Bancada ligada ao governo pefelista continua
emperrando a CPI da Bahiatursa, requerida há
quase dois meses pela oposição.
Os deputados
de oposição ao governo carlista da Bahia
voltaram a cobrar enfaticamente, nesta
terça (1º/11) a imediata instalação
de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na
Assembléia Legislativa, para apurar os
indícios de irregularidades nas contas da
Empresa de Turismo da Bahia SA – Bahiatursa,
apontados pelo Tribunal de Contas do Estado
(TCE).
O pedido de
CPI foi formulado pelo deputado Álvaro Gomes
(PCdoB), no dia 20 de setembro, mas até hoje
os deputados da bancada governista emperram
sua tramitação e nenhum andamento foi dado
ao assunto. Álvaro voltou a afirmar hoje que,
ao contrário do que se espera, o Poder
Legislativo da Bahia não tem exercido uma de
suas principais funções, a de investigar e
evitar o mau uso do dinheiro público.
De acordo
com relatório do TCE, entre 2003 e abril de
2005, mais de R$ 100 milhões foram
repassados à Empresa de Turismo por meio de
conta bancária não registrada no sistema de
controle das contas públicas – Sistema de
Informações Contábeis e Financeiros (Sicof)
e no Sistema de Governo de Gastos Públicos (Sigap).
Desse total, cerca de R$ 48 milhões foram
depositados na conta da agência de
publicidade Propeg, cujo dono é ligado ao
carlismo e ao PFL.
O assunto
ganhou destaque nacional, esta semana, nas
revistas Época e Carta Capital.
Em reportagem de capa, a Carta Capital
destacou que esse dinheiro é quase o dobro
dos R$ 55 milhões movimentados por Marcos
Valério no chamado “esquema do mensalão”.
São citados
na reportagem da Carta CApital, entre outros, Antonio Carlos
Magalhães (PFL), ex-governador e senador;
Paulo Souto (PFL), governador; César Borges
(PFL), ex-governador; ACM Neto (PFL), deputado federal; Albérico Mascarenhas,
Secretário da Fazenda; Paulo Gaudenzi,
Secretário da Cultura e Turismo; Cláudio Taboada,
presidente da Bahiatursa; Fernando
Barros, dono da Propeg e Pedro Lino, conselheiro do TCE
e autor do relatório.
Oposição luta contra arbitrariedades
Para quem
conhece a política baiana, soa muito
estranho que o deputado ACM Neto, por
exemplo, continue posando como paladino da
moralidade na Câmara Federal, ocupando a
mídia com pedidos de apuração dos fatos em
Brasília, enquanto continua sem fazer a
lição de casa na Bahia. Para ser coerente,
deveria orientar seus correligionários do
Legislativo estadual a votarem a imediata
instalação da CPI da Bahiatursa.
Na Bahia,
acontecem coisas inexplicáveis e
arbitrárias. Para se ter idéia, até julho do
ano passado, a Assembléia Legislativa não
votava projetos de deputados, apenas os que
eram enviados pelo Executivo. A senha para a
fiscalização das contas do governo também
não foi até hoje disponibilizada para a
bancada oposicionista, apesar dos diversos
pedidos.
A Casa é uma
das poucas no Brasil que não possui a TV
Assembléia. Como se vê, a tentativa de
abafar a CPI da Bahiatursa é mais um
desmando cometido pelos correligionários do
carlismo.
De Salvador
Ney Sá e Priscila Dibai
da assessoria de Comunicação do
Gabinete do deputado Álvaro Gomes |