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Cerca de 60 mil pessoas de toda a América
Latina marcharam ontem e deram o último
golpe certeiro contra a implementação da
Área de livre Comércio das Américas (Alca) e
a política imperialista de George W. Bush
para a região.
Logo cedo a concentração começou. Chegarram à cidade de trem pela manhã,
no
apelidado Expresso da Alba, o presidente
Hugo Chávez, o ex-jogador argentino de
futebol Diego Maradona, o candidato favorito
à presidência da Bolívia e líder indígena
Evo Morales, o diretor de cinema bósnio Emir
Kusturica, o escritor e deputado argentino
Miguel Bonasso e o cantor cubano Vitor
Heredia, além de dezenas de personalidades.
O expresso integracionista foi direto para
o Estádio Mundialista onde iniciou um ato
contra a Alca e o imperialismo
norte-americano na região. O evento fez
parte da programação oficial da 3ª Cúpula
dos Povos.
Segundo Chávez, a partir de agora a
cidade de Mar del Plata é a sepultura da
Alca. "Aqui em Mar del Plata está a tumba da
Alca". O líder bolivariano falou durante
duas horas.
Chávez ressaltou que foram os povos
latino-americanos que enterraram o "projeto
de anexação dos Estados Unidos que deveria
entrar em vigor em janeiro próximo". Ele
afirmou que além de sepultar a Alca, os
homens e mulheres do século 21 têm um
desafio de maior dimensão: converter num
enterramento do modelo capitalista
neoliberal que arremete desde Washington
contra América Latina. "Ganhamos a batalha
da Alca, mas temos que enterrar o
neoliberalismo e parir a Alba (Alternativa
Bolivariana para as Américas), a verdadeira
integração libertadora", enfatizou o
presidente em alusão a contraproposta de seu
governo. E convocou os povos da região a
transformar o sepultamento do modelo
neoliberal no nascimento do socialismo do
século 21.
Chávez também afirmou que somente através
da união os países da América Latina
conseguirão sua verdadeira independência.
"Só os povos unidos salvarão estas
terras", disse à imprensa antes de falar no
Estádio.
Organizações sociais uruguaias,
mexicanas, brasileiras, argentinas,
paraguaias, bolivianas marcaram sua presença
na marcha contra a presença do presidente
dos Estados Unidos. Nos cartazes e faixas,
"Fora Bush e leve o Fundo Monetário
Internacional", "Bush: persona non grata" e
"Fora Bush".
Cuba
O chanceler cubano, Felipe Pérez Roque,
afirmou que o presidente dos EUA, George W.
Bush, tem "o que merece" em Mar del Plata,
porque é o governante "mais impopular" na
história de seu país. "Tem o que merece.
Recebe a marcha que merece, é o presidente
mais impopular da história dos Estados
Unidos, segundo a opinião pública
internacional", disse Pérez Roque, na cidade
de Santa Clara, 300 km a leste de Havana,
onde liderava um dia contra o embargo
econômico que mantém Washington contra a
ilha.
A marcha contra Bush "é a expressão de um
sentimento latino-americano, amplamente
difundido, de rejeição ao presidente dos
Estados Unidos, porque encarna os
sentimentos belicosos". O chefe da
diplomacia declarou que "Cuba apóia e sente
um enorme respeito pela Cúpula dos Povos,
onde estão sendo discutidos temas medulares
para a vida dos latino-americanos e
caribenhos, como a dívida externa, o perigo
da militarização e a oposição à Área de
Livre Comércio das Américas (Alca)". Já "a
outra cúpula (a das Américas), a oficial, é
dos Estados Unidos, e não achamos que terá o
menor impacto, não tem nada a oferecer",
completou.
Uruguai
Uma manifestação em repúdio à presença de
Bush na América Latina também aconteceu com
milhares de pessoas em Montevidéu. A
mobilização foi liderada por setores da
Frente Ampla, que integra o governo do
Uruguai. Os manifestantes expressaram também
sua divergência com a assinatura do Tratado
de Investimentos com os Estados Unidos que o
Uruguai ratificará durante a Cúpula de Mar
del Plata.
Com agências internacionais.
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