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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

10 de fevereiro DE 2006

formação 
Rabelo fala sobre a luta contra o
neoliberalismo na Escola Nacional do PCdoB



Rabelo durante 3ºEncontro de Professores do PCdoB

Para alcançar a reeleição e pôr em prática as mudanças de que o Brasil necessita "será preciso uma repactuação político-programática que seja capaz de lançar bases para um projeto desenvolvimentista democrático e resgatar a esperança". Esse foi o tom da aula ministrada pelo presidente do PCdoB, Renato Rabelo, na tarde desta quinta-feira, 9 de fevereiro, durante curso do 3º Encontro de Professores da Escola Nacional do PCdoB. O curso, com o tema As singularidades do capitalismo contemporâneo e a luta pela superação do neoliberalismo no Brasil, recebeu em São Paulo comunistas de diversos estados desde o dia 5. Rebato Rabelo falou, por pouco mais de duas horas, sobre A luta pela superação do neoliberalismo no Brasil (Parte II).

Durante uma breve introdução, ele traçou um panorama das condições impostas aos comunistas e aos movimentos de esquerda após a derrocada das primeiras experiências socialistas do século 20. Ressaltou que "a teoria revolucionária não está pronta para qualquer período histórico e requer desenvolvimento, renovação, atualização, o que se realiza no bojo do pensamento avançado de determinado período histórico, no curso do movimento político transformador e toma forma conforme a realidade específica de cada país e nação". Segundo ele, "o alcance de novo auge revolucionário - com a superação do modo de produção capitalista - requer um período de acumulação estratégica no sentido revolucionário e construção de forças avançadas, que passa necessariamente pelo aprendizado político próprio da maioria do povo, dos trabalhadores, percorrido em diferentes e variadas situações".

Postas tais condições e necessidades, o presidente do PCdoB falou sobre o atual cenário de ascensão da esquerda na América Latina. "As forças revolucionárias e progressistas no atual estágio de acumulação de condições para a revolução têm alcançado êxitos diante da profunda crise gerada pela aplicação das políticas liberalizantes, através da experiência que combina a luta social em diferentes níveis com a formação de frentes que congregam amplo apoio político e social em defesa da soberania nacional, da democracia e do progresso social". E, ao contrário de movimentos ditos de esquerda que, de maneira sectária, menosprezam vitórias importantes que apontam uma mudança de rumo no continente, Rabelo salientou que "a corrente mudancista na América do Sul é uma só, com formas e níveis diferenciados conforme a peculiaridade de cada país".

Contra o neoliberalismo

Comunistas lotam auditório durante aula de  Rabelo

Num segundo momento, ao tratar das condições e o nível da resistência ao neoliberalismo no Brasil, Rabelo falou sobre as limitações enfrentadas pelo governo Lula dadas as condições liberalizantes impostas pelos oito anos de mandato de Fernando Henrique Cardoso: "Pela sua origem, compromissos e composição, o governo [do presidente Luiz Inácio Lula da Silva] expressou um novo nível na luta contra o neoliberalismo, assumindo uma postura democrática mais avançada, em meio à disjuntiva entre "desenvolvimentismo" e "ortodoxia", Estado e "mercado", situação distinta da fase do governo FHC, autor e condutor do neoliberalismo brasileiro".

De maneira enérgica, lembrou que, ao contrário do que diziam os tucanos e FHC, eles deixaram o país sob a ameaça de insolvência e hoje, já no final do mandato de Lula, o Brasil começa a apresentar condições para que se alcance o almejado desenvolvimento. Ao mesmo tempo, reafirmou que, embora híbrido entre o conservador e o mudancista, o atual governo tem diferenças claras em relação à gestão da aliança PSDB/PFL. Entre elas, talvez a mais polêmica é a política econômica, que, para Renato Rabelo "não tem a mesma característica da adotada nos governos de FHC, marcada pelas grandes privatizações, desmonte do Estado nacional, desnacionalização e elevados déficits do balanço de pagamentos, defendidos como necessários porque eram considerados como "poupança externa" para o país crescer".

Os comunistas na política nacional

A terceira parte da apresentação de Rabelo abordou a participação dos comunistas em governos de frente ampla, em especial o caso do PCdoB. "A relação histórica de frente única entre o PCdoB e o PT e a liderança nacional de Lula levaram o nosso Partido a assumir maiores compromissos e responsabilidade na participação no governo da República", disse. Essa participação se insere no esforço estratégico da legenda, que tem na reeleição do governo Lula não uma finalidade, mas um meio para que o Brasil chegue a uma nova etapa de sua história, marcada pelo desenvolvimento e distribuição de renda, condições que permitiriam a implantação dos alicerces para a construção do socialismo.

Para os militantes comunistas, é importante, neste momento, atentar para três pontos fundamentais que levem à acumulação estratégica, apresentados pelo presidente do PCdoB: "apoio e participação no governo nacional, impulsionando-o a transitar para uma alternativa democrática, patriótica e progressista; participação ativa na luta de idéias, reforçando as tendências revolucionárias e progressistas, tendo em vista o desenvolvimento dos fundamentos ao projeto substitutivo do neoliberalismo e a construção de vanguarda revolucionária com autoridade e prestigio diante da maioria da nação e intervenção incessante na organização e mobilização do movimento social, sobretudo das camadas trabalhadoras, a fim de que exerçam seu papel de força-motriz da luta transformadora, fundamental para a realização das principais mudanças".

No que diz respeito às eleições deste ano, Rabelo defendeu que "um segundo mandato do presidente Lula é necessário para construção efetiva de um novo poder político e para concretização de um projeto de desenvolvimento nacional democrático, integracionista do continente, como saída do entroncamento que está diante do país: esgotamento do modelo desenvolvimentista denominado "getulista" e superação dos impasses aprofundados pelo modelo neoliberalizante da década passada". Neste sentido, lembrou que, apesar dos esforços de setores conservadores de enfraquecer o atual governo, os índices de aprovação de Lula vêm crescendo e um certo cansaço das CPIs tem sido sentido pela opinião pública. De acordo com o dirigente comunista, é importante aproveitar esse novo momento e buscar a repactuação da esquerda com vistas a formar uma nova frente capaz de dar continuidade ao processo de mudanças. "Na batalha em curso", disse, "o PCdoB luta para que o governo Lula resista de várias formas ao hegemonismo neoliberal, mesmo que não alcance ainda a sua suplantação, mas que sustente e concretize os moldes centrais de novo projeto de desenvolvimento nacional, democrático, de integração regional".

De São Paulo,
Priscila Lobregatte



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