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Brasil, quinta-feira, 3 de julho de 2008

2 DE FEVEREIRO DE 2006

MULHERES 2006

Bancada feminina quer mais
espaço na Câmara dos Deputados


A primeira reunião da bancada feminina da Câmara dos Deputados em 2006, nesta quarta-feira (1º), em Brasília, estabeleceu um cronograma de ação para o mês da mulher, que tem como centro o 8 de Março. A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), uma das coordenadoras da bancada, disse a
s comemorações deste ano darão ênfase ao empoderamento das mulheres, com maior participação feminina na vida política do país, além do combate à violência de gênero, com votação do projeto de lei contra a violência doméstica.

Alice Portugal disse que a bancada feminina quer ampliar a participação das mulheres nas instâncias decisórias da Câmara dos Deputados. “Na próxima eleição para escolha da mesa diretora da Casa, vamos disputar uma vaga”, anunciou.

A bancada aprovou, por unanimidade, apoiar e endossar o nome da juíza carioca Salete Maccalóz para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), que terá vagas abertas com aposentadoria de juízes este ano. “Vamos trabalhar para indicar mulheres para ocupar vagas no tribunais superiores”, anunciou Alice.

A bancada feminina decidiu formar uma comitiva da Câmara que vai ao Recife, nos próximos dias, manifestar solidariedade às mulheres vítimas de violência em Pernambuco, “na perspectiva de mudança de consciência”, explica Alice Portugal. Trinta e uma mulheres foram assassinadas no estado em um período de 29 dias – mais de uma morte por dia.

Mulheres na política

A deputada comunista apresentou proposta, aprovada na reunião, de realizar debate sobre a participação das mulheres na política, dentro da programação do mês de março. A discussão contará com a participação de especialistas em legislação eleitoral, vereadoras, deputadas estaduais e candidatas. Alice explica que “a proposta é discutir as novas regras eleitorais no Brasil, com foco na condição feminina, e propor uma série de medidas para estimular as candidaturas de mulheres”.

Entre estas medidas, Alice Portugal adianta que “vamos organizar uma reunião especial com presidentes de partidos e líderes partidárias para discutir a participação das mulheres na Câmara dos Deputados e na lista de candidatos de cada partido, buscando uma aproximação cada vez maior do valor estabelecido por lei das cotas de mulheres” (30% de candidatas por partidos).

“Além disso – acrescentou - vamos procurar espaço ampliado na Câmara. Vamos propor ao presidente da Casa (deputado Aldo Rebelo), que tem simpatia pela causa feminista, que inclua na reunião do colégio de líderes, mesmo sem direito a voto ou preceituação regimental, uma representação da bancada feminina. Não há nenhuma mulher líder”, queixa-se a parlamentar.

Prioridades femininas

A medida vai aproximar a bancada feminina do processo decisório da Câmara, acredita a deputada, acrescentando que “trata-se de um espaço de debate no sentido de colocar nossas prioridades”. Ela cita o exemplo do projeto da violência doméstica, que tem como relatora a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e será apresentado como prioritário para votação até março deste ano.

Para Alice, a aprovação da matéria “oferece à sociedade brasileira mais uma vitória”, destacando o trabalho da bancada feminina como “o de maior ênfase social”. “Trabalhamos sempre voltados para oferecer arcabouço legislativo que venha a incorporar direitos e conquistas das mulheres na sociedade”, enfatiza.

A deputada atribui a pequena participação das mulheres na política “à opressão milenar que se abate sobre as mulheres – visão de que a política é um ambiente masculino – e à falta de condições estruturantes do próprio Estado. Para alavancar um papel de liderança, a mulher tem sacrifícios dobrados porque tem dupla jornada”, explica Alice.

“A dupla jornada é um impedimento objetivo para o crescimento na vida pessoal, profissional e na vida política, além de existir uma cultura machista dentro dos partidos”, diz Alice. Ela exemplifica com o caso do PCdoB “que é o partido que tem proporcionalmente o maior número de mulheres na bancada (seis homens e cinco mulheres), mas é só observar o universo global – 46 mulheres no parlamento para 513 deputados federais – para ver que é um número muito reduzido”.

Para o 8 de Março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher, a Câmara dos Deputados programou sessão solene, “dotada de elementos criativos, garantindo sessão dinâmica; e durante todo o mês haverá programação cultural com feira literária, mostra de artesanato, realizado por mulheres de todas as regiões do Brasil”, anunciou a parlamentar comunista.

De Brasília
Márcia Xavier

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