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Brasil, sábado, 4 de julho de 2009

3 DE NOVEMBRO DE 2005

FORA BUSH
MST adere à jornada de protestos contra visita de Bush ao Brasil

 

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) prepara, ao lado de várias entidades que integram a Coordenação dos Movimentos (CMS), uma recepção nada amistosa para o presidente dos Estados Unidos, George Bush. Ele vem ao Brasil no sábado e domingo (dias 5 e 6/11), acompanhado da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice. Desembarca em Brasília no sábado à noite, depois de participar da 4ª Cúpula das Américas em Mar del Plata (Argentina).

Durante o encerramento da “Assembléia Popular: Mutirão por um novo Brasil”, no dia 28 em Brasília, o diretor Nacional do MST, João Paulo Rodrigues, criticou a visita de Bush e disse que o movimento fará mobilizações em todas as capitais do país. "Nós vamos fazer um grande ato público contra Bush. E vamos levar essa opinião política ao presidente da República, tendo em vista que todas as vezes que o presidente Bush veio para a América Latina todas as suas decisões só trouxeram implicações para o mundo", apontou João Paulo.

CUT já distribui material

Em Brasília, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) já começou a distribuir material nas ruas para convocar a população.

Segundo o secretário de Política Sindical da CUT do Distrito Federal, João Lopes, a concentração dos manifestantes será na sexta-feira (4). "Já estamos distribuindo informações na rua e chamando a população. No dia 4, às 9 horas, estaremos ao lado da Catedral (de Brasília) para sair em passeata", contou ele. Lopes informou que ainda não foi definido o trajeto da passeata.

João Lopes afirma que a CUT não estará sozinha. Vários movimentos participarão da manifestação nas ruas de Brasília. Entre eles o MST e a União Nacional dos Estudantes (UNE). A CUT informa que, além do Distrito Federal, Bahia, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte já têm protestos organizados.

UNE convoca estudantes

A participação dos estudantes nos atos de protesto contra a presença de Bush no Brasil está sendo encabeçada pela UNE com apoio da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e da UJS (União da Juventude Socialista).

O presidente da UNE, Gustavo Petta, afirma que "as entidades do movimento social brasileiro deixam bem claro que estamos contra o imperialismo, contra a política neoliberal de espoliação dos povos, de investida contra os direitos dos trabalhadores, da especulação do capital financeiro em detrimento da produtividade, contra a política belicista e genocida promovida pelo imperialismo ianque".

"Vamos mostrar que estamos do lado dos povos que lutam por sua soberania, pela defesa dos Estados Nacionais, estamos ao lado dos que lutam por uma sociedade mais justa e pela paz", conclui Petta.

Wadson Ribeiro, presidente da UJS, disse que a primeira ação de repúdio a Bush no Brasil será realizada na fronteira entre o Mato Grosso de Sul e o Paraguai, país vizinho que também será visitado por Bush. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente da UJS afirmou que os manifestantes querem chamar a atenção do público para a "influência crescente dos Estados Unidos na América do Sul".

PF prepara Operação América para segurança de Bush

Prevendo que a adesão às manifestações contra Bush será massiva, a Polícia Federal deflagrou a "Operação América", com o objetivo de proteger o presidente dos Estados Unidos, a primeira-dama americana, Laura Bush, e a secretária de estado, Condoleeza Rice, durante a visita oficial ao Brasil. A segurança na Granja do Torto, residência do presidente Lula em Brasília, já está sendo reforçada.

A operação conta com o apoio de agências de inteligência americanas, do Ministério da Defesa, da Secretaria de Segurança Pública do DF, da Receita Federal e da Infraero.

Serão aproximadamente 500 policiais mobilizados durante os dois dias de visita, todos especialistas em segurança de autoridades. A PF utilizará peritos da Diretoria Técnico e Científica para realizar a varredura nos locais por onde deve passar a comitiva.

Durante o trabalho serão utilizados cães farejadores e uma equipe da Diretoria de Inteligência Policial também foi mobilizada para monitorar possíveis informações de ataques contra a delegação.

A "Operação América" mobilizará ainda o Núcleo Especial de Polícia Marítima da PF, que patrulhará o lago Paranoá, e a Coordenação de Aviação Operacional, que trabalhará integrada à Aeronáutica para garantir a segurança do espaço aéreo de Brasília.

Os policiais federais se encarregarão da segurança física da comitiva, enquanto a Polícia Militar será responsável pela segurança nos locais dos eventos e ao longo do trajeto da delegação.

Na Argentina, protesto deve reunir 10 mil

Enquanto no Brasil as entidades preparam atos em diversos pontos do país, na Argentina, onde Bush estará nesta sexta-feira, as manifestações se concentram em Mar del Plata, onde ocorre a 3ª Cúpula dos Povos e onde também está sendo realizada a 4ª Cúpula das Américas, da qual Bush deve participar.

Além dos previstos 140 panelaços, foros e atividades culturais, vem criando expectativa a manifestação de repúdio à presença de Bush que deve realizar-se amanhã. "Será uma manifestação pacífica. Nenhuma destas organizações é partidária da violência e se houver algum acirramento de ânimos, não partirá de nós", afirma Gladys Jarazo, uma das porta-vozes do encontro. Ela nega ter ouvido rumores que dizem que grupos radicais planejam provocar distúrbios em Mar del Plata, para onde foram destacados 7 mil policiais, militares e membros do serviço secreto.

 A concentração da marcha será às 7 horas da manhã de sexta-feira, mas ainda não há local definido. A passeata começa no Estádio Mundialista, onde também são feitas alguns debates da 3ª Cúpula dos Povos. Às 13 horas, está marcado um ato com a participação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A marcha contará também com a presença do ex-jogador de futebol Diego Maradona, do argentino ganhador do prêmio Nobel da Paz (1980), Adolfo Pérez Esquivel e do candidato à presidência da Bolívia, Evo Morales, entre outras importantes personalidades do continente.

A Cúpula dos Povos, que termina no sábado, é organizada pela Aliança Social Continental (ASC), que reúne diversas organizações de combate à proposta norte-americana de criação da Alca. "Não se trata de uma contra-cúpula", diz a ASC, "mas sim da face oposta da 4ª Cúpula das Américas, uma ocasião em que se pretende "gerar processos de resistência ao projeto de dominação que os poderes hegemônicos querem impor".

Leia também:
Movimentos já têm agenda de manifestações para "receber" Bush

 

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