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Brasil, quinta-feira, 28 de agosto de 2008

21 de novembro de 2005

Imperialismo
Secretário de Comércio diz que EUA venecerão resistência à Alca


O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Carlos Gutierrez, disse que "algum dia" um acordo para a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) será assinado, apesar da reticência de alguns países do continente e os prognósticos que já a dão como morta. "As conversas estão evoluindo, e chegará o momento adequado para firmarmos o acordo" disse Gutierrez. Segundo ele, a maioria de países do continente são favoráveis ao projeto. "O que vimos é que 29 dos 34 países presentes votaram a favor do acordo", disse ele ao ser perguntado sobre a falta de consenso sobre a Alca na recente Cúpula das Américas realizada em Mar de Plata (Argentina).

Gutierrez também apóia sua argumentação nos acordos bilaterais. "Temos um tratado com a América Central, outro com a República Dominicana, mantemos relações com o Chile e o Pacto Andino, e iniciamos contatos com o Panamá", afirmou. Esses acordos "são parte de um todo que se completará", disse antes de lembrar que 85% das exportações dos Estados Unidos se dirigem ao resto das nações do continente.

O secretário de Comércio não quis, no entanto, estabelecer um prazo concreto para a assinatura da Alca, que, segundo deu a entender, não aconteceu ainda devido a razões políticas. "É difícil compreender argumentos econômicos que se opõem a um acordo que permitirá a criação de empregos e um aumento da prosperidade da região", afirmou. Os países do Mercosul -Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai- afirmaram em Mar del Plata que não é conveniente retomar as negociações da Alca, antes de serem conhecidos os resultados da reunião que a Organização Mundial do Comércio (OMC) realizará em dezembro em Hong Kong para incentivar a liberalização do comércio global.

Gigantesca manifestação

O presidente norte-americano, George W. Bush, se reuniu com os presidentes do Canadá, México e Peru, países que apóiam a retomada das negociações da Alca durante a Cúpula do Fórum Econômico Ásia-Pacífico (Apec) que ocorreu na cidade sul-coreana de Pusan na semana passada. A reunião de Bush com o primeiro-ministro canadense, Paul Martin, e os presidentes peruano, Alejandro Toledo, e mexicano, Vicente Fox, foi interpretada como um desagravo a este último, cujo enfrentamento verbal com o presidente Venezuelano Hugo Chávez motivou a retirada dos embaixadores de seus respectivos países em Caracas e México.

Durante uma gigantesca manifestação em caracas, anteontem (19), Chávez disse o governo Bush não conseguirá impor seu projeto. "Os Estados Unidos fracassaram em sua tentativa de nos impor a Alca na Argentina, e por isso colocaram sua estratégia para nos dividir", disse. Chávez afirmou que a América Latina está "despertando" e que essa mudança será mais palpável no final de 2006, quando terminarem as eleições presidenciais que acontecerão no Chile, Bolívia, Nicarágua, México, Colômbia, Equador e Venezuela, entre outros.

Cinco braços levantados

Para ilustrar essa tendência de transformação, Chávez lembrou que na Cúpula das Américas do ano 2000, realizada no Canadá, apenas a Venezuela ficou contra a Alca, enquanto agora também há a oposições do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. "Temos que nos libertar do colonialismo. Temos que mandar a Alca para o inferno. Preferimos morrer mil vezes antes de nos converter outra vez em colônia americana", disse o presidente venezuelano.

"Estou absolutamente certo de que, à medida que passarem os meses, esses cinco braços levantados dizendo não à Alca aumentarão, e seremos mais presidentes comprometidos com os interesses de nossos povos", acrescentou Chávez. O presidente venezuelano advertiu que os Estados Unidos não vão parar em seu empenho de impor seu modelo, e previu novas dificuldades e crise na região, dirigidas a partir de Washington. Chávez disse que os países que se somarem à Alca "estarão colocando uma corda no pescoço".

Com agências internacionais
 

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