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Os especialistas em pesquisas de intenções de
voto avaliam que pode estar em curso um movimento de recuperação da imagem do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu governo, que justificaria o
resultado da última pesquisa Ibope/Isto É. Em relação à pesquisa CNI/Ibope, de
dezembro, a diretora do instituto, Márcia Cavallari, afirmou que o presidente
Lula teve um crescimento significativo na região Nordeste, entre os eleitores
homens, os de menor renda familiar e os de baixo grau de instrução. Mas, além do
crescimento de Lula, Márcia também aponta a redução das intenções de voto no
candidato melhor colocado do PSDB, o prefeito de São Paulo, José Serra.
'A pesquisa mostra dois movimentos. A recuperação do presidente Lula e o
esvaziamento das intenções de voto em José Serra', disse Márcia Cavallari. Para
a pesquisadora, o crescimento de Lula pode ser explicado como o resultado da
campanha publicitária de prestação de contas das ações de governo, da entrevista
que o presidente Lula concedeu ao programa 'Fantástico', da TV Globo, e também
ao fato do foco da crise política ter se deslocado do Executivo para o
Congresso, por causa da convocação extraordinária.
Queda de Serra
Quanto a queda de Serra, ela diz que o
desempenho do tucano pode ter sido resultado de uma 'bolha' provocado pelas
inserções nacionais e redes nacionais e estaduais de rádio e televisão que o
PSDB e a oposição tiveram naquele período. Em novembro, foram ao ar em rede
nacional de televisão os programas do PSDB, dia 24, do PFL, dia oito, e do PDT,
dia 17, sendo que os tucanos tiveram oito dias de inserções nacionais.
O PFL contou ainda com uma rede estadual no dia 24, e o PT no dia 21. 'O Serra
teve uma bolha momentânea, agora seus índices voltaram ao patamar de setembro',
afirmou Márcia Cavallari. Já o presidente do instituto Sensus, Ricardo Guedes,
cuja pesquisa CNT/Sensus será divulgada na primeira quinzena de fevereiro,
avalia que o crescimento de Lula se deve ao fato de ter passado aquele susto
provocado pelas denúncias de que há roubo no governo petista. Ele acrescenta
que, a partir de agora, os eleitores também estariam prestando atenção nas
realizações do governo Lula.
O que mais chamou a atenção de Guedes, mesmo reconhecendo que não se deve
comparar pesquisas de institutos diferentes, foi a rejeição do presidente Lula
ter sido de 30%, na medida em que a pesquisa da Sensus, realizada em novembro,
tinha medido uma rejeição de 47%. 'Não há mais a comoção do início da crise. O
eleitor está mais racional. Agora ele está avaliando o que cada um fez. E o
governo tem realizações no social, na economia e que podem ter colaborado na sua
recuperação', disse Ricardo Guedes.
PT critica revista
Mesmo com números positivos para o governo, a
página oficial do PT na internet publicou nesta segunda-feira um artigo
criticando a pesquisa Ibope referente às eleições de 2006.
O PT reclama, na nota, que a revista IstoÉ
omitiu os resultados do segundo turno. Sob o título "Istoé mente sobre pesquisa,
causa confusões na mídia e promove Garotinho", o texto critica o que chama de
"santo oligopólio".
O texto petista lembra que, em dezembro, Lula
tinha 35% das intenções de voto e que agora, pela última pesquisa, está com
cerca de 42%. Já José Serra, que em dezembro tinha 48%, caiu para 45%. Pela
margem de erro da pesquisa, os dois estão tecnicamente empatados. Nas demais
simulações, Lula ganha de todos os outros candidatos no segundo turno. No
entanto, a revista não divulgou o resultado, que seria favorável ao PT.
Segundo o partido, a omissão não ficou somente
por conta da IstoÉ. "O próprio Jornal Nacional (jornal da Rede Globo de
televisão) optou pela divulgação somente dos dados do primeiro turno, quando já
possuía os resultados sobre a preferência partidária. O PT mantém a liderança
nas indicações dos brasileiros com 35%; seguido pelo PMDB, 28%; PSDB, 16%; PTB,
13%; PDT, 13%; e o PFL, com 12%", afirma o artigo. Para o PT, houve clara opção
do noticiário da TV Globo em não divulgar o dado.
O PT afirma ainda que a matéria da revista IstoÉ teria sido feita sob encomenda
para o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PMDB). O
ex-governador quer novamente ser candidato este ano. "(A pesquisa) não registra
o crescimento de Lula. Na peleja interna do PSDB, dá uma ducha de água fria na
candidatura de Geraldo Alckmin. E no PMDB, tira Germano Rigotto do páreo,
consolidando Anthony Garotinho”, afirma o texto petista.
Na edição desta semana, a revista informou que
somente fizera a sondagem junto ao eleitorado com simulações para o primeiro
turno das eleições presidenciais. O Jornal da Globo da última sexta-feira
revelou, no entanto, que o Ibope também chegou a fazer simulações de segundo
turno.
"Para não utilizar adjetivos mais pesados,
classificamos como primária a mentira imposta pela revista IstoÉ, uma vez que os
dados são públicos", diz o artigo do PT. "O que a Editora Três, que edita a
IstoÉ, escondeu é que o Ibope constatou, num dos cenários propostos entre Lula e
Serra: as intenções de voto em Lula no segundo turno aumentaram".
O artigo também se reporta a matéria publicada
no jornal O Estado de S. Paulo do último sábado, que traz perguntas integrantes
do questionário aplicado pelo Ibope, ao qual o jornal teve acesso. O
questionário incluía perguntas como "Qual seria a principal ação que Garotinho
poderia ter e que faria o (a) sr. (a) pensar em votar nele para presidente?"
Segundo o jornal paulista, a diretora-executiva
do Ibope, Márcia Cavallari, declarou que o teor do questionário foi definido por
orientação da Editora Três, que teria informado que faria perguntas temáticas,
por candidato, em novas sondagens. Na matéria do Estadão, Márcia não soube dizer
quem representou a editora na assinatura do contrato, que custou à editora da
IstoÉ o valor de R$ 126 mil.
Da redação, com informações das agências |