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Brasil, segunda-feira, 8 de setembro de 2008

31 de outubro de 2005

Soberania
Para Chávez e Fidel, Cúpula das Américas é "a do fracasso da Alca"


O secretário do Comércio dos Estados Unidos, Carlos Gutiérrez, afirmou que a Cúpula das Américas, nos dias 4 e 5 de novembro, na cidade argentina de Mar del Plata, é uma "grande oportunidade" para impulsionar a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Entretanto, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, vai participar do encontro com o objetivo de reforçar sua oposição ao projeto. "Estaremos em Mar del Plata para dizer Alca, o cacete!", disse Chávez. Para ele, os Estados Unidos querem usar o evento com o objetivo de isolar seu país. Segundo Chávez, "a Alca morreu".

Ontem (30), Chávez repetiu o discurso. "O debate está muito bom, sobretudo nas ruas argentinas; parece que a coisa está melhor ainda nas ruas, há um fervor latinoamericanista (...) em Mar del Plata", afirmou em seu programa dominical de rádio e televisão "Alô, presidente!" "O debate está colocado: os que queiram ir ao inferno, que tomem o caminho do capitalismo, do neoliberalismo; os que, como nós, a maioria, queremos um mundo melhor, temos que ir buscando um caminho alternativo", afrimou.

Proposta da Alba

O presidente lembrou que "desde a Venezuela lançamos a proposta de Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), como integração para a vida e contra a Alca proposta por Washington, uma proposta hegemônica, imperialista e neocolonialista". A Alba, que "já tem vida e já está andando", explicou, baseia-se na complementaridade e na solidariedade entre os países, em potencializar as vantagens comparativas de cada nação, e não como a Alca neoliberal, "uma fase superior do capitalismo".

A proposta de Washington, acrescentou, "tem como cartilha reduzir o investimento público, o que chamam de gastos públicos", e que as forças do "mercado" assumam o financiamento da saúde e da educação, por exemplo, "em benefício unicamente daqueles que possam pagar por isso". Esse é o objetivo neoliberal, "mas, claro, o descaramento não é tanto e então disfarçam com um discurso tecnocrático e falam de equilíbrio fiscal e redução da despesa pública", acrescentou. Chávez lembrou que, apesar disso, é o próprio governo dos Estados Unidos o que tem "o maior desequilíbrio fiscal do planeta".

Em contraposição, destacou que "a nossa visão é socialista, a que coloca o social na frente; isto é o essencial do socialismo, no meu critério. É o socialismo que nós precisamos para sair do esquema terrível do capitalismo neoliberal". Além de participar das deliberações da Cúpula em 4 e 5 de novembro, junto com Bush e outros 32 chefes de Estado — todos os da América menos Cuba —, Chávez assistirá a algumas das manifestações de protesto contra o presidente norte-americano.

Nova investida

Gutiérrez, o secretário do Comércio dos Estados Unidos, disse ao jornal argentino La Nación que "a Cúpula será uma grande oportunidade para impulsionar a Alca. Cada vez que nos juntamos aos governos do hemisfério devemos falar de livre comércio". Segundo o secretário norte-americano, o objetivo dos Estados Unidos é "entrar no acordo com toda a região, junta, unida, mas se isso não for possível avançaremos com acordos bilaterais". O governo argentino avisou que esta não será a Cúpula da Alca, como se pensou originalmente.

A Alca, prevista como zona de livre comércio desde o Alasca até a Terra do Fogo, devia começar a funcionar em 1º de janeiro deste ano, mas Brasil, Argentina e Venezuela rejeitaram a iniciativa por considerar que os Estados Unidos não abrem seu próprio mercado aos produtos da região, em particular os agrícolas. Para Chávez, essa nova investida norte-americana também será infrutífera. "Acho que os Estados Unidos não contavam com as forças de governos progressistas como os de Argentina, Brasil ou Uruguai, nem com os movimentos populares", disse Chávez.

Segundo o presidente venezuelano, a reunião de Mar del Plata foi planejada em 2001 na Cúpula das Américas do Canadá, em que a Venezuela foi o único país a fazer suas ressalvas sobre a Alca. "Claro que não constavam nas contas do império, quando definiram eles mesmos (os americanos) as sedes destas cúpulas, que o povo digno, irmão, profundo e infinito da Argentina ia se rebelar como se rebelou naquele dezembro para romper o caminho imposto pelo neoliberalismo", afirmou.

Fidel e Maradona

Quem também se manifestou sobre o evendo foi o presidente cubano Fidel Castro. Numa mesa-redonda com o ex-jogador argentino Diego Armando Maradona, televisionada em 27 de outubro, o líder revolucionário qualificou a Cúpula das Américas como a "Cúpula do fracasso" da Alca. Maradona liderará, junto com sua filha, uma marcha gigante que organizam os argentinos para protestar contra a presença de Bush na Cúpula, segundo informou Fidel Castro. "Há gente na Argentina que reprova a assistência de Bush ao encontro. Eu sou a primeira pessoa. Ele nos prejudicou muito. Para mim, é um assassino, nos menospreza e nos espezinha. Eu vou liderar, junto com minha filha, essa passeata", disse Maradona.

Referindo-se à reunião hemisférica criada pelos Estados Unidos para defender seus interesses na América Latina, o líder cubano enfatizou que no Canadá, durante o penúltimo foro, milhares protestaram e denunciaram a Alca. "Esse é um país com história, submetido a agressões, despejos, saques, um povo que tem sofrido muito", disse Fidel falando da Argentina e acrescentou que muitas pessoas ali criticaram que o presidente ianque viaje a essa nação num porta-aviões. Mas ali ninguém vai empregar a força, senão a vergonha e o repúdio à Alca.", disse. "Bush é o homem da guerra, o da doutrina pós-hitleriana, porém mais abertamente ao falar de ataques inesperados a qualquer país, e seu país é o que mais influiu no terror, o qual praticou, durante dezenas de anos contra Cuba", lembrou o presidente cubano.

Com agências internacionais
 

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