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Jefferson
ao sair da PF: uma lista "muito
próxima da verdade" |
Por
Bernardo Joffily
Com
o estilo que lhe valeu o apelido de "homem-bomba",
o deputado cassado Roberto Jefferson,
autor das denúncias sobre o Valerioduto
e o "Mensalão", emprestou
credibilidade à lista de 156 políticos
beneficiados pelo "Dimasduto"
- esquema de caixa dois operado por Dimas
Toledo, presidente da estatal Furnas Centrais
Elétricas, nomeado no governo Fernando
Henrique Cardoso e mantido no cargo até
agosto passado. A articulação
teria movimentado R$ 40 milhões
na campanha eleitoral de 2002, recursos
vindos de prestadores de serviços
a Furnas. Como maiores beneficiários
aparecem na lista os presidenciáveis
do PSDB José Serra (R$ 7 milhões),
Geraldo Alckmin (R$ 3,8 milhões
no primeiro turno e R$ 5,5 milhões
no segundo) e Aécio Neves (R$ 5,5
milhões).
"Quanto
a mim, a lista é verdadeira. Eu
recebi, sim, do doutor Dimas, R$ 75 mil",
disse Jefferson, fiel ao costume de avalizar
suas afirmações assumindo
ele próprio a ilegalidade. "Recebi
os 75 mil em meu escritório, das
mãos do Dimas Toledo", especificou.
E sobre a lista: "Creio que ela é
muito próxima da verdade, mas é
um juízo meu porque é ela
é verdade em relação
a mim. Em relação aos outros,
é como sempre funcionou eleição
no Brasil, com caixa dois. É uma
lista de caixa dois", disse ainda.
"O
Dimas foi colocado pelo PSDB"
Jefferson
fez as declarações ao sair
do prédio da Polícia Federal,
depois que o deputado cassado prestou,
durante mais de horas, um depoimento que
seus inquiridores classificaram de "contundente
e relevante". A investigação
da PF, a cargo do delegado Luiz Flávio
Zampronha, procura apurar a autenticidade
da lista, que traz a assinatura de Dimas
Toledo e um carimbo de firma reconhecida
no Cartório do Primeiro Ofício
de Notas do Rio. O documento, uma cópia,
foi entregue à PF pelo lobista
Nilton Monteiro, que revelou a existência
do caixa dois do senador e ex-presidente
tucano Eduardo Azeredo, nas eleições
de 1998 em Minas Gerais.
"Eu
vi a lista, tem dezenas de nomes de deputados,
senadores e candidatos a governadores",
disse ainda o deputado cassado por corrupção.
Mas, dos 156 políticos listados,
ele citou apenas a si próprio.
"Constam nomes de candidatos a presidente,
governador, do PSDB, PTB, PFL e PP. Creio
que a lista é muito próxima
da verdade", repetiu. Sobre a ausência
de nomes petistas, explicou: "O Dimas
estava lá em Furnas colocado pelo
PSDB e não ajudava o PT naquela
ocasião".
Nomes
da lista: ACM Neto, Zulaiê, Goldman...
A
PF não divulgou o conteúdo
do documento em seu poder. A julgar pelo
que vazou na internet, até as primeiras
horas de hoje (2), a lista inclui, além
de Alckmin, Serra e Aécio, nomes
que ganharam os holofotes da mídia
nos últimos meses como inquisitores
do "Mensalão".
A
deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP),
que no domingo passado defendeu o fechamento
da CUT, aparece como recebendo R$ 75 mil.
O
líder do PSDB na Câmara,
deputado Alberto Goldmann (SP), figura
como tendo recebido R$ 150 mil.
O
deputado ACM Neto (PFL-BA), uma das vozes
mais estridentes na CPI dos Correios,
consta como tendo recebido R$ 150.
Os
156 nomes pertencem a doze partidos -
PSDB, PFL, PMDB, PL, PTB, PP, PPS, PSB,
PDT, Prona, PRTB e PSC - e dez estados
- São Paulo, Minas, Rio, Bahia,
Pernambuco, Paraná, Espírito
Santo, Mato Grosso, Santa Catarina e Maranhão.
Quatorze deles concorriam a senador e
147 a deputado federal ou estadual.
Um
ministro de Lula, Hélio Costa (Comunicações)
consta também da relação,
como tendo recebido R$ 400 mil. Em 2002
ele concorreu ao Senado, pelo PMDB, então
coligado ao PSDB no plano federal e em
seu estado, Minas Gerais.
O
deputado Luiz Carlos Santos (PFL-SP),
que já foi presidente de Furnas,
teria recebido R$ 100 mil. Da Bahia, constam
14 nomes de deputados; Juthay Magalhães
(PSDB) com a maior cifra citada, R$ 270
mil; e treze peefelistas: Paulo Magalhães
(R$ 250 mil), Fábio Souto (R$ 200
mil), ACM Neto (R$ 150 mil), Luiz Carreira
(R$ 100 mil), Jairo Carneiro (R$ 100 mil),
João Almeida (R$ 75 mil), Gerson
Gabrielli (R$ 75 mil), João Leão
(R$ 75 mil), Rogério Nunes (R$
75 mil), José Carlos Aleluia (R$
75 mil), José Rocha (R$ 70 mil),
Aroldo Cedraz (R$ 50 mil), Coriolano Sales
(R$ 50 mil) e o já citado ACM Neto.
Os
deputados Eduardo Paes (PSDB-RJ), Francisco
Dornelles (PP-RJ), Waldemar Costa Neto
(PL-SP),que renunciou para não
perder o mandato, Vadão Gomes (PP-SP)
e Antonio Carlos Pannúnzio (PSDB-SP)
também constam da relação.
O
dinheiro, segundo o que vazou do documento,
seria proveniente de 88 empresas, clientes
e fornecedores de Furnas. Entre elas,
estariam estatais como a Petrobras, construtoras,
como a Odebrecht, e as empresas DNA Propaganda
e a SMP&B, ambas de Marcos Valério
de Souza.
Tucanos
desmentem tudo
Os
dados da lista em poder da PF e as declarações
de Roberto Jefferson mereceram terminantes
desmentidos dos acusados. Até Geraldo
Alckmin e José Serra, engalfinhados
na disputa para ver quem será o
candidato presidencial tucano em outubro,
por um momento repetiram quase que as
mesmas palavras.
“Nós
vamos tomar todas as medidas judiciais
devidas. É uma falsificação
grosseira. Isso aí lembra Ilhas
Cayman. Vamos agir duro no sentido de
coibir esse tipo de coisa. Não
tem a menor procedência”, reagiu
Alckmin, referindo-se ao Dossiê
Cayman, uma denúncia de corrupção
dada como falsa durante o governo FHC.
“Isso
é mais falso do que o dossiê
Cayman”, ecoou Serra.
"Isso
é inverossímil, é
uma piada de mau gosto com nossos maiores
líderes", disse por sua vez
o líder do PSDB no senado, Arthur
Virgílio (AM). "Duvido da
autenticidade da lista e duvido de qualquer
esquema de caixa dois naquela época
que não inclua políticos
do PT", argumentou, esquecido de
que agridiria a lógica, nas eleições
de 2002, um esquema de corrupção
que abrigasse simultaneamente petistas
e tucanos.
Com
agências
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