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O Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
prepara, ao lado de várias entidades que
integram a Coordenação dos Movimentos (CMS),
uma recepção nada amistosa para o presidente
dos Estados Unidos, George Bush. Ele vem ao
Brasil no sábado e domingo (dias 5 e 6/11),
acompanhado da secretária de Estado
norte-americana, Condoleezza Rice.
Desembarca em Brasília no sábado à noite,
depois de participar da 4ª Cúpula das
Américas em Mar del Plata (Argentina).
Durante o encerramento da “Assembléia
Popular: Mutirão por um novo Brasil”, no dia
28 em Brasília, o diretor Nacional do MST,
João Paulo Rodrigues, criticou a visita de
Bush e disse que o movimento fará
mobilizações em todas as capitais do país.
"Nós vamos fazer um grande ato público
contra Bush. E vamos levar essa opinião
política ao presidente da República, tendo
em vista que todas as vezes que o presidente
Bush veio para a América Latina todas as
suas decisões só trouxeram implicações para
o mundo", apontou João Paulo.
CUT já distribui material
Em Brasília, a Central Única dos
Trabalhadores (CUT) já começou a distribuir
material nas ruas para convocar a população.
Segundo o
secretário de Política Sindical da CUT do
Distrito Federal, João Lopes, a concentração
dos manifestantes será na sexta-feira (4).
"Já estamos distribuindo informações na rua
e chamando a população. No dia 4, às 9
horas, estaremos ao lado da Catedral (de
Brasília) para sair em passeata", contou
ele. Lopes informou que ainda não foi
definido o trajeto da passeata.
João Lopes afirma que a CUT não estará
sozinha. Vários movimentos participarão da
manifestação nas ruas de Brasília. Entre
eles o MST e a União Nacional dos Estudantes
(UNE). A CUT informa que, além do Distrito
Federal, Bahia, Ceará, São Paulo, Rio de
Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do
Sul e Rio Grande do Norte já têm protestos
organizados.
UNE
convoca estudantes
A
participação dos estudantes nos atos de
protesto contra a presença de Bush no Brasil
está sendo encabeçada pela UNE com apoio da
Ubes (União Brasileira dos Estudantes
Secundaristas) e da UJS (União da Juventude
Socialista).
O presidente
da UNE, Gustavo Petta, afirma que "as
entidades do movimento social brasileiro
deixam bem claro que estamos contra o
imperialismo, contra a política neoliberal
de espoliação dos povos, de investida contra
os direitos dos trabalhadores, da
especulação do capital financeiro em
detrimento da produtividade, contra a
política belicista e genocida promovida pelo
imperialismo ianque".
"Vamos
mostrar que estamos do lado dos povos que
lutam por sua soberania, pela defesa dos
Estados Nacionais, estamos ao lado dos que
lutam por uma sociedade mais justa e pela
paz", conclui Petta.
Wadson
Ribeiro, presidente da UJS, disse que a
primeira ação de repúdio a Bush no Brasil
será realizada na fronteira entre o Mato
Grosso de Sul e o Paraguai, país vizinho que
também será visitado por Bush. Em entrevista
ao jornal O Estado de S. Paulo, o
presidente da UJS afirmou que os
manifestantes querem chamar a atenção do
público para a "influência crescente dos
Estados Unidos na América do Sul".
PF prepara Operação América para segurança
de Bush
Prevendo que
a adesão às manifestações contra Bush será
massiva, a Polícia Federal deflagrou a
"Operação América", com o objetivo de
proteger o presidente dos Estados Unidos, a
primeira-dama americana, Laura Bush, e a
secretária de estado, Condoleeza Rice,
durante a visita oficial ao Brasil. A
segurança na Granja do Torto, residência do
presidente Lula em Brasília, já está sendo
reforçada.
A operação
conta com o apoio de agências de
inteligência americanas, do Ministério da
Defesa, da Secretaria de Segurança Pública
do DF, da Receita Federal e da Infraero.
Serão
aproximadamente 500 policiais mobilizados
durante os dois dias de visita, todos
especialistas em segurança de autoridades. A
PF utilizará peritos da Diretoria Técnico e
Científica para realizar a varredura nos
locais por onde deve passar a comitiva.
Durante o
trabalho serão utilizados cães farejadores e
uma equipe da Diretoria de Inteligência
Policial também foi mobilizada para
monitorar possíveis informações de ataques
contra a delegação.
A "Operação
América" mobilizará ainda o Núcleo Especial
de Polícia Marítima da PF, que patrulhará o
lago Paranoá, e a Coordenação de Aviação
Operacional, que trabalhará integrada à
Aeronáutica para garantir a segurança do
espaço aéreo de Brasília.
Os policiais
federais se encarregarão da segurança física
da comitiva, enquanto a Polícia Militar será
responsável pela segurança nos locais dos
eventos e ao longo do trajeto da delegação.
Na Argentina, protesto deve
reunir 10 mil
Enquanto no
Brasil as entidades preparam atos em
diversos pontos do país, na Argentina, onde
Bush estará nesta sexta-feira, as
manifestações se concentram em Mar del Plata,
onde ocorre a 3ª Cúpula dos Povos e onde
também está sendo realizada a 4ª Cúpula das
Américas, da qual Bush deve participar.
Além dos previstos 140 panelaços, foros e
atividades culturais, vem criando
expectativa a manifestação de repúdio à
presença de Bush que deve realizar-se
amanhã. "Será uma manifestação pacífica.
Nenhuma destas organizações é partidária da
violência e se houver algum acirramento de
ânimos, não partirá de nós", afirma Gladys
Jarazo, uma das porta-vozes do encontro. Ela
nega ter ouvido rumores que dizem que grupos
radicais planejam provocar distúrbios em Mar
del Plata, para onde foram destacados 7 mil
policiais, militares e membros do serviço
secreto.
A
concentração da marcha será às 7 horas da
manhã de sexta-feira, mas ainda não há local
definido. A passeata começa no Estádio
Mundialista, onde também são feitas alguns
debates da 3ª Cúpula dos Povos. Às 13 horas,
está marcado um ato com a participação do
presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
A marcha
contará também com a presença do ex-jogador
de futebol Diego Maradona, do argentino
ganhador do prêmio Nobel da Paz (1980),
Adolfo Pérez Esquivel e do candidato à
presidência da Bolívia, Evo Morales, entre
outras importantes personalidades do
continente.
A Cúpula dos
Povos, que termina no sábado, é organizada
pela Aliança Social Continental (ASC), que
reúne diversas organizações de combate à
proposta norte-americana de criação da Alca.
"Não se trata de uma contra-cúpula", diz a
ASC, "mas sim da face oposta da 4ª Cúpula
das Américas, uma ocasião em que se pretende
"gerar processos de resistência ao projeto
de dominação que os poderes hegemônicos
querem impor".
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