externa" para o país crescer".
Os
comunistas na política nacional
A
terceira parte da apresentação de Rabelo
abordou a participação dos comunistas em
governos de frente ampla, em especial o
caso do PCdoB. "A relação
histórica de frente única entre o PCdoB
e o PT e a liderança nacional de Lula
levaram o nosso Partido a assumir maiores
compromissos e responsabilidade na
participação no governo da
República", disse. Essa
participação se insere no esforço
estratégico da legenda, que tem na
reeleição do governo Lula não uma
finalidade, mas um meio para que o Brasil
chegue a uma nova etapa de sua história,
marcada pelo desenvolvimento e
distribuição de renda, condições que
permitiriam a implantação dos alicerces
para a construção do socialismo.
Para os
militantes comunistas, é importante,
neste momento, atentar para três pontos
fundamentais que levem à acumulação
estratégica, apresentados pelo presidente
do PCdoB: "apoio e participação no
governo nacional, impulsionando-o a
transitar para uma alternativa
democrática, patriótica e progressista;
participação ativa na luta de idéias,
reforçando as tendências
revolucionárias e progressistas, tendo em
vista o desenvolvimento dos fundamentos ao
projeto substitutivo do neoliberalismo e a
construção de vanguarda revolucionária
com autoridade e prestigio diante da
maioria da nação e intervenção
incessante na organização e
mobilização do movimento social,
sobretudo das camadas trabalhadoras, a fim
de que exerçam seu papel de força-motriz
da luta transformadora, fundamental para a
realização das principais
mudanças".
No que
diz respeito às eleições deste ano,
Rabelo defendeu que "um segundo
mandato do presidente Lula é necessário
para construção efetiva de um novo poder
político e para concretização de um
projeto de desenvolvimento nacional
democrático, integracionista do
continente, como saída do entroncamento
que está diante do país: esgotamento do
modelo desenvolvimentista denominado
"getulista" e superação dos
impasses aprofundados pelo modelo
neoliberalizante da década passada".
Neste sentido, lembrou que, apesar dos
esforços de setores conservadores de
enfraquecer o atual governo, os índices
de aprovação de Lula vêm crescendo e um
certo cansaço das CPIs tem sido sentido
pela opinião pública. De acordo com o
dirigente comunista, é importante
aproveitar esse novo momento e buscar a
repactuação da esquerda com vistas a
formar uma nova frente capaz de dar
continuidade ao processo de mudanças.
"Na batalha em curso", disse,
"o PCdoB luta para que o governo Lula
resista de várias formas ao hegemonismo
neoliberal, mesmo que não alcance ainda a
sua suplantação, mas que sustente e
concretize os moldes centrais de novo
projeto de desenvolvimento nacional,
democrático, de integração
regional".
De São Paulo,
Priscila Lobregatte
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