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Brasil, sábado, 4 de julho de 2009

5 DE dezembro DE 2005

HISTÓRIA ESCONDIDA

Mato Grosso do Sul briga por abertura de arquivos da ditadura



O CDDH (Centro de Defesa dos Direitos Humanos) vai lançar em conjunto com a OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul) e Cedampo (Centro de Apoio aos Movimentos Populares), pelo Fórum Permanente de Entidades Civis de Direitos humanos em Mato Grosso do Sul, no próximo dia 9, às 20h, no centro cultural de Campo Grande (rua 26 de agosto, teatro Rubes Correa), uma campanha pedindo a abertura dos arquivos da ditadura militar em Mato Grosso do Sul. A intenção é de permitir o acesso dos arquivos do período, colocando cópias dos documentos à disposição de interessados em um arquivo público Estadual, frisa o autor da proposta, Lairson Palermo, dirigente estadual do PCdoB em MS e da coordenação do Fórum Permanente de Entidades Civis de direitos humanos, onde representa a OAB/MS, como membro da Comissão permanente de direitos Humanos “Ricardo Brandão”.

O presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos e assessor jurídico do Centro de Defesa dos Direitos Humanos, Joatan Loureiro, defende que ao colocar os arquivos à disposição, haverá uma redução da dificuldade, principalmente da população de baixa renda, de acessar os arquivos para pesquisa, muitas vezes acadêmica. “É um momento de resgate à história brasileira”.

O Movimento também tem a intenção de pedir o tombamento de locais usados para torturas – uma maneira de não deixar com que as pessoas esqueçam da luta pela democracia. Ainda não foram identificados quais seriam os locais.

Além do resgate à história, o acesso aos documentos facilitará com que mais pessoas adquiram provas das lesões e violações ocorridas em MS(antigo MT) e entrem com pedido de declaração da condição de anistiados e possam pedir indenizações por perseguição, tortura, e outros crimes sofridos durante a ditadura militar. “Não temos intenção de fazer uma indenização coletiva”, pondera Lairson Palermo, da Comissão de Direitos Humanos da OAB. “Cada prejudicado poderá requerer a condição de anistiado e se quiser entrar com pedido individual, se tiver esse interesse”.

Segundo ele, menos de 10 pessoas foram formalmente consideradas e declaradas anistiadas e indenizadas em Mato Grosso do Sul. As pessoas que sofreram algum tipo de perseguição política pelo regime militar durante o período podem na esfera administrativa ou podem conseguir tentar indenizações maiores na esfera judicial. “Centenas de pessoas em Mato Grosso do Sul poderão ser declaradas anistiadas e conseguir uma indenização com o livre acesso aos arquivos”, afirmou Palermo.

Para ele, a abertura dos arquivos fortalece a sociedade civil. “Queremos fazer um movimento da sociedade civil, pois em épocas de predomínio de idéias obscurantistas, como a que vivemos precisamos estar vigilante em defesa da democracia, da república e repudiar as investidas de grupos dentro do Estado e da máquina pública com objetivos de perseguição política, isto é coisa do passado e assim deve ser tratada com o protagonismo da sociedade civil contra qualquer tipo de ato arbitrário contra as liberdades coletivas e individuais do brasileiros”.

O lançamento da campanha pela abertura dos arquivos será no Centro Cultural de Campo Grande. O movimento em prol da abertura dos processos irá até Brasília para encaminhar a reivindicação da abertura dos processos ao governo federal através da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, que é quem representa o governo nas discussões pela abertura dos arquivos.

Para algumas vítimas de perseguição política, a ditadura militar, em parte não acabou. “A pressão ainda existe. Temos a impressão de que os nossos telefones estão grampeados”, afirmou o articulador político do CDDH, Marcelo Brito dos Santos. A perseguição é feita, segundo ele, por membros do extinto SNI (Serviço Nacional de Informações), infiltrados em diversas órgãos.

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