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Brasil, quinta-feira, 28 de agosto de 2008

9 de novembro de 2005

Economia
Brasil quer reforçar o Mercosul e critica o México pela Alca

O Brasil considera que o Mercosul deve ir "além da retórica" para acelerar o processo de integração do bloco regional, segundo o secretário de Assuntos Internacionais da Presidência brasileira, Marco Aurélio Garcia. Em entrevista publicada ontem (8) pelo jornal argentino La Nación, Garcia criticou a postura do México em favor da ativação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), assunto que foi motivo de ásperas controvérsias durante a cúpula de presidentes do continente realizada na semana passada em Mar del Plata (Argentina). "Estão sendo feitas algumas coisas, mas é preciso passar um pente para ver o que é o que está faltando e acelerar o processo de integração" do Mercosul, destacou.

Garcia, o principal assessor de política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o bloco que seu país integra junto com Argentina, Paraguai e Uruguai "está precisando ir além da retórica". Ele deu a entender que o governo brasileiro está preocupado com a apatia, motivo pelo qual trabalha em propostas para "relançar" o bloco, cuja presidência temporária está nas mãos do Uruguai e passará à Argentina em dezembro. "É necessário começar a trabalhar mais com um modelo similar ao da União Européia", disse em referência à necessidade de o Mercosul ter "uma institucionalização maior" e "estruturas mais sólidas".

Garcia negou que o Mercosul tenha sido responsável pelas controvérsias que fizeram com que a 4º Cúpula das Américas acabasse no sábado com fortes divergências sobre a ativação da Alca, projeto impulsionado pelos Estados Unidos. O encontro de presidentes americanos acabou com um documento no qual o Mercosul e a Venezuela rejeitaram a Alca. "Os adjetivos pouco importam", afirmou Garcia ao responder se a Alca "está morta", como disse o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, antes e depois da cúpula de Mar del Plata. "O que interessa é a questão essencial: há muito tempo defendemos a idéia de que é necessário que os países ricos reduzam os subsídios agrícolas e as barreiras ao comércio. Não valia a pena falar de datas de lançamento, que é algo secundário", ressaltou.

Outros

O secretário de Assuntos Internacionais da Presidência do Brasil afirmou que, durante o encontro americano, "foram outros os que radicalizaram suas posições", em referência ao México. "Eles vieram dizendo: faremos a Alca com ou sem o Mercosul", ressaltou ao indicar que o presidente mexicano, Vicente Fox, propôs uma "solução instantânea" para retomar o projeto de abertura do comércio no continente americano, que deveria ter começado este ano.

Ele disse, além disso, que a postura do México "é muito estranha" porque, "por um lado, pede a entrada no Mercosul e, por outro, faz uma proposta como essa" (de reativar a Alca). Garcia assegurou que não se falou de retomar as negociações comerciais entre o Mercosul e os Estados Unidos durante as reuniões que Lula com o presidente americano, George W. Bush, no fim de semana passado em Brasília. "Não acho que eles vetariam algo assim, mas temos a impressão de que os Estados Unidos sabem que não há possibilidades de discutir nada até que não chegue a um acordo sobre os subsídios agrícolas", comentou.

Com agências internacionais
 

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