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Brasil, sábado, 4 de julho de 2009

2 DE FEVEREIRO DE 2006

LISTA DE 156 ESTÁ COM A PF

Jefferson confirma o "Dimasduto",
caixa dois tucano em 2002

Jefferson ao sair da PF: uma lista "muito próxima da verdade"

Por Bernardo Joffily

Com o estilo que lhe valeu o apelido de "homem-bomba", o deputado cassado Roberto Jefferson, autor das denúncias sobre o Valerioduto e o "Mensalão", emprestou credibilidade à lista de 156 políticos beneficiados pelo "Dimasduto" - esquema de caixa dois operado por Dimas Toledo, presidente da estatal Furnas Centrais Elétricas, nomeado no governo Fernando Henrique Cardoso e mantido no cargo até agosto passado. A articulação teria movimentado R$ 40 milhões na campanha eleitoral de 2002, recursos vindos de prestadores de serviços a Furnas. Como maiores beneficiários aparecem na lista os presidenciáveis do PSDB José Serra (R$ 7 milhões), Geraldo Alckmin (R$ 3,8 milhões no primeiro turno e R$ 5,5 milhões no segundo) e Aécio Neves (R$ 5,5 milhões).

"Quanto a mim, a lista é verdadeira. Eu recebi, sim, do doutor Dimas, R$ 75 mil", disse Jefferson, fiel ao costume de avalizar suas afirmações assumindo ele próprio a ilegalidade. "Recebi os 75 mil em meu escritório, das mãos do Dimas Toledo", especificou. E sobre a lista: "Creio que ela é muito próxima da verdade, mas é um juízo meu porque é ela é verdade em relação a mim. Em relação aos outros, é como sempre funcionou eleição no Brasil, com caixa dois. É uma lista de caixa dois", disse ainda.

"O Dimas foi colocado pelo PSDB"

Jefferson fez as declarações ao sair do prédio da Polícia Federal, depois que o deputado cassado prestou, durante mais de horas, um depoimento que seus inquiridores classificaram de "contundente e relevante". A investigação da PF, a cargo do delegado Luiz Flávio Zampronha, procura apurar a autenticidade da lista, que traz a assinatura de Dimas Toledo e um carimbo de firma reconhecida no Cartório do Primeiro Ofício de Notas do Rio. O documento, uma cópia, foi entregue à PF pelo lobista Nilton Monteiro, que revelou a existência do caixa dois do senador e ex-presidente tucano Eduardo Azeredo, nas eleições de 1998 em Minas Gerais.

"Eu vi a lista, tem dezenas de nomes de deputados, senadores e candidatos a governadores", disse ainda o deputado cassado por corrupção. Mas, dos 156 políticos listados, ele citou apenas a si próprio. "Constam nomes de candidatos a presidente, governador, do PSDB, PTB, PFL e PP. Creio que a lista é muito próxima da verdade", repetiu. Sobre a ausência de nomes petistas, explicou: "O Dimas estava lá em Furnas colocado pelo PSDB e não ajudava o PT naquela ocasião".

Nomes da lista: ACM Neto, Zulaiê, Goldman...

A PF não divulgou o conteúdo do documento em seu poder. A julgar pelo que vazou na internet, até as primeiras horas de hoje (2), a lista inclui, além de Alckmin, Serra e Aécio, nomes que ganharam os holofotes da mídia nos últimos meses como inquisitores do "Mensalão".

A deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP), que no domingo passado defendeu o fechamento da CUT, aparece como recebendo R$ 75 mil.

O líder do PSDB na Câmara, deputado Alberto Goldmann (SP), figura como tendo recebido R$ 150 mil.

O deputado ACM Neto (PFL-BA), uma das vozes mais estridentes na CPI dos Correios, consta como tendo recebido R$ 150.

Os 156 nomes pertencem a doze partidos - PSDB, PFL, PMDB, PL, PTB, PP, PPS, PSB, PDT, Prona, PRTB e PSC - e dez estados - São Paulo, Minas, Rio, Bahia, Pernambuco, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso, Santa Catarina e Maranhão. Quatorze deles concorriam a senador e 147 a deputado federal ou estadual.

Um ministro de Lula, Hélio Costa (Comunicações) consta também da relação, como tendo recebido R$ 400 mil. Em 2002 ele concorreu ao Senado, pelo PMDB, então coligado ao PSDB no plano federal e em seu estado, Minas Gerais.

O deputado Luiz Carlos Santos (PFL-SP), que já foi presidente de Furnas, teria recebido R$ 100 mil. Da Bahia, constam 14 nomes de deputados; Juthay Magalhães (PSDB) com a maior cifra citada, R$ 270 mil; e treze peefelistas: Paulo Magalhães (R$ 250 mil), Fábio Souto (R$ 200 mil), ACM Neto (R$ 150 mil), Luiz Carreira (R$ 100 mil), Jairo Carneiro (R$ 100 mil), João Almeida (R$ 75 mil), Gerson Gabrielli (R$ 75 mil), João Leão (R$ 75 mil), Rogério Nunes (R$ 75 mil), José Carlos Aleluia (R$ 75 mil), José Rocha (R$ 70 mil), Aroldo Cedraz (R$ 50 mil), Coriolano Sales (R$ 50 mil) e o já citado ACM Neto.

Os deputados Eduardo Paes (PSDB-RJ), Francisco Dornelles (PP-RJ), Waldemar Costa Neto (PL-SP),que renunciou para não perder o mandato, Vadão Gomes (PP-SP) e Antonio Carlos Pannúnzio (PSDB-SP) também constam da relação.

O dinheiro, segundo o que vazou do documento, seria proveniente de 88 empresas, clientes e fornecedores de Furnas. Entre elas, estariam estatais como a Petrobras, construtoras, como a Odebrecht, e as empresas DNA Propaganda e a SMP&B, ambas de Marcos Valério de Souza.

Tucanos desmentem tudo

Os dados da lista em poder da PF e as declarações de Roberto Jefferson mereceram terminantes desmentidos dos acusados. Até Geraldo Alckmin e José Serra, engalfinhados na disputa para ver quem será o candidato presidencial tucano em outubro, por um momento repetiram quase que as mesmas palavras.

“Nós vamos tomar todas as medidas judiciais devidas. É uma falsificação grosseira. Isso aí lembra Ilhas Cayman. Vamos agir duro no sentido de coibir esse tipo de coisa. Não tem a menor procedência”, reagiu Alckmin, referindo-se ao Dossiê Cayman, uma denúncia de corrupção dada como falsa durante o governo FHC. “Isso é mais falso do que o dossiê Cayman”, ecoou Serra.

"Isso é inverossímil, é uma piada de mau gosto com nossos maiores líderes", disse por sua vez o líder do PSDB no senado, Arthur Virgílio (AM). "Duvido da autenticidade da lista e duvido de qualquer esquema de caixa dois naquela época que não inclua políticos do PT", argumentou, esquecido de que agridiria a lógica, nas eleições de 2002, um esquema de corrupção que abrigasse simultaneamente petistas e tucanos.

Com agências

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