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Arte de
Maringoni para a campanha de boicote à revista Veja |
por Cláudio Gonzalez
A denúncia
publicada na última edição da revista
Veja sobre a suposta ajuda cubana ao PT
nas eleições de 2002 foi mesmo uma bomba. Só
que quem armou a bomba estava com pressa e
não fez o "serviço" direito. Resultado: ela
acabou explodindo no colo da própria
revista. Ainda que estilhaços da denúncia
mal contada possam atingir o alvo verdadeiro
(governo e PT), quem acabou ficando ferida
de morte foi mesmo a imagem do semanário da
Abril, que há muito tempo já vinha sofrendo
de falta de credibilidade.
Prova disso
é que nem mesmo jornalistas como Clóvis
Rossi, que nos últimos meses vinha se
agarrando a qualquer argumento, por mais
esfarrapado que fosse, para destilar veneno
contra o governo, nem mesmo ele engoliu a
estória do "ouro cubano". Em sua coluna
de ontem (1/11), na Folha de S. Paulo,
Rossi afirma: "O mais elementar sentido
comum e um tiquinho de informações básicas
bastam para tornar completamente
inverossímil a versão publicada pela revista
Veja".
Outra
oposicionista militante, a "cientista
política" Lúcia Hipólito, também se recusou
a passar recibo para a frágil denúncia. Em
comentário na rádio CBN, Lúcia ponderou que
"se tudo não passar de fantasia ou de
especulação vazia, a Justiça saberá punir a
Veja."
Já o
blogueiro Ricardo Noblat, que ocupa 95% do
espaço de seu blog com reproduções de
artigos e opiniões copiados de outras
fontes— preferiu fazer-se de desentendido.
De sua própria lavra, quase nada escreveu
sobre a "reportagem" de Veja. Num de
seus raros comentários, disse que Poleto (um
dos que teria feito a denúncia) não estava
de porre quando conversou com o repórter
Policarpo Junior. "A VEJA - e revista
alguma que se leve a sério - publica
declarações de um bêbado." Dos quase
150 leitores que comentaram esta afirmação
de Noblat, mais de cem discordaram do
jornalista. Boa parte deles opinou que a
Veja não é uma revista que possa ser
lavada a sério.
Ou seja, a
armação dos Civita não "colou" nem mesmo
entre aqueles que têm como ofício diário
difamar e caluniar o governo Lula.
E entre os
internautas comuns a repercussão foi ainda
mais desastrosa para a revista.
Mobilização via Orkut
No
site de relacionamentos Orkut, a comunidade
mais numerosa sobre a revista Veja é
a "Leu na Veja? Azar o seu!". Até a
noite de ontem, esta comunidade já reunia
24.500 participantes —a comunidade ganhou
quase 2 mil novos membros desde a publicação
da matéria sobre a suposta ajuda de Cuba ao
PT. Há pelo menos outras 30 comunidades do
Orkut criadas para aglutinar pessoas que não
gostam do jornalismo tendencioso e
direitista da revista Veja.
Desde sábado
(30/10), quando a revista começou a circular
com a matéria sobre os dólares cubanos,
milhares de mensagens foram "postadas" no
Orkut com comentários indignados sobre o
teor da referida reportagem de capa. Boa
parte destas mensagens questionava a
veracidade das informações publicadas por
Veja.
A partir
destas mensagens, campanhas organizadas de
boicote à Veja e até aos anunciantes
da revista começaram a se espalhar pela
internet.
A que ganhou
mais adeptos até o momento é a
petição online,
gerada
a partir de um
site
norte-americano que oferece este tipo de
serviço público. A petição é dirigida ao
Palácio do Planalto e, em que pese o texto
um tanto quanto precário, propõe que
"providências venham a ser tomadas, e que a
revista seja responsabilizada pelas suas
reportagens que não correspondem a verdade".
Todo internauta interessado em assinar a
Petição pode
fazê-lo preenchendo um formulário simples
(mas em inglês). Depois de preencher, deve
clicar em "Preview your Signature". Vai
abrir uma nova página pedindo para
confirmar os dados como nome e email. Se
estiver tudo certo, clique em "Approve
Signature".
Já o leitor
Emerson Luis sugeriu à comunidade do Orkut a
campanha "Tire uma assinatura da Veja".
Segundo sua proposta, cada membro da
comunidade deveria convencer alguém que
assina a revista a terminar a assinatura. "A
revista Veja sentirá um bom baque no
orçamento", supõe Emerson. "Eu já convenci
duas pessoas. Acho que podemos conseguir
mais desistências. O momento é bom para
isso, porque até em assinantes antigos estou
percebendo um certo nojo do jornalismo
praticado por lá", diz o leitor.
Boicotar a Editora Abril
A leitora
Andresa Ballester prega um boicote ainda
mais amplo, que atinja todas as publicações
da editora Abril. Ela reproduz o e-mail que
mandou para Abril pedindo o cancelamento da
assinatura da revista Aventuras na
História. "Penso que uma revista que
publica matérias sem provas e visivelmente
partidárias, não respeita os princípios
básicos jornalísticos de ética e
imparcialidade, portanto suas informações
não são confiáveis. Por se tratar da mesma
editora, Aventuras na História e Veja,
entendo que o critério seja o mesmo.",
argumenta Andresa.
Josenildo Forte de Brito, que também é
membro da comunidade "Leu na Veja? Azar o
seu!" concorda com Andresa e orienta: "A
Editora Abril também é de mandar e-mails
para ex e possíveis novos assinantes. Quando
receber é só encaminhar de volta o e-mail
dizendo o porquê de não querer assinar a
revista que a editora está oferecendo (no
caso justificar com a manipulação feita pela
Veja). Talvez essa seja outra forma
de chegar a eles a insatisfação geral com as
matérias da Veja.", diz Josenildo.
Estressar os atendentes
Outro grupo
de participantes da comunidade propôs que os
leitores indignados ligassem para o serviço
de atendimento ao leitor, no telefone (11)
3037-2518, para reclamar da publicação.
Elaine
Torres ligou e registrou no Orkut que o
atendente, de nome Eduardo, perdeu a
paciência ao tentar defender o
posicionamento da revista e pediu que ela
"aguarde os desdobramentos da reportagem,
que serão muito importantes".
Para tornar
o protesto mais divertido, um leitor sugere
todos aqueles que conseguirem estressar os
atendentes da editora Abril relatem a
conversa no Orkut.
Para Liscio
Morais, "não adianta telefonar, é preciso
que recorramos ao Procon, principalmente
quem reside em São Paulo, é claro que não
vamos ter nossa grana devolvida por
propaganda enganosa, mas pelo menos vamos
dar trabalho ao departamento jurídico da
Veja. Quanto mais reclamações, melhor."
"Veja que mentira" e Novae
Mas apesar
do frisson que as comunidades do
Orkut estão vivendo por causa da matéria
sobre os dólares cubanos, há iniciativas de
combate à atitude anti-jornalística de
Veja que são mais antigas e orgânicas.
Uma delas é a campanha "Veja
que mentira". Hospedada no
site http://www.consciencia.net, a campanha
foi lançada no dia 8 de novembro de 2003, em
Belo Horizonte, durante a realização do
Fórum Social Brasileiro.
O
"manifesto" da campanha afirma que a
iniciativa defende o posicionamento crítico
"diante das mentiras e das distorções
divulgadas pela revista Veja". Pede a
denúncia da revista por sua falta de ética e
falta de respeito com o leitor e com a
cidadania e pede que se deixe de ler e de
assinar a revista "até que ela mude de
postura e assuma compromisso com a
democracia e com a liberdade de expressão,
de organização e de manifestação".
Outro site
que mantém uma área especial de denúncias
contra a revista Veja é a revista
eletrônica
Novae . Sob o chamado "Ajude
um assinante da Veja a acordar. Uma
campanha da Novae para o progresso do
jornalismo nacional", a publicação
disponibiliza um conjunto de textos que
denunciam a forma tendenciosa como a revista
trata diversos assuntos da pauta política
nacional e enfatiza as relações obscuras da
Editora Abril com o PSDB, o PFL e o mercado
financeiro.
Num destes
textos, o experiente jornalista Renato Rovai,
editor da Novae, desabafa; "Esse jornalismo
farsante e sangue-azul de Veja não
atenta apenas contra os valores da
democracia e da ética profissional. Ele
ainda abre o caminho para que outros
veículos passem a fazer o mesmo e expõe ao
ridículo a imprensa enquanto instituição e o
jornalismo como profissão. Os tiros do
padrão Veja de jornalismo estão sendo dados
enquanto o silêncio acomodado da maior parte
dos jornalistas segue impávido. Parece que é
assim mesmo, que faz parte do jogo. Não é.
Não se pode deixar que seja. Os
profissionais mais jovens ainda merecem um
desconto. Os mais experientes, calados, são
cúmplices. Estão ajudando a desmoralizar a
profissão. E pagaremos todos por isso."
(Clique
aqui
para ler a íntegra)
A jovem
Ferds Vin Telli, que também participa das
comunidades anti-Veja do Orkut cita
uma frase de Albert Einstein que representa
bem
o
sentimento dessa "galera" que não está
disposta a assistir parada o "mal
acontecer". Segundo Einstein "O mundo é um
lugar perigoso de se viver, não por causa
daqueles que fazem o mal, mas sim por causa
daqueles que observam e deixam o mal
acontecer".
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