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Senador
Leomar Quintanilha (PCdoB/TO) |
“A economia brasileira tem apresentado
crescimento (insuficiente, é verdade) e o
desemprego tem caído. A maior parte dos
empregos criados ocorre nas faixas de
menor renda, o que dá uma importância
ainda maior para o valor do salário mínimo
conjunto do mercado de trabalho. A
recuperação do mínimo contribui para
devolver capacidade de consumo para as
famílias, fortalece o mercado interno e
valoriza o trabalho. Essas são bases para
o projeto de desenvolvimento nacional que
é defendido pelo meu Partido, o PCdoB:
desenvolvimento com valorização do
trabalho”, disse o senador Leomar
Quintanilha (PCdoB/TO).
O parlamentar fez um apelo ao
presidente da República para que atenda à
solicitação dos sindicalistas de
estabelecer o salário mínimo em R$ 350,00,
a partir de março. Segundo o senador,
ministros estão discutindo com
sindicalistas o valor do salário mínimo, o
que “é saudado por todos aqueles que se
preocupam em garantir condições de vida e
trabalho dignas para os brasileiros. A CUT
reconhece que o mínimo de R$ 350
representa um aumento real de 11%, mas as
centrais querem também a antecipação do
pagamento do salário mínimo para março e
que, a partir de 2007, o reajuste passe a
ocorrer em janeiro”.
Desde 2003, a bancada do PCdoB defende
“que o salário mínimo seja reajustado pela
variação nominal do Produto Interno Bruto
(PIB) somada ao acréscimo da produtividade
do trabalho. É uma proposta que assegura
poder de compra crescente ao salário
mínimo, beneficiando também,
proporcionalmente, toda a cadeia de
remuneração do trabalho acima dele. Com
esta política salarial, o piso nacional de
salários terá reajustes ano a ano muito
superiores aos que vem recebendo”, afirmou
o senador tocantinense. Leia abaixo a
íntegra do discurso do senador Quintanilha.
Valorizar o trabalho, garantir o
desenvolvimento
Leomar Quintatinha, senador da
República (PCdoB/TO)
Um fato novo ocorre nestes dias: o
governo federal discute diretamente com as
entidades sindicais o valor do salário
mínimo. Os ministros do Trabalho, Luiz
Marinho; da Previdência, Nelson Machado; e
o secretário geral da Presidência da
República, Luiz Dulci, encontraram-se com
representantes das principais entidades
sindicais - Central Única dos
Trabalhadores (CUT), Força Sindical,
Central Geral dos Trabalhadores (CGT),
Central Geral dos Trabalhadores do Brasil
(CGTB) e Central Autônoma de Trabalhadores
(CTA), para discutir a remuneração mínima
do trabalho. Fato positivo, que é saudado
por todos aqueles que se preocupam em
garantir condições de vida e trabalho
dignas para os brasileiros. A CUT
reconhece que o mínimo de R$ 350
representa um aumento real de 11%, mas as
centrais querem também a antecipação do
pagamento do salário mínimo para março e
que, a partir de 2007, o reajuste passe a
ocorrer em janeiro.
Quando se debate o reajuste do salário
mínimo, preocupa o custo que representará
nas contas da previdência social, daí a
presença do ministro Nelson Machado na
reunião. Mas é importante destacar a
grande importância que tem o salário
mínimo para os trabalhadores e para o
mercado de trabalho brasileiro. O salário
mínimo é a principal referência para o
rendimento dos trabalhadores com carteira
assinada. Ao elevarmos o salário de
contratação nos novos postos de trabalho,
diminuímos a pressão sobre o conjunto dos
trabalhadores ocupados, melhorando as
condições, inclusive, para os novos
acordos salariais.
A economia brasileira tem apresentado
crescimento (insuficiente, é verdade) e o
desemprego tem caído. A maior parte dos
empregos criados ocorre nas faixas de
menor renda, o que dá uma importância
ainda maior para o valor do salário mínimo
conjunto do mercado de trabalho. A
recuperação do mínimo contribui para
devolver capacidade de consumo para as
famílias, fortalece o mercado interno e
valoriza o trabalho. Essas são bases para
o projeto de desenvolvimento nacional que
é defendido pelo meu Partido, o PCdoB:
desenvolvimento com valorização do
trabalho.
O salário mínimo teve origem nos países
mais desenvolvidos durante os anos 1930,
durante a crise econômica desencadeada
pela Grande Depressão nos Estados Unidos
em 1929, com a finalidade de corrigir as
graves distorções no processo de
distribuição de renda produzidas pelo
sistema e agravadas pela recessão e
estimular o mercado interno e o
crescimento da economia. Foi de fato
instituído no Brasil em 1940, embora
estivesse previsto em lei desde meados dos
anos 30. Sofreu uma razoável valorização
no período compreendido entre 1952 e 1964,
marcado por intensa industrialização e
taxas relativamente altas de crescimento
do Produto Interno Bruto. Mas foi
depreciado durante o regime militar e
fortemente arrochado durante o período da
hiperinflação. A Constituição de 1988, no
Capitulo II - Dos Direitos Sociais, artigo
7º, inciso quarto, garante aos
trabalhadores urbanos e rurais: “Salário
mínimo, fixado em lei, nacionalmente
unificado, capaz de atender às suas
necessidades vitais básicas e às de sua
família com moradia, alimentação,
educação, saúde, lazer, vestuário,
higiene, transporte e previdência social,
com reajustes periódicos que lhe preservem
o poder aquisitivo, sendo vedada sua
vinculação para qualquer fim”.
O salário mínimo experimentou uma leve
e breve recuperação a partir de 1994, em
função da estabilidade monetária
propiciada pelo Plano Real, mantendo-se,
contudo, em um patamar vergonhosamente
baixo e sofrendo os impactos negativos das
sucessivas crises financeiras e cambiais
que abalaram o Brasil. É preciso resgatar
a lei maior, a Constituição brasileira,
para redefinir um preceito constitucional
e elevar o poder de compra do salário
mínimo para garantir a devida aplicação da
lei. O presidente Lula foi eleito com o
compromisso de recuperar o valor real do
salário mínimo.
O salário mínimo não é importante
apenas para quem ganha esse valor ou para
quem tem carteira assinada. Segundo o
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada –
IPEA –, do Ministério do Planejamento, a
definição do mínimo influencia diretamente
a remuneração dos trabalhadores que ganham
até 2 salários mínimos e dos trabalhadores
com ou sem carteira assinada.
O aumento real para o salário mínimo
eleva a participação dos salários na renda
nacional, reduz o profundo fosso social
que existe no país. Segundo o Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos
Sócio-Econômicos (Dieese), o poder de
compra do salário mínimo teve queda
vertiginosa no decorrer de sua existência
legal. Um exemplo é quando se usa o
salário mínimo na aquisição de um
determinado produto alimentício da cesta
básica. Com o salário mínimo vigente em
1959 o trabalhador adquiria o equivalente
a 455 litros de leite. A partir do ano de
1959 até o ano de 2004, este foi o melhor
desempenho do salário mínimo em relação a
este produto. Já o pior desempenho se
obteve em 1994, quando o salário mínimo só
adquiria 137 litros de leite – apenas 30%
do que se consumia em 1959! Ainda estamos
longe de recuperar as perdas ocorridas ao
longo dos anos, mas a atual proposta é um
passo importante para ampliação do consumo
das famílias, que está vinculado ao
desenvolvimento do mercado interno,
pressuposto de qualquer modelo de
desenvolvimento econômico e social.
O Brasil carece de medidas arrojadas
para crescer o seu mercado interno e se
desenvolver econômica e socialmente.
Estabelecer uma política de recuperação
dos salários sinaliza que, dentre as
prioridades da nossa sociedade, estão a
valorização do trabalho e o
desenvolvimento social. Não por acaso,
justamente o final da década de 50 do
século passado, período em que foi
consolidado um projeto de desenvolvimento
e crescimento econômico e social no país,
foi a fase em que o salário mínimo teve
seu melhor poder de compra.
A bancada do PCdoB defende – desde 2003
– que o salário mínimo seja reajustado
pela variação nominal do Produto Interno
Bruto (PIB) somada ao acréscimo da
produtividade do trabalho. O valor nominal
do PIB inclui tanto o aumento médio dos
preços quanto o crescimento real da
economia, mas caso esse valor seja
inferior à variação de um índice de preços
(o INPC, do IBGE), esse será adotado. Essa
parcela garantirá ao salário, pelo menos,
a inflação do período mais o crescimento
da economia. Já o índice de produtividade
do trabalho que será acrescido, tomado
como a média do trabalho total, garantirá
também aos assalariados os ganhos de
produtividade. É uma proposta que assegura
poder de compra crescente ao salário
mínimo, beneficiando também,
proporcionalmente, toda a cadeia de
remuneração do trabalho acima dele. Com
esta política salarial, o piso nacional de
salários terá reajustes ano a ano muito
superiores aos que vem recebendo.
Note-se que, entre 1990 e 1999, a
produtividade do trabalho aumentou 24% no
Brasil; no entanto, a participação dos
salários do setor privado na renda
nacional caiu de 37% para 27%. Os
trabalhadores foram excluídos dos ganhos
de produtividade da economia.
Também o pagamento de benefícios
previdenciários de menor valor –
basicamente as aposentadorias por idade e
pensões de trabalhadores urbanos e rurais
– são afetados positivamente pela
concessão de aumentos reais para o salário
mínimo. Aposentam-se por idade exatamente
aqueles trabalhadores que não conseguem
comprovar 35 ou 30 anos de trabalho com
registro em carteira, por isto mesmo esse
benefício é responsável por uma grande
descentralização da renda.
O IBGE calcula que em todo o país 27%
dos idosos, especialmente aposentados
rurais, são responsáveis por mais de 90%
de todo o rendimento familiar. E, nos
menores municípios – de até 5 mil
habitantes –, até 77% dos rendimentos das
famílias provêem das aposentadorias e
pensões. O aumento real do salário mínimo
tem, portanto, efeito multiplicador sobre
a qualidade de vida dessas pessoas e sobre
a economia dessas pequenas cidades que
formam o Brasil mais profundo. Esse efeito
ocorre exatamente nas áreas ignoradas
pelos agentes de mercado.
Não é por acaso que nesses municípios,
onde a economia local se resume ao consumo
imediato, a renda gerada pelos pagamentos
de benefícios supere a arrecadação local
de impostos, inclusive os repasses do
Fundo de Participação dos Municípios – FPM.
Em dois de cada três dos 5.561 municípios
brasileiros, os valores pagos em
benefícios previdenciários superam os
repasses de FPM.
A valorização do salário mínimo
funciona, ainda, como o maior instrumento
de combate à pobreza. É uma política não
discriminatória de acabar com a fome, sem
custos burocráticos de controle, sem estar
sujeita a desvios e uso clientelístico.
A decisão sobre o novo valor do salário
mínimo poderá ser acordada na próxima
terça-feira, dia 24, em novo encontro de
ministros com sindicalistas. O relator do
Orçamento para 2006, deputado federal
Carlito Merss, calcula que, se o reajuste
do salário mínimo para R$ 350 ocorrer em
maio, representará um gasto adicional de
R$ 4,6 bilhões para o governo – caso os
trabalhadores consigam antecipar a data
para março, novos cálculos deverão ser
realizados, mas o ministro do
Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que
é possível a adoção dessa nova data. A
decisão final caberá ao presidente Lula, a
quem fazemos um apelo para que atenda ao
pleito dos trabalhadores.
A valorização do salário mínimo é de
fundamental importância para os
brasileiros, pois ajuda a corrigir a
perversa distribuição de renda
prevalecente no país e é também um
imperativo de justiça fiscal, já que temos
a quarta maior carga tributária do mundo,
os impostos recaem principalmente sobre os
assalariados. Cabe reafirmar que o aumento
do salário mínimo terá impactos muito
positivos sobre a economia brasileira,
especialmente para os pequenos e médios
municípios e as regiões mais pobres do
Brasil, na medida em que incrementa a
demanda interna, estimula a procura e os
negócios no comércio e demanda o
crescimento da produção, sobretudo dos
bens consumidos pelos assalariados de
baixa renda.
O aumento do salário mínimo é uma das
medidas prioritárias de uma política de
valorização da força de trabalho e, ao
lado da redução da jornada de trabalho,
está em sintonia com a necessidade
inadiável de promover o crescimento
duradouro da economia e o desenvolvimento
com justiça social.
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