O Brasil deu, pela primeira vez, uma clara
indicação sobre sua disposição de corte nas
tarifas industriais para a Rodada Doha da
Organização Mundial do Comércio (OMC). O
ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, sinalizou que aceitaria cortar 50%
nessas tarifas, desde que a União Européia (UE)
aceitasse uma redução média de 54% nas suas
alíquotas para produtos agrícolas - até
agora, os europeus ofereceram corte médio de
39%. A UE se recusou a melhorar sua proposta
e a reunião resultou em novo fiasco.A
reunião ministerial do G4 - Brasil, Índia,
Estados Unidos e União Européia -, em
Londres, terminou em tom de irritação entre
o ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, e o comissário de Comércio europeu,
Peter Mandelson. Após mais de seis horas de
encontro, todos os negociadores se disseram
satisfeitos com o fato de, pela primeira
vez, terem discutido outras modalidades da
Rodada Doha, isto é, produtos não-agrícolas
(Nama, na sigla em inglês) e serviços.
Mas, ao ser perguntado sobre o que tinha
achado do movimento do Brasil em Nama,
Mandelson riu e disse: "Não discutimos nem a
proposta da União Européia quanto mais a do
Brasil. Esse país..." O ministro Amorim, no
entanto, rebateu em tom de irritação. "Não
houve movimentos, mas, sim, idéias. Todos
concordamos que temos que trabalhar em todas
as modalidades. Concordamos que não vamos
baixar o nível das ambições da Rodada. Se
necessário nós podemos baixar a expectativa
para Hong Kong. Ao invés de fazer dois
terços fazemos só metade da Rodada", disse.
Com informações do
jornal Valor Econômico e da
agência BBC Brasil
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