O Brasil considera que o Mercosul deve ir
"além da retórica" para acelerar o processo
de integração do bloco regional, segundo o
secretário de Assuntos Internacionais da
Presidência brasileira, Marco Aurélio
Garcia. Em entrevista publicada ontem (8)
pelo jornal argentino La Nación,
Garcia criticou a postura do México em favor
da ativação da Área de Livre Comércio das
Américas (Alca), assunto que foi motivo de
ásperas controvérsias durante a cúpula de
presidentes do continente realizada na
semana passada em Mar del Plata (Argentina).
"Estão sendo feitas algumas coisas, mas é
preciso passar um pente para ver o que é o
que está faltando e acelerar o processo de
integração" do Mercosul, destacou.
Garcia, o principal assessor de política
externa do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, afirmou que o bloco que seu país
integra junto com Argentina, Paraguai e
Uruguai "está precisando ir além da
retórica". Ele deu a entender que o governo
brasileiro está preocupado com a apatia,
motivo pelo qual trabalha em propostas para
"relançar" o bloco, cuja presidência
temporária está nas mãos do Uruguai e
passará à Argentina em dezembro. "É
necessário começar a trabalhar mais com um
modelo similar ao da União Européia", disse
em referência à necessidade de o Mercosul
ter "uma institucionalização maior" e
"estruturas mais sólidas".
Garcia negou que o Mercosul tenha sido
responsável pelas controvérsias que fizeram
com que a 4º Cúpula das Américas acabasse no
sábado com fortes divergências sobre a
ativação da Alca, projeto impulsionado pelos
Estados Unidos. O encontro de presidentes
americanos acabou com um documento no qual o
Mercosul e a Venezuela rejeitaram a Alca.
"Os adjetivos pouco importam", afirmou
Garcia ao responder se a Alca "está morta",
como disse o presidente da Venezuela, Hugo
Chávez, antes e depois da cúpula de Mar del
Plata. "O que interessa é a questão
essencial: há muito tempo defendemos a idéia
de que é necessário que os países ricos
reduzam os subsídios agrícolas e as
barreiras ao comércio. Não valia a pena
falar de datas de lançamento, que é algo
secundário", ressaltou.
Outros
O secretário de Assuntos Internacionais
da Presidência do Brasil afirmou que,
durante o encontro americano, "foram outros
os que radicalizaram suas posições", em
referência ao México. "Eles vieram dizendo:
faremos a Alca com ou sem o Mercosul",
ressaltou ao indicar que o presidente
mexicano, Vicente Fox, propôs uma "solução
instantânea" para retomar o projeto de
abertura do comércio no continente
americano, que deveria ter começado este
ano.
Ele disse, além disso, que a postura do
México "é muito estranha" porque, "por um
lado, pede a entrada no Mercosul e, por
outro, faz uma proposta como essa" (de
reativar a Alca). Garcia assegurou que não
se falou de retomar as negociações
comerciais entre o Mercosul e os Estados
Unidos durante as reuniões que Lula com o
presidente americano, George W. Bush, no fim
de semana passado em Brasília. "Não acho que
eles vetariam algo assim, mas temos a
impressão de que os Estados Unidos sabem que
não há possibilidades de discutir nada até
que não chegue a um acordo sobre os
subsídios agrícolas", comentou.
Com agências
internacionais
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