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Alckmin,
Serra e Aníbal (líder do governo na Câmara de São Paulo): ícones do tucanato
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Em meio à disputa para
definir quem será seu candidato à
presidência da República, tucanos começam a
debater linhas gerais de seu programa de
governo. Entre as propostas
estão a retomada das privatizações e das
negociações com EUA para a criação da Alca
(Área de Livre Comércio das Américas)
Por Marco Aurélio
Weissheimer
Reforma
trabalhista radical, com corte de encargos
e direitos; privatização de todos os
bancos estaduais; fusão dos ministérios da
Agricultura e do Desenvolvimento Agrário;
adoção da política do déficit nominal
zero; redução de despesas
constitucionalmente obrigatórias em áreas
como saúde e educação; menor peso ao
Mercosul e retomada das negociações da
Alca (Área de Livre Comércio das Américas):
essas são algumas das idéias defendidas
por um grupo de especialistas que vem se
reunindo com o governador de São Paulo,
Geraldo Alckmin (PSDB), com o objetivo de
desenhar o esboço de um eventual programa
de governo.
Em matéria publicada em 9 de janeiro, o
jornal Valor Econômico anunciou:
"Alckmin toma aulas para campanha".
Segundo a matéria, o ex-presidente do
BNDES e ex-ministro Luiz Carlos Mendonça
de Barros já se destaca como provável
homem forte da "República dos
Bandeirantes".
Além de Barros
(ex-ministro
das Comunicações de FHC),
já
participaram de reuniões da “República dos
Bandeirantes”, entre outros: Armínio Fraga
(ex-presidente do Banco Central), Paulo
Renato de Souza (ex-ministro da Educação
de FHC), Roberto Giannetti da Fonseca
(empresário, ex-secretário executivo da
Câmara de Comércio Exterior), Sérgio
Amaral (ex-ministro do Desenvolvimento e
ex-porta-voz da Presidência da República
durante o governo FHC), Xico Graziano
(ex-presidente do Incra e ex-secretário da
Agricultura de São Paulo), Arnaldo Madeira
(ex-líder de FHC na Câmara e atual
secretário da Casa Civil de SP), Raul
Velloso (especialista em contas públicas)
e José Pastore (sociólogo, especialista em
relações do trabalho). As “aulas” deste
grupo a Alckmin têm um objetivo claro: “o
governador está em processo de
entendimento dos problemas nacionais”,
disse Mendonça de Barros ao Valor.
Déficit nominal zero
Repercutindo
o mesmo tema, a Folha de S.Paulo
publicou em 10 de janeiro: “Alckmin já
prepara plano econômico”. A matéria também
fala das reuniões da “República dos
Bandeirantes”, destacando conversas de
Alckmin com Armínio Fraga e o economista
Yoshiaki Nakano, da FGV (Fundação Getúlio
Vargas). Segundo a Folha,
“Alckmin pretende utilizar na campanha as
lições que tem recebido”. “Ele tem
defendido, por exemplo, a idéia de déficit
nominal zero, uma proposta antiga de
Yoshiaki Nakano, um dos seus
interlocutores mais freqüentes”,
acrescenta. Segundo essa proposta, o
governo teria que ter receitas para pagar
todas as suas despesas, incluindo aí os
gastos com juros da dívida pública. Como
não há espaço para aumento da carga
tributária, a proposta prevê o corte de
despesas pelo governo e o aumento do
limite de desvinculação de receitas da
União.
Além de
procurar “entender os problemas
nacionais”, Alckmin também teria como
objetivo, através das reuniões, demarcar
aquela que seria uma de suas principais
diferenças em relação ao prefeito de São
Paulo, José Serra, outro líder tucano que
postula a candidatura à presidência da
República. Serra seria centralizador e
Alckmin um gestor moderno que governaria
com especialistas.
As idéias
dos especialistas ouvidos por Alckmin dão
uma idéia da agenda tucana para o país que
está em construção. Roberto Giannetti da
Fonseca, por exemplo, segundo a reportagem
do Valor Econômico, é “pouco
simpático ao Mercosul no formato atual,
cobra evolução mais rápida dos acordos
comerciais com a Alca e as negociações com
a União Européia”. Já o sociólogo José
Pastore “propõe uma reforma trabalhista
radical, com corte de encargos e
direitos”. Além disso, é um crítico da
obrigatoriedade do abono de férias e o
pagamento do Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço (FGTS) no formato atual. O
deputado Xico Graziano, por sua vez,
defende a fusão dos Ministérios da
Agricultura e do Desenvolvimento Agrário e
a criação de uma agência reguladora
voltada exclusivamente para o agronegócio.
E Raul Velloso propõe a redução de
despesas constitucionalmente obrigatórias
em áreas como saúde e educação.
"Choque
de gestão" e privatizações
Apontado
como “homem forte” do grupo, Luiz Carlos
Mendonça de Barros defende uma redução
mais rápida da taxa de juros para conter a
valorização do real. Considerado um dos
principais representantes da ala
desenvolvimentista do governo FHC – que
acabou derrotada pela ala do ex-ministro
Pedro Malan – Mendonça de Barros não
propõe mudanças profundas em relação ao
modelo atual. Se, por um lado, é crítico
da política de juros praticada hoje pelo
Banco Central, por outro, ficou ao lado do
ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na
recente polêmica com a ministra-chefe da
Casa Civil, Dilma Rousseff, crítica da
tese do déficit nominal zero e defensora
do aumento de investimentos nas áreas
social e de infra-estrutura. Caso Alckmin
seja o candidato tucano, um dos
carros-chefe de seu programa deve ser o
discurso do “choque de gestão” a ser
aplicado no Estado brasileiro, proposta
que representa uma variação das teses do
estado mínimo.
Outra
proposta da agenda tucana para o país que
caminha nesta direção diz respeito às
privatizações. Em entrevista concedida ao
jornal O Globo (edição de 15 de
janeiro), ao ser indagado se pretendia
retomar a política de privatizações
implementada pelo governo FHC, Alckmin
respondeu positivamente e citou os bancos
estaduais entre suas prioridades. “A
maioria já foi privatizada, mas deveriam
ser todos. Tem muita coisa que se pode
avançar. Susep, sistema de seguros, tem
muita coisa que se pode privatizar”,
respondeu. Perguntado se os Correios
estariam nesta lista de empresas
privatizáveis, o governador paulista foi
mais cauteloso, mas não descartou a
possibilidade. “Correios acho que teria
que amadurecer um pouco. Tem muita coisa
que não precisa privatizar”, afirmou sem
especificar quais. E, além das
privatizações, acrescentou que pretende
valorizar as parcerias público-privadas em
um eventual governo tucano.
Política Externa: prioridade para a Alca
Mas uma das
principais diferenças em relação ao
governo Lula aparece mesmo é no plano da
política externa, onde os tucanos criticam
a proximidade com o governo de Hugo Chávez,
da Venezuela, e defendem a retomada das
negociações da Alca com os EUA. Após a
palestra realizada pelo presidente George
W. Bush, durante sua visita a Brasília, no
início de novembro, o líder do PSDB no
Senado, Arthur Virgílio (AM) elogiou a
fala do líder norte-americano, destacando
a questão da Alca.
Na avaliação do senador tucano, essa
aliança comercial é de interesse do Brasil
e “deve ser buscada e perseguida e não
suportada ou adiada”. Para Virgílio, a
Alca surgirá com ou sem o Brasil. “Sem o
Brasil, fará a alegria do México”,
comentou, defendendo que a prioridade da
política externa brasileira deveria fazer
um pacto político com os EUA em troca de
vantagens comerciais claras, incluindo aí
a queda de barreiras alfandegárias.
Em relação
ao governo Chávez, a posição tucana ficou
muito clara nas palavras de Virgílio. Para
ele, Chávez só se sustenta na Venezuela
“graças às milícias que procuram intimidar
as oposições e ao alto preço do petróleo”.
A simpatia do PSDB em relação à Alca
manifesta-se também através de outras
iniciativas. Em 2003, o governador de
Minas Gerais, Aécio Neves, encaminhou
correspondência ao presidente Lula
apresentando a candidatura de Belo
Horizonte para abrigar a sede permanente
da secretaria geral da Alca.
Na carta, Aécio defendeu, entre outras
coisas, que o Brasil deveria incluir, na
sua pauta de negociação sobre a criação da
área de livre comércio hemisférica a
proposta de trazer para cá a sede da
organização. “A questão da cidade-sede da
área de livre comércio torna-se
particularmente estratégica. São evidentes
os ganhos oriundos de abrigar a Alca não
apenas para Minas Gerais, mas para todo o
Brasil”, escreveu o governador mineiro.
Essas são algumas das idéias e prioridades
que estão sendo alimentadas no ninho
tucano para disputar o voto dos
brasileiros este ano.
Fonte:
Agência Carta Maior
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