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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

27 de outubro de 2005

imperialismo

Bush no Panamá também é persona non grata

 
 
Por onde passa, Bush é recebido com protestos. Esta faixa foi usada em manifestação na Bélgica

A vinda do presidente dos Estados Unidos George W. Bush a três países da América Latina em novembro – Argentina, Brasil e Panamá – está sendo especialmente aguardada. Persona non grata na região, os movimentos sociais, sindicais e estudantis já estão preparando série de atos em protesto às suas políticas intervencionistas na América, contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e os Tratados de Livre Comércio (TLC).

A visita de Bush, entre os dias 6 e 7 de novembro, já está sendo comparada pelos panamenhos com a que seu pai realizou em 1992, que também foi recebido com numerosas manifestações de repúdio à sua presença. "Por mais que o governo queira tapar o sol com um dedo não poderá impedir as manifestações dos diversos setores da população", comentou o acadêmico e ativista Julio Yao.

Há dois dias, o primeiro vice-presidente e chanceler do Panamá, Samuel Lewis Navarro, provocou os movimentos afirmando que mesmo com as críticas contra o representante maior do imperialismo na capital, sua visita será uma boa oportunidade para estreitar os acordos bilaterais. “Nós acreditamos que a presença do senhor Bush contribuirá para fortalecer nossas relações e especificamente em temas sensíveis que não estão na agenda, é por um problema de tempo”, disse.

Justamente por isso, em diversos segmentos da sociedade, em especial entre os estudantes, o repúdio ao presidente norte-americano já se percebe desde já. As organizações e entidades universitárias querem manter a atmosfera "quente" para que todos estejam bem preparados para a receptividade ser inesquecível. Líderes estudantis panamenhos advertiram que mesmo com a repressão policial característica no país e o fechamento de algumas instituições escolares, a juventude irá até o fim nas suas manifestações contra a visita do "inquilino da Casa Branca". Javier Víquez, dirigente universitário, declarou à imprensa que “nós daremos uma cordial boas vindas ao maior genocida do planeta”.

Uma coalizão de sindicatos e organizações sociais, encabeçada pelo Comitê Panamenho para os Direitos Humanos destacou que preparam ações de diversos tipos em rechaço à presença de Bush. “Bush é uma persona non grata no Panamá e no mundo inteiro. É um violador dos direitos humanos”, declarou recentemente uma coalizão de sindicatos e organizações sociais do país.

Agenda sigilosa

Ainda que de maneira oficial não se tenha divulgado nada sobre a agenda de Bush no Panamá, as entradas e saídas constantes do bunker das embaixadas de Washington estão fazendo os panamenhos supor que um grande dispositivo de segurança está sendo posto em marcha. Extra-oficialmente, os meios de comunicação locais garantem que Bush visitará o Canal do Panamá e um cemitério limítrofe onde repousam os restos dos norte-americanos que trabalharam na via interoceânica.

O presidente dos EUA chegará na noite de domingo, dia 6, depois de passar pelo Brasil e no dia seguinte, pela manhã, se reunirá com o presidente Martín Torrijos no Palácio das Garças. O chanceler e vice-presidente Lewis Navarro disse que entre os dois países existe respeito mútuo e cooperação, e no caso da descontamização dos polígonos militares deixados aqui pelo Pentágono, que isso não é um assunto enterrado. “Quando muitos acreditavam ser impossível que o Panamá recuperasse sua total soberania e em especial o domínio sobre o Canal, com paciência e habilidade pessoas como o general Omar Torrijos abriram espaço para a recuperação da via interoceânica com a assinatura do Tratado Torrijos-Carter”, disse.

A Autoridade Nacional do Meio Ambiente (ANAM) revelou recentemente que uma das fórmulas para desativar minas e armamentos que os militares norte-americanos deixaram quando saíram do Panamá, seria com licitações por empresas interessadas nos terrenos. Outro dos assuntos sensíveis que já provocou protestos no país é a eventual assinatura de um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA, cheio de assimetrias que segundo especialistas pode asfixiar os agricultores locais.

Na Argentina e no Brasil também estão sendo organizadas manifestações de repúdio à presença de Bush na região. Segundo o anúncio da Casa Branca, ele estará na Argentina entre os dias 3 e 5 de novembro, quando participa pela terceira vez da Cúpula das Américas, em Mar del Plata, e se encontra com o presidente Néstor Kirchner. Paralelamente à este evento, a Aliança Social Continental (ASC) - coalizão de organizações sindicais, religiosas, camponesas, de direitos humanos, mulheres e outros movimentos sociais  que têm a presença em todos os países do hemisfério - estará promovendo a Cúpula dos Povos, que discutirá as políticas imperialistas na região, Alca, Mercosul e  Tratados de Livre Comércio (TLC), militarismo, dívida externa e pobreza.

Bush estará no Brasil nos dias 5 e 6 para reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aqui também ele sofrerá manifestações de repúdio, que estão sendo articuladas principalmente pela União da Juventude Socialista (UJS).

Leia mais:
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Da Redação
Com informações da Agência Prensa Latina.


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