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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

7 de novembro de 2005

livre comércio
Bush: reduziremos subsídios se os europeus também o fizerem
 

A primeira visita de George W. Bush ao Brasil foi rápida, cercada de seguranças, mas também produtiva. O presidente americano afirmou em coletiva com a imprensa que ouviu, "alto e claro", o "recado" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto aos subsídios agrícolas praticados por países desenvolvidos. Segundo ele, os Estados Unidos estão dispostos a reduzir esses subsídios se receberem o mesmo tratamento dos países europeus.

Ainda falando sobre comércio, o chefe de Estado norte-americano disse que continuaram no Brasil as discussões que tiveram na Argentina, durante a 4ª Cúpula das Américas - que terminou no último sábado (5/11). "Existe uma oportunidade de avançar no comércio, e concordamos em discutir como podemos trabalhar juntos para competir com países como China ou Índia. É do nosso interesse construir uma agenda única de negócios - eu chamo isso de Acordo de Livre Comércio das Américas; vocês chamam de Alca. O presidente Lula disse: "Veja, vamos trabalhar juntos em Doha e ver como vai, depois vamos continuar trabalhando no Acordo de Livre Comércio das Américas".

O próximo passo da Rodada Doha, que é um acordo de comércio mundial, será uma reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio no mês que vem em Hong Kong. De acordo com Bush, o êxito da Rodada Doha irá abrir mercados para os países em desenvolvimento e retirará milhões de pessoas da pobreza. "Precisamos levar as negociações de Doha ao êxito. Há muito em jogo, e todos vão ganhar", afirmou para uma platéia de empresários, ministros e empresários.

Bush afirmou ainda que concorda com Lula de que é preciso reduzir os subsídios agrícolas. De acordo com ele, os Estados Unidos apresentaram à Organização Mundial do Comércio uma proposta "ambiciosa" de diminuir drasticamente os subsídios em uma primeira fase e eliminá-los em um período de 15 anos. "Os países que adotam o comércio livre se desenvolvem com mais facilidade que aqueles que adotam o protecionismo".

O presidente passou o domingo em Brasília e logo no início da manhã esteve com jovens líderes escolhidos pela embaixada dos Estados Unidos. Depois, se encontrou com o presidente Lula. Após uma declaração à imprensa, onde trocaram elogios, Bush pôde experimentar o churrasco brasileiro na Granja do Torto. "A presença do presidente Bush entre nós expressa, em grau elevado, o aprofundamento do diálogo entre nossos governos", disse Lula.

Importante aliado

Bush também lembrou quando Lula esteve em Washington. "Eu fiquei impressionado com o seu comprometimento com o programa Fome Zero". Bush também disse estar impressionado com as reformas econômicas promovidas pelo governo brasileiro, agradeceu o comprometimento do Brasil com o Haiti e espera que o governo brasileiro possa estar presente para garantir eleições livres e justas naquele país.

Bush destacou que o Brasil tem se mostrado forte na luta contra o narcotráfico e o terrorismo, mantendo as garantias constitucionais em mente. "Nós sempre mantivemos os direitos humanos à frente de nossa política. Mas também sabemos que precisamos trabalhar juntos para impedir aqueles que pretendem matar inocentes".

A visita serviu para estreitar as relações e nenhum acordo foi assinado. Em comunicado conjunto, os presidentes ressaltaram os laços mais estreitos e profundos entre os dois países baseados em valores e objetivos comuns, como promoção da democracia e luta contra o terrorismo. "Eu venho porque quero mandar um sinal de que a relação entre Brasil e EUA é importante. O Brasil é um amigo dos EUA. O Brasil é importante para criar as condições para fazer um continente de paz. É natural que trabalhemos com o maior país dessa vizinhança", disse durante encontro com jovens líderes.

Subsídios agrícolas

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, depois da redução dos subsídios agrícolas nas exportações, o tema que mais interessa ao Brasil é o acesso ao mercado. A afirmação foi feita após ouvir o último discurso no Brasil do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, no hotel Blue Tree.

Questionado sobre a expectativa de um discurso mais forte do líder norte-americano, Furlan respondeu que Bush "deixou claro" a intenção dos Estados Unidos em reduzir os subsídios durante o encontro privado que teve com o presidente Lula. "Aqui ele não falou para os brasileiros, mas para os seus concidadãos americanos. Fez um texto mais equilibrado."

O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, que também esteve na palestra, afirmou que o Brasil espera que a proposta dos norte-americanos de reduzir os subsídios em uma primeira fase e depois liquidá-los a longo prazo seja uma forma de pressionar os europeus "a fazer um gesto na mesma direção".

Para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o encontro entre os presidentes Lula e Bush teve um clima excelente e de grande franqueza. Ele comentou que prova disso foi a reunião privada, onde foram tratados temas regionais e globais, que deveria durar 30 minutos, mas se estendeu por cerca de uma hora e meia.

Na ocasião, Lula mostrou ao presidente dos Estados Unidos um mapa do Brasil e apontou a área onde foi detectado foco de aftosa. De acordo com Amorim, a reforma das Nações Unidas também foi tema da conversa. "Bush reafirmou tranqüilidade por uma reforma mais ampla da Organização das Nações Unidas, que não fique restrita ao Conselho de Segurança", informou. "O que disse é encorajador para que continuemos a lutar por essa reforma", completou. O Brasil luta por uma vaga no Conselho de Segurança das Nações Unidas, que hoje possui apenas cinco membros permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, China, França e Rússia.

Declaração conjunta

Fortalecer os compromissos bilaterais entre Brasil e Estados Unidos é um dos tópicos da declaração conjunta do governo brasileiro e norte-americano. A declaração, que tem 13  itens, trata das negociações na Organização Mundial do Comércio, reforma das Nações Unidas e Área de Livre Comércio das Américas. Veja, abaixo, alguns pontos da declaração:

  • Os presidentes enfatizaram a prioridade conferida por ambos os governos à reforma das Nações Unidas para torná-la mais eficiente e sintonizada com a realidade contemporânea. Concordaram em trabalhar juntos em temas como a reforma administrativa, bem como a criação do Conselho de Direitos Humanos e da Comissão para Construção da Paz. Sobre a reforma do Conselho de Segurança, na qual o Brasil vem trabalhando, a declaração diz que será estabelecida uma coordenação estreita sobre a questão.

     
  • Os presidentes reafirmaram o compromisso de trabalhar a fim de garantir um resultado positivo na Conferência Ministerial da OMC, que será realizada em Hong Kong, em dezembro de 2005, bem como por uma conclusão bem sucedida da Rodada Doha até o fim de 2006. Segundo a declaração, o presidente Lula acolheu, com satisfação, o pronunciamento feito pelo presidente Bush na Reunião Plenária de Alto Nível das Nações Unidas em 2005, no qual se reafirmou que os Estados Unidos estão prontos para eliminar as tarifas, os subsídios e outras barreiras ao livre fluxo de bens e serviços, desde que outras nações procedam da mesma forma.

     
  • Os presidentes observaram, com satisfação, o crescimento do comércio bilateral e do investimento entre os EUA e o Brasil e comprometeram-se a incentivar os setores público e privado de seus respectivos países a aumentar e diversificar os fluxos bilaterais de bens e serviços. Para tanto, manifestaram expectativa de incrementar substancialmente o comércio até 2010.

     
  • Concordaram em reforçar a cooperação bilateral para combater o narcotráfico, o tráfico de animais silvestres, o terrorismo e a lavagem de dinheiro, com ênfase na troca de informações entre as unidades de inteligência financeira dos dois países e na definição de mecanismos para recuperação de ativos resultantes de ilícitos transnacionais.

     
  • Os presidentes observaram a importância de prosseguir com os esforços para promover a liberalização do comércio, reafirmaram o compromisso com o processo da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), baseados no marco de Miami (referindo-se ao acordo entre Mercosul e Estados Unidos), e manifestaram a expectativa pela oportuna retomada das negociações. Notaram que a aproximação entre os países sul-americanos contribui para os objetivos de integração regional no âmbito latino-americano e das Américas como um todo.

     
  • Na área de saúde, reconheceram a necessidade de estruturação do diálogo bilateral e indicaram o desejo de realizar ações conjuntas para combater o HIV/AIDS, a malária e a tuberculose, desenvolver estratégias para o tratamento de doenças não contagiosas e enfrentar a ameaça da gripe aviária.

     
  • Os presidentes afirmaram o compromisso de assegurar que estabilidade política, democracia e desenvolvimento se estabeleçam de forma permanente no Haiti.

     
  • Os presidentes observaram, com satisfação, as atividades dos Grupos de Trabalho sobre crescimento econômico, agricultura e energia, criados em junho de 2003. Comprometeram-se igualmente a intensificar os diálogos e a cooperação existentes em ciência e tecnologia, educação, meio ambiente e promoção do comércio e do investimento.
  • Panamá

    O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, entrou no avião presidencial Air Force One a caminho do Panamá ontem a noite. Bush ficou menos de 24 horas no Brasil.

    A breve passagem do norte-americano gerou protestos em diversas cidades brasileiras. Brasília, a única cidade onde esteve, organizou um esquema de segurança envolvendo mais de 2 mil pessoas, incluindo atiradores de elite, helicópteros, cães farejadores, o serviço secreto, o esquadrão anti-bombas e o esquadrão contra a guerra química norte-americanos.

    Pequenas manifestações foram feitas na cidade, com destaque para um grupo que reuniu em frente à residência oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pouco antes de um encontro entre os dois líderes. Na ocasião, a polícia deteve um manifestante por desacato à autoridade.

    Com informações da Agência Brasil.

     

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