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Por onde
passa, Bush é
recebido com protestos. Esta faixa foi
usada em manifestação na Bélgica |
A vinda do presidente dos Estados Unidos
George W. Bush a três países da América
Latina em novembro – Argentina, Brasil e
Panamá – está sendo especialmente aguardada.
Persona non grata na região, os movimentos
sociais, sindicais e estudantis já estão
preparando série de atos em protesto às suas
políticas intervencionistas na América,
contra a Área de Livre Comércio das Américas
(Alca) e os Tratados de Livre Comércio (TLC).
A visita de Bush, entre os dias 6 e 7 de
novembro, já está sendo comparada pelos
panamenhos com a que seu pai realizou em
1992, que também foi recebido com numerosas
manifestações de repúdio à sua presença.
"Por mais que o governo queira tapar o sol
com um dedo não poderá impedir as
manifestações dos diversos setores da
população", comentou o acadêmico e ativista
Julio Yao.
Há dois dias, o primeiro vice-presidente
e chanceler do Panamá, Samuel Lewis Navarro,
provocou os movimentos afirmando que mesmo
com as críticas contra o representante maior
do imperialismo na capital, sua visita será
uma boa oportunidade para estreitar os
acordos bilaterais. “Nós acreditamos que a
presença do senhor Bush contribuirá para
fortalecer nossas relações e especificamente
em temas sensíveis que não estão na agenda,
é por um problema de tempo”, disse.
Justamente por isso, em diversos
segmentos da sociedade, em especial entre os
estudantes, o repúdio ao presidente
norte-americano já se percebe desde já. As
organizações e entidades universitárias
querem manter a atmosfera "quente" para que
todos estejam bem preparados para a
receptividade ser inesquecível. Líderes
estudantis panamenhos advertiram que mesmo
com a repressão policial característica no
país e o fechamento de algumas instituições
escolares, a juventude irá até o fim nas
suas manifestações contra a visita do
"inquilino da Casa Branca". Javier Víquez,
dirigente universitário, declarou à imprensa
que “nós daremos uma cordial boas vindas ao
maior genocida do planeta”.
Uma coalizão de sindicatos e organizações
sociais, encabeçada pelo Comitê Panamenho
para os Direitos Humanos destacou que
preparam ações de diversos tipos em rechaço
à presença de Bush. “Bush é uma persona non
grata no Panamá e no mundo inteiro. É um
violador dos direitos humanos”, declarou
recentemente uma coalizão de sindicatos e
organizações sociais do país.
Agenda sigilosa
Ainda que de maneira oficial não se tenha
divulgado nada sobre a agenda de Bush no
Panamá, as entradas e saídas constantes do
bunker das embaixadas de Washington estão
fazendo os panamenhos supor que um grande
dispositivo de segurança está sendo posto em
marcha. Extra-oficialmente, os meios de
comunicação locais garantem que Bush
visitará o Canal do Panamá e um cemitério
limítrofe onde repousam os restos dos
norte-americanos que trabalharam na via
interoceânica.
O presidente dos EUA chegará na noite de
domingo, dia 6, depois de passar pelo Brasil
e no dia seguinte, pela manhã, se reunirá
com o presidente Martín Torrijos no Palácio
das Garças. O chanceler e vice-presidente
Lewis Navarro disse que entre os dois países
existe respeito mútuo e cooperação, e no
caso da descontamização dos polígonos
militares deixados aqui pelo Pentágono, que
isso não é um assunto enterrado. “Quando
muitos acreditavam ser impossível que o
Panamá recuperasse sua total soberania e em
especial o domínio sobre o Canal, com
paciência e habilidade pessoas como o
general Omar Torrijos abriram espaço para a
recuperação da via interoceânica com a
assinatura do Tratado Torrijos-Carter”,
disse.
A Autoridade Nacional do Meio Ambiente (ANAM)
revelou recentemente que uma das fórmulas
para desativar minas e armamentos que os
militares norte-americanos deixaram quando
saíram do Panamá, seria com licitações por
empresas interessadas nos terrenos. Outro
dos assuntos sensíveis que já provocou
protestos no país é a eventual assinatura de
um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os
EUA, cheio de assimetrias que segundo
especialistas pode asfixiar os agricultores
locais.
Na Argentina e no Brasil também estão
sendo organizadas manifestações de repúdio à
presença de Bush na região. Segundo o
anúncio da Casa Branca, ele estará na
Argentina entre os dias 3 e 5 de novembro,
quando participa pela terceira vez da Cúpula
das Américas, em Mar del Plata, e se
encontra com o presidente Néstor Kirchner.
Paralelamente à este evento, a Aliança
Social Continental (ASC) - coalizão de
organizações sindicais, religiosas,
camponesas, de direitos humanos, mulheres e
outros movimentos sociais que têm a
presença em todos os países do hemisfério -
estará promovendo a Cúpula dos Povos, que
discutirá as políticas imperialistas na
região, Alca, Mercosul e Tratados de
Livre Comércio (TLC), militarismo, dívida
externa e pobreza.
Bush estará no Brasil nos dias 5 e 6 para
reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva. Aqui também ele sofrerá
manifestações de repúdio, que estão sendo
articuladas principalmente pela União da
Juventude Socialista (UJS).
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juventude prepara protestos
Da Redação
Com informações da
Agência Prensa Latina.
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