|
O secretário de Comércio dos Estados Unidos,
Carlos Gutierrez, disse que "algum dia" um
acordo para a Área de Livre Comércio das
Américas (Alca) será assinado, apesar da
reticência de alguns países do continente e
os prognósticos que já a dão como morta. "As
conversas estão evoluindo, e chegará o
momento adequado para firmarmos o acordo"
disse Gutierrez. Segundo ele, a maioria de
países do continente são favoráveis ao
projeto. "O que vimos é que 29 dos 34 países
presentes votaram a favor do acordo", disse
ele ao ser perguntado sobre a falta de
consenso sobre a Alca na recente Cúpula das
Américas realizada em Mar de Plata
(Argentina).
Gutierrez também apóia sua argumentação
nos acordos bilaterais. "Temos um tratado
com a América Central, outro com a República
Dominicana, mantemos relações com o Chile e
o Pacto Andino, e iniciamos contatos com o
Panamá", afirmou. Esses acordos "são parte
de um todo que se completará", disse antes
de lembrar que 85% das exportações dos
Estados Unidos se dirigem ao resto das
nações do continente.
O secretário de Comércio não quis, no
entanto, estabelecer um prazo concreto para
a assinatura da Alca, que, segundo deu a
entender, não aconteceu ainda devido a
razões políticas. "É difícil compreender
argumentos econômicos que se opõem a um
acordo que permitirá a criação de empregos e
um aumento da prosperidade da região",
afirmou. Os países do Mercosul -Argentina,
Brasil, Paraguai e Uruguai- afirmaram em Mar
del Plata que não é conveniente retomar as
negociações da Alca, antes de serem
conhecidos os resultados da reunião que a
Organização Mundial do Comércio (OMC)
realizará em dezembro em Hong Kong para
incentivar a liberalização do comércio
global.
Gigantesca manifestação
O presidente norte-americano, George W.
Bush, se reuniu com os presidentes do
Canadá, México e Peru, países que apóiam a
retomada das negociações da Alca durante a
Cúpula do Fórum Econômico Ásia-Pacífico (Apec)
que ocorreu na cidade sul-coreana de Pusan
na semana passada. A reunião de Bush com o
primeiro-ministro canadense, Paul Martin, e
os presidentes peruano, Alejandro Toledo, e
mexicano, Vicente Fox, foi interpretada como
um desagravo a este último, cujo
enfrentamento verbal com o presidente
Venezuelano Hugo Chávez motivou a retirada
dos embaixadores de seus respectivos países
em Caracas e México.
Durante uma gigantesca manifestação em
caracas, anteontem (19), Chávez disse o
governo Bush não conseguirá impor seu
projeto. "Os Estados Unidos fracassaram em
sua tentativa de nos impor a Alca na
Argentina, e por isso colocaram sua
estratégia para nos dividir", disse. Chávez
afirmou que a América Latina está
"despertando" e que essa mudança será mais
palpável no final de 2006, quando terminarem
as eleições presidenciais que acontecerão no
Chile, Bolívia, Nicarágua, México, Colômbia,
Equador e Venezuela, entre outros.
Cinco braços levantados
Para ilustrar essa tendência de
transformação, Chávez lembrou que na Cúpula
das Américas do ano 2000, realizada no
Canadá, apenas a Venezuela ficou contra a
Alca, enquanto agora também há a oposições
do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
"Temos que nos libertar do colonialismo.
Temos que mandar a Alca para o inferno.
Preferimos morrer mil vezes antes de nos
converter outra vez em colônia americana",
disse o presidente venezuelano.
"Estou absolutamente certo de que, à
medida que passarem os meses, esses cinco
braços levantados dizendo não à Alca
aumentarão, e seremos mais presidentes
comprometidos com os interesses de nossos
povos", acrescentou Chávez. O presidente
venezuelano advertiu que os Estados Unidos
não vão parar em seu empenho de impor seu
modelo, e previu novas dificuldades e crise
na região, dirigidas a partir de Washington.
Chávez disse que os países que se somarem à
Alca "estarão colocando uma corda no
pescoço".
Com agências
internacionais
|