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Brasil, segunda-feira, 8 de setembro de 2008

5 de novembro de 2005

mar del plata

Cerca de 60 mil latino-americanos marcham contra Bush e a Alca

 

Cerca de 60 mil pessoas de toda a América Latina marcharam ontem e deram o último golpe certeiro contra a implementação da Área de livre Comércio das Américas (Alca) e a política imperialista de George W. Bush para a região.

Logo cedo a concentração começou. Chegarram à cidade de trem pela manhã, no apelidado Expresso da Alba, o presidente Hugo Chávez, o ex-jogador argentino de futebol Diego Maradona, o candidato favorito à presidência da Bolívia e líder indígena Evo Morales, o diretor de cinema bósnio Emir Kusturica, o escritor e deputado argentino Miguel Bonasso e o cantor cubano Vitor Heredia, além de dezenas de personalidades. O expresso integracionista foi direto para o Estádio Mundialista onde iniciou um ato contra a Alca e o imperialismo norte-americano na região. O evento fez parte da programação oficial da 3ª Cúpula dos Povos.

Segundo Chávez, a partir de agora a cidade de Mar del Plata é a sepultura da Alca. "Aqui em Mar del Plata está a tumba da Alca". O líder bolivariano falou durante duas horas.

Chávez ressaltou que foram os povos latino-americanos que enterraram o "projeto de anexação dos Estados Unidos que deveria entrar em vigor em janeiro próximo". Ele afirmou que além de sepultar a Alca, os homens e mulheres do século 21 têm um desafio de maior dimensão: converter num enterramento do modelo capitalista neoliberal que arremete desde Washington contra América Latina. "Ganhamos a batalha da Alca, mas temos que enterrar o neoliberalismo e parir a Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), a verdadeira integração libertadora", enfatizou o presidente em alusão a contraproposta de seu governo. E convocou os povos da região a transformar o sepultamento do modelo neoliberal no nascimento do socialismo do século 21.

Chávez também afirmou que somente através da união os países da América Latina conseguirão sua verdadeira independência. "Só os povos unidos salvarão estas terras", disse à imprensa antes de falar no Estádio.

Organizações sociais uruguaias, mexicanas, brasileiras, argentinas, paraguaias, bolivianas marcaram sua presença na marcha contra a presença do presidente dos Estados Unidos. Nos cartazes e faixas, "Fora Bush e leve o Fundo Monetário Internacional", "Bush: persona non grata" e "Fora Bush".

Cuba

O chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, afirmou que o presidente dos EUA, George W. Bush, tem "o que merece" em Mar del Plata, porque é o governante "mais impopular" na história de seu país. "Tem o que merece. Recebe a marcha que merece, é o presidente mais impopular da história dos Estados Unidos, segundo a opinião pública internacional", disse Pérez Roque, na cidade de Santa Clara, 300 km a leste de Havana, onde liderava um dia contra o embargo econômico que mantém Washington contra a ilha.

A marcha contra Bush "é a expressão de um sentimento latino-americano, amplamente difundido, de rejeição ao presidente dos Estados Unidos, porque encarna os sentimentos belicosos". O chefe da diplomacia declarou que "Cuba apóia e sente um enorme respeito pela Cúpula dos Povos, onde estão sendo discutidos temas medulares para a vida dos latino-americanos e caribenhos, como a dívida externa, o perigo da militarização e a oposição à Área de Livre Comércio das Américas (Alca)". Já "a outra cúpula (a das Américas), a oficial, é dos Estados Unidos, e não achamos que terá o menor impacto, não tem nada a oferecer", completou.

Uruguai

Uma manifestação em repúdio à presença de Bush na América Latina também aconteceu com milhares de pessoas em Montevidéu. A mobilização foi liderada por setores da Frente Ampla, que integra o governo do Uruguai. Os manifestantes expressaram também sua divergência com a assinatura do Tratado de Investimentos com os Estados Unidos que o Uruguai ratificará durante a Cúpula de Mar del Plata.

Com agências internacionais.

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