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Brasil, sábado, 4 de julho de 2009

4 DE NOVEMBRO DE 2005

Escândalo da Bahiatursa
Oposição cobra CPI no Legislativo baiano para investigar corrupção do PFL

Bancada ligada ao governo pefelista continua emperrando a CPI da Bahiatursa, requerida há quase dois meses pela oposição.

Os deputados de oposição ao governo carlista da Bahia voltaram a cobrar enfaticamente, nesta terça (1º/11) a imediata instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembléia Legislativa, para apurar os indícios de irregularidades nas contas da Empresa de Turismo da Bahia SA – Bahiatursa, apontados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O pedido de CPI foi formulado pelo deputado Álvaro Gomes (PCdoB), no dia 20 de setembro, mas até hoje os deputados da bancada governista emperram sua tramitação e nenhum andamento foi dado ao assunto. Álvaro voltou a afirmar hoje que, ao contrário do que se espera, o Poder Legislativo da Bahia não tem exercido uma de suas principais funções, a de investigar e evitar o mau uso do dinheiro público.

De acordo com relatório do TCE, entre 2003 e abril de 2005, mais de R$ 100 milhões foram repassados à Empresa de Turismo por meio de conta bancária não registrada no sistema de controle das contas públicas – Sistema de Informações Contábeis e Financeiros (Sicof) e no Sistema de Governo de Gastos Públicos (Sigap). Desse total, cerca de R$ 48 milhões foram depositados na conta da agência de publicidade Propeg, cujo dono é ligado ao carlismo e ao PFL.

O assunto ganhou destaque nacional, esta semana, nas revistas Época e Carta Capital. Em reportagem de capa, a Carta Capital destacou que esse dinheiro é quase o dobro dos R$ 55 milhões movimentados por Marcos Valério no chamado “esquema do mensalão”.

São citados na reportagem da Carta CApital, entre outros, Antonio Carlos Magalhães (PFL), ex-governador e senador; Paulo Souto (PFL), governador; César Borges (PFL), ex-governador; ACM Neto (PFL), deputado federal; Albérico Mascarenhas, Secretário da Fazenda; Paulo Gaudenzi, Secretário da Cultura e Turismo; Cláudio Taboada, presidente da Bahiatursa; Fernando Barros, dono da Propeg e Pedro Lino, conselheiro do TCE e autor do relatório.

Oposição luta contra arbitrariedades

Para quem conhece a política baiana, soa muito estranho que o deputado ACM Neto, por exemplo, continue posando como paladino da moralidade na Câmara Federal, ocupando a mídia com pedidos de apuração dos fatos em Brasília, enquanto continua sem fazer a lição de casa na Bahia. Para ser coerente, deveria orientar seus correligionários do Legislativo estadual a votarem a imediata instalação da CPI da Bahiatursa.

Na Bahia, acontecem coisas inexplicáveis e arbitrárias. Para se ter idéia, até julho do ano passado, a Assembléia Legislativa não votava projetos de deputados, apenas os que eram enviados pelo Executivo. A senha para a fiscalização das contas do governo também não foi até hoje disponibilizada para a bancada oposicionista, apesar dos diversos pedidos.

A Casa é uma das poucas no Brasil que não possui a TV Assembléia. Como se vê, a tentativa de abafar a CPI da Bahiatursa é mais um desmando cometido pelos correligionários do carlismo.


De Salvador
Ney Sá e Priscila Dibai
da assessoria de Comunicação do
Gabinete do deputado Álvaro Gomes

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