Da redação
Cláudio Gonzalez

Segundo militante petista, retratar
Bornhausen com uniforme nazista foi uma
resposta ao comportamento grosseiro e
preconceituoso do senador
Os
pefelistas ficaram indignados com os cartazes
espalhados em Brasília que mostram uma
fotomontagem retratando o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC) como um líder
nazista, segurando na mão direita um
exemplar da revista Veja com a
manchete "Juntos contra o PT". No alto do
cartaz, aparece a frase "Vamos acabar com
'este' raça. Preto, pobre e operário nunca
mais!". Na parte de baixo do cartaz, foi
aposta a qualificação "Herr Bornhausen".
Os cartazes
foram afixados ao longo do Eixo Monumental,
uma das principais avenidas da capital
federal, no
Setor Comercial Sul, área de grande
movimentação, e até na Esplanada dos
Ministérios.
A resposta
dos pefelistas ao episódio deu-se com uma
atitude ainda mais condenável que a
divulgação dos cartazes apócrifos.
Bornhausen insinuou e lideranças do PFL
afirmaram, de forma leviana, que o governo
federal e o ministro do Trabalho, Luiz
Marinho, estariam por trás da iniciativa.
O líder do PFL na Câmara, José
Carlos Aleluia (BA) foi ainda mais longe
e afirmou que o governo Lula é quem tem
perfil "nazi-fascista", com a figura de Lula
confundindo-se com as de Hitler e Stalin.
"Não sei com quem ele se parece mais!",
disse o deputado.
Mais tarde,
Bornhausen e os que tentaram ligar Luiz
Marinho ao episódio foram desmentidos pelo
próprio autor dos cartazes, que afirmou que
a iniciativa foi uma decisão pessoal. Nem
mesmo seus colegas de trabalho souberam.
Em nota à
imprensa, Luiz Marinho afirmou que considera
"uma irresponsabilidade a afirmação do
senador Jorge Bornhausen". Segundo a nota, o
ministro considera os cartazes um
desrespeito ao senador da República e afirma
que não pactua com "atitudes criminosas".
Avel: foi legítima defesa
Em
entrevista ao jornal "O Globo" na tarde de
quarta-feira (26/10), o diretor do Sindicato
dos Profissionais de Processamento de Dados
do Distrito Federal Avel Alencar, de 42
anos, admitiu que foi o responsável pela
confecção dos três mil cartazes. O
sindicalista disse que passou os serviços de
gráfica com um cheque de sua própria conta,
no valor de R$ 1.060. "Eu mandei fazer a
arte e paguei com meu dinheiro", contou Avel
Alencar.
O sindicalista disse, inclusive, que está
pensando em processar Bornhausen por prática
de racismo, já que o pefelista disse que a
crise política envolvendo o PT livraria o
país "dessa raça" de políticos pelos
próximos 30 anos. Avel Alencar disse ainda
que foi uma decisão pessoal sua e que não
teve participação de nenhum integrante do
governo ou do PT.
"O Bornhausen pregou o extermínio da raça
petista. Quem pregava o extermínio de raça
eram os nazistas, por isso estou pensando em
processá-lo", afirmou.
O
sindicalista referia-se ao episódio ocorrido
no último dia 26 de agosto quando
Bornhausen, falando para uma centena de
empresários na sede do Centro das Indústrias
de São Paulo (Ciesp), disse estar
“encantado" com a crise política "porque
vamos nos ver livre dessa raça durante pelo
menos trinta anos”.
"O Bornhausen não reconhece que a sub-raça
tem capacidade de raciocínio? Foi tudo idéia
minha, eu estava indignado porque me senti
ofendido com as declarações de Bornhausen e
fiquei irritado com a inércia da direção do
PT. Nossos companheiros do governo não
quiseram responder, então resolvi reagir",
disse Alencar.
Segundo o sindicalista, o presidente do PFL
sempre foi "nazista, punkeiro e reacionário
e apoiou a ditadura". Avel disse ainda que
tem o direito de reagir porque se sentiu
ofendido pelo pefelista. "Ele me ofendeu
diretamente. Como eu não posso reagir? Tenho
todo direito de reagir. A polícia não
precisa me procurar não porque todo mundo me
conhece".
Avel
Alencar disse ainda que pretende fazer
outros cartazes do tipo: " Peguei gosto. Vou
fazer outros cartazes", afirmou.
Programas
de TV, Veja
e PSTU fazem
pior com Lula e petistas
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Cartaz do
PSTU ridicularizando o presidente Lula. Deste, a oposição não reclama |
Os cartazes
que tanto irritaram o senador Bornhausen e
seus aliados podem ser classificados como
"fichinha" perto do que fazem rotineiramente
alguns programas de TV e militantes de
partidos como o PSTU em relação ao
presidente Lula e parlamentares petistas.
O
humorístico Casseta e Planeta, que vai ao ar
na Rede Globo às terças-feiras, já retratou
o presidente Lula como se fosse o líder
nazista Adolf Hitler e qualifica
semanalmente o PT e os parlamentares deste
partido como ladrões.
O programa
do apresentador Jô Soares não fica atrás.
Ele encomendou ao seu famoso "sexteto" uma
música cuja letra cita o nome de vários
petistas, entre eles o deputado José Dirceu,
relacionando-os a episódios de corrupção. A
música é tocada todas as quartas-feiras na
abertura do programa e por diversas vezes
orquestras e coros de universidades são
convidados para cantá-la.
Além destes
programas globais, há também as abomináveis
piadas e comparações feitas pelo programa
Pânico, da Rede TV, que freqüentemente
ridiculariza a figura do presidente da
República e de integrantes do governo.
Atitude
semelhante é adotada pelo setor de
"comunicação" do PSTU que tem espalhado pelo
Brasil cartazes ofensivos ao presidente Lula
(veja reprodução acima).
Tudo
isso sem falar da revista Veja, que
esconde-se sob o manto do jornalismo para
promover uma intensa campanha de difamação
contra o governo Lula. A capa da edição de
10/8/05 (foto ao lado), em que Lula é
comparado ao ex-presidente Collor, é
simbólica. Não se deve esquecer que, exposta
nas bancas de jornais de todo o país, capas
como esta da Veja funcionam como
pequenos cartazes. Não é preciso comprar ou
ler a revista—tida com um panfleto da
direita— para que o recado seja dado.
Pelo que se
saiba, nunca se ouviu na tribuna da Câmara
ou do Senado nenhum parlamentar da oposição
criticar a forma desrespeitosa com que os
meios de comunicação e a militância
oposicionista, incluindo Bornahusen, têm se
referido aos integrantes do atual governo.
Como diz o conhecido ditado popular:
"pimenta nos olhos dos outros é refresco".
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escolhe a sua esquerda
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brasileira
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