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Geraldo Alckmin não foi questionado anteontem,
no Recife, sobre aborto ou união civil homossexual por acaso. A edição de 16 de
janeiro da revista Época revela ligações do governador de São Paulo e
pré-candidato à Presidência da República com a Opus Dei - corrente milenar e
ultraconservadora da Igreja Católica que prega a autoflagelação diária e a
renúncia aos prazeres carnais como meios de se aproximar de Deus.
Segundo a reportagem, o tucano participa há alguns anos de reuniões periódicas
nas quais recebe ensinamentos do Opus Dei, que significa "Obra de Deus" em
latim. Na chamada "Palestra do Morumbi", alusão ao bairro onde se localiza a
sede do governo e na qual ocorrem os encontros, Alckmin se une a advogados,
empresários e juristas para assistir explanações de pregadores da Obra.
A relação de Alckmin com o movimento não teria causado polêmica não fossem os
bastidores do Opus Dei. Macacões antimasturbação, uso diário de cilício -
corrente flageladora - como forma de evocar o sofrimento de Cristo na cruz,
proibição de filmes, músicas, livros e ambientes. Seguidores assíduos da
prelezia ou "numerários" - membros celibatários que vivem em centros da Obra -
cumprem uma rotina diária de orações e "mortificações" (renúncias e flagelamento),
além de uma série de rituais como leitura bíblica, comunhão e terço. Todas as
proibições da Igreja são seguidas à risca e impostas com absoluto radicalismo.
Embora o governador negue seu conservadorismo e já tenha minimizado sua relação
com o Opus Dei em entrevista ao programa Roda Vida da TV Cultura, colegas do
movimento dizem na reportagem que o tucano nunca faltou a um encontro (nem
quando disputava a reeleição em 2002) e durante as formações é um dos alunos
mais aplicados. "Ele toma nota de tudo", revelou Paulo Fernando Toledo,
professor de Direito da USP e participante das Palestras do Morumbi.
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