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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

27 DE OUTUBRO DE 2005

PROVANDO DO PRÓPRIO VENENO
Cartazes espalhados em Brasília mostram Bornhausen em uniforme nazista

Da redação
Cláudio Gonzalez


Segundo militante petista, retratar Bornhausen com uniforme nazista foi uma
resposta ao comportamento grosseiro e preconceituoso do senador

Os pefelistas ficaram indignados com os cartazes espalhados em Brasília que mostram uma fotomontagem retratando o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC) como um líder nazista, segurando na mão direita um exemplar da revista Veja com a manchete "Juntos contra o PT". No alto do cartaz, aparece a frase "Vamos acabar com 'este' raça. Preto, pobre e operário nunca mais!". Na parte de baixo do cartaz, foi aposta a qualificação "Herr Bornhausen".

Os cartazes foram afixados ao longo do Eixo Monumental, uma das principais avenidas da capital federal, no Setor Comercial Sul, área de grande movimentação, e até na Esplanada dos Ministérios.

A resposta dos pefelistas ao episódio deu-se com uma atitude ainda mais condenável que a divulgação dos cartazes apócrifos. Bornhausen insinuou e lideranças do PFL afirmaram, de forma leviana, que o governo federal e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, estariam por trás da iniciativa.

O líder do PFL na Câmara, José Carlos Aleluia (BA) foi ainda mais longe e afirmou que o governo Lula é quem tem perfil "nazi-fascista", com a figura de Lula confundindo-se com as de Hitler e Stalin. "Não sei com quem ele se parece mais!", disse o deputado.

Mais tarde, Bornhausen e os que tentaram ligar Luiz Marinho ao episódio foram desmentidos pelo próprio autor dos cartazes, que afirmou que a iniciativa foi uma decisão pessoal. Nem mesmo seus colegas de trabalho souberam.

Em nota à imprensa, Luiz Marinho afirmou que considera "uma irresponsabilidade a afirmação do senador Jorge Bornhausen". Segundo a nota, o ministro considera os cartazes um desrespeito ao senador da República e afirma que não pactua com "atitudes criminosas".

Avel: foi legítima defesa

Em entrevista ao jornal "O Globo" na tarde de quarta-feira (26/10), o diretor do Sindicato dos Profissionais de Processamento de Dados do Distrito Federal Avel Alencar, de 42 anos, admitiu que foi o responsável pela confecção dos três mil cartazes. O sindicalista disse que passou os serviços de gráfica com um cheque de sua própria conta, no valor de R$ 1.060. "Eu mandei fazer a arte e paguei com meu dinheiro", contou Avel Alencar.

O sindicalista disse, inclusive, que está pensando em processar Bornhausen por prática de racismo, já que o pefelista disse que a crise política envolvendo o PT livraria o país "dessa raça" de políticos pelos próximos 30 anos. Avel Alencar disse ainda que foi uma decisão pessoal sua e que não teve participação de nenhum integrante do governo ou do PT.

"O Bornhausen pregou o extermínio da raça petista. Quem pregava o extermínio de raça eram os nazistas, por isso estou pensando em processá-lo", afirmou.

O sindicalista referia-se ao episódio ocorrido no último dia 26 de agosto quando Bornhausen, falando para uma centena de empresários na sede do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp), disse estar “encantado" com a crise política "porque vamos nos ver livre dessa raça durante pelo menos trinta anos”.

"O Bornhausen não reconhece que a sub-raça tem capacidade de raciocínio? Foi tudo idéia minha, eu estava indignado porque me senti ofendido com as declarações de Bornhausen e fiquei irritado com a inércia da direção do PT. Nossos companheiros do governo não quiseram responder, então resolvi reagir", disse Alencar.

Segundo o sindicalista, o presidente do PFL sempre foi "nazista, punkeiro e reacionário e apoiou a ditadura". Avel disse ainda que tem o direito de reagir porque se sentiu ofendido pelo pefelista. "Ele me ofendeu diretamente. Como eu não posso reagir? Tenho todo direito de reagir. A polícia não precisa me procurar não porque todo mundo me conhece".

Avel Alencar disse ainda que pretende fazer outros cartazes do tipo: " Peguei gosto. Vou fazer outros cartazes", afirmou.

Programas de TV, Veja e PSTU fazem pior com Lula e petistas

 
Cartaz do PSTU ridicularizando o presidente Lula. Deste, a oposição não reclama

Os cartazes que tanto irritaram o senador Bornhausen e seus aliados podem ser classificados como "fichinha" perto do que fazem rotineiramente alguns programas de TV e militantes de partidos como o PSTU em relação ao presidente Lula e parlamentares petistas.

O humorístico Casseta e Planeta, que vai ao ar na Rede Globo às terças-feiras, já retratou o presidente Lula como se fosse o líder nazista Adolf Hitler e qualifica semanalmente o PT e os parlamentares deste partido como ladrões.

O programa do apresentador Jô Soares não fica atrás. Ele encomendou ao seu famoso "sexteto" uma música cuja letra cita o nome de vários petistas, entre eles o deputado José Dirceu, relacionando-os a episódios de corrupção. A música é tocada todas as quartas-feiras na abertura do programa e por diversas vezes orquestras e coros de universidades são convidados para cantá-la.

Além destes programas globais, há também as abomináveis piadas e comparações feitas pelo programa Pânico, da Rede TV, que freqüentemente ridiculariza a figura do presidente da República e de integrantes do governo.

Atitude semelhante é adotada pelo setor de "comunicação" do PSTU que tem espalhado pelo Brasil cartazes ofensivos ao presidente Lula (veja reprodução acima).

Tudo isso sem falar da revista Veja, que esconde-se sob o manto do jornalismo para promover uma intensa campanha de difamação contra o governo Lula. A capa da edição de 10/8/05 (foto ao lado), em que Lula é comparado ao ex-presidente Collor, é simbólica. Não se deve esquecer que, exposta nas bancas de jornais de todo o país, capas como esta da Veja funcionam como pequenos cartazes. Não é preciso comprar ou ler a revista—tida com um panfleto da direita— para que o recado seja dado.

Pelo que se saiba, nunca se ouviu na tribuna da Câmara ou do Senado nenhum parlamentar da oposição criticar a forma desrespeitosa com que os meios de comunicação e a militância oposicionista, incluindo Bornahusen, têm se referido aos integrantes do atual governo. Como diz o conhecido ditado popular: "pimenta nos olhos dos outros é refresco".

Leia também:

Bornhausen conta porque falou "raça" e escolhe a sua esquerda

Emir Sader: O ódio de classe da burguesia brasileira
 

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