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O secretário do Comércio dos Estados Unidos,
Carlos Gutiérrez, afirmou que a Cúpula das
Américas, nos dias 4 e 5 de novembro, na
cidade argentina de Mar del Plata, é uma
"grande oportunidade" para impulsionar a
criação da Área de Livre Comércio das
Américas (Alca). Entretanto, o presidente da
Venezuela, Hugo Chávez, vai participar do
encontro com o objetivo de reforçar sua
oposição ao projeto. "Estaremos em Mar del
Plata para dizer Alca, o cacete!", disse
Chávez. Para ele, os Estados Unidos querem
usar o evento com o objetivo de isolar seu
país. Segundo Chávez, "a Alca morreu".
Ontem (30), Chávez repetiu o discurso. "O
debate está muito bom, sobretudo nas ruas
argentinas; parece que a coisa está melhor
ainda nas ruas, há um fervor
latinoamericanista (...) em Mar del Plata",
afirmou em seu programa dominical de rádio e
televisão "Alô, presidente!" "O debate está
colocado: os que queiram ir ao inferno, que
tomem o caminho do capitalismo, do
neoliberalismo; os que, como nós, a maioria,
queremos um mundo melhor, temos que ir
buscando um caminho alternativo", afrimou.
Proposta da Alba
O presidente lembrou que "desde a
Venezuela lançamos a proposta de Alternativa
Bolivariana para as Américas (Alba), como
integração para a vida e contra a Alca
proposta por Washington, uma proposta
hegemônica, imperialista e neocolonialista".
A Alba, que "já tem vida e já está andando",
explicou, baseia-se na complementaridade e
na solidariedade entre os países, em
potencializar as vantagens comparativas de
cada nação, e não como a Alca neoliberal,
"uma fase superior do capitalismo".
A proposta de Washington, acrescentou,
"tem como cartilha reduzir o investimento
público, o que chamam de gastos públicos", e
que as forças do "mercado" assumam o
financiamento da saúde e da educação, por
exemplo, "em benefício unicamente daqueles
que possam pagar por isso". Esse é o
objetivo neoliberal, "mas, claro, o
descaramento não é tanto e então disfarçam
com um discurso tecnocrático e falam de
equilíbrio fiscal e redução da despesa
pública", acrescentou. Chávez lembrou que,
apesar disso, é o próprio governo dos
Estados Unidos o que tem "o maior
desequilíbrio fiscal do planeta".
Em contraposição, destacou que "a nossa
visão é socialista, a que coloca o social na
frente; isto é o essencial do socialismo, no
meu critério. É o socialismo que nós
precisamos para sair do esquema terrível do
capitalismo neoliberal". Além de participar
das deliberações da Cúpula em 4 e 5 de
novembro, junto com Bush e outros 32 chefes
de Estado — todos os da América menos Cuba
—, Chávez assistirá a algumas das
manifestações de protesto contra o
presidente norte-americano.
Nova investida
Gutiérrez, o secretário do Comércio dos
Estados Unidos, disse ao jornal argentino La
Nación que "a Cúpula será uma grande
oportunidade para impulsionar a Alca. Cada
vez que nos juntamos aos governos do
hemisfério devemos falar de livre comércio".
Segundo o secretário norte-americano, o
objetivo dos Estados Unidos é "entrar no
acordo com toda a região, junta, unida, mas
se isso não for possível avançaremos com
acordos bilaterais". O governo argentino
avisou que esta não será a Cúpula da Alca,
como se pensou originalmente.
A Alca, prevista como zona de livre
comércio desde o Alasca até a Terra do Fogo,
devia começar a funcionar em 1º de janeiro
deste ano, mas Brasil, Argentina e Venezuela
rejeitaram a iniciativa por considerar que
os Estados Unidos não abrem seu próprio
mercado aos produtos da região, em
particular os agrícolas. Para Chávez, essa
nova investida norte-americana também será
infrutífera. "Acho que os Estados Unidos não
contavam com as forças de governos
progressistas como os de Argentina, Brasil
ou Uruguai, nem com os movimentos
populares", disse Chávez.
Segundo o presidente venezuelano, a
reunião de Mar del Plata foi planejada em
2001 na Cúpula das Américas do Canadá, em
que a Venezuela foi o único país a fazer
suas ressalvas sobre a Alca. "Claro que não
constavam nas contas do império, quando
definiram eles mesmos (os americanos) as
sedes destas cúpulas, que o povo digno,
irmão, profundo e infinito da Argentina ia
se rebelar como se rebelou naquele dezembro
para romper o caminho imposto pelo
neoliberalismo", afirmou.
Fidel e Maradona
Quem também se manifestou sobre o evendo
foi o presidente cubano Fidel Castro. Numa
mesa-redonda com o ex-jogador argentino
Diego Armando Maradona, televisionada em 27
de outubro, o líder revolucionário
qualificou a Cúpula das Américas como a
"Cúpula do fracasso" da Alca. Maradona
liderará, junto com sua filha, uma marcha
gigante que organizam os argentinos para
protestar contra a presença de Bush na
Cúpula, segundo informou Fidel Castro. "Há
gente na Argentina que reprova a assistência
de Bush ao encontro. Eu sou a primeira
pessoa. Ele nos prejudicou muito. Para mim,
é um assassino, nos menospreza e nos
espezinha. Eu vou liderar, junto com minha
filha, essa passeata", disse Maradona.
Referindo-se à reunião hemisférica criada
pelos Estados Unidos para defender seus
interesses na América Latina, o líder cubano
enfatizou que no Canadá, durante o penúltimo
foro, milhares protestaram e denunciaram a
Alca. "Esse é um país com história,
submetido a agressões, despejos, saques, um
povo que tem sofrido muito", disse Fidel
falando da Argentina e acrescentou que
muitas pessoas ali criticaram que o
presidente ianque viaje a essa nação num
porta-aviões. Mas ali ninguém vai empregar a
força, senão a vergonha e o repúdio à Alca.",
disse. "Bush é o homem da guerra, o da
doutrina pós-hitleriana, porém mais
abertamente ao falar de ataques inesperados
a qualquer país, e seu país é o que mais
influiu no terror, o qual praticou, durante
dezenas de anos contra Cuba", lembrou o
presidente cubano.
Com agências
internacionais
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