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De
branco, Manuela Brandão, vereadora em Jacobina (BA). Ao seu lado, Manuela
D´Ávila, vereadora em Porto Alegre (RS) |
Elas têm
em comum o nome — Manuela; a idade, 24
anos; a condição de mulher e comunista. E
conseguiram outras coincidências na vida,
superaram o preconceito existente no
Brasil contra os jovens e as mulheres para
exercerem cargos de envergadura. Elas se
elegeram vereadoras em suas cidades nas
eleições passadas e exercem os seus
mandatos com objetivo de superar esses
preconceitos.
As duas participaram como delegadas do 11º
Congresso Nacional do Partido, que
terminou neste domingo (23) e voltam para
casa com sentimentos e opiniões
coincidentes sobre o evento. “A garra dos
correligionários lhe anima, você sai
revigorada, estimulada para lutar mais,
fazer mais. Esse congresso lhe dá forças
para o trabalho”, avalia a baiana Manuela
Brandão Martins Paes, vereadora em
Jacobina (BA).
A gaúcha Manuela D´Ávila, vereadora em
Porto Alegre, que foi eleita para o Comitê
Central, também analisa o momento como
muito proveitoso para reflexão das idéias
e práticas do Partido.
O que distingue a vida das duas Manuelas é
o caminho que elas percorreram para se
encontrar no evento, chamando atenção
pelas coincidências, além da beleza
física, que elas preferem não destacar.
A Manuela baiana veio do PSDB, legenda
pela qual se elegeu, para se filiar ao
PCdoB, este ano. É novata no Partido. A
Manuela gaúcha começou na União da
Juventude Socialista (UJS), em 1999 e se
filiou ao Partido em 2000. Concorreu às
eleições pelo PCdoB.
Superando preconceitos
Outras coincidências estão destinadas a
elas. As duas trabalham para superar o
preconceito contra as condições de jovem e
mulher. A Manuela baiana tem bons
argumentos para se contrapor ao
preconceito. “Eu acho que o político jovem
está despido de qualquer vício, tem garra,
vontade de fazer e fazer certo. Algumas
pessoas se sentem incomodadas com isso e
tentam discriminar, destacando a
inexperiência. A isso, eu digo que não
confundam inexperiência com princípios”,
afirma.
Ela lembra que “até já me acusaram de ser
solteira, como defeito. A discriminação
não me atrapalha – existe, mas eu dou como
resposta meus atos, minha consciência,
minha capacidade de ouvir as pessoas, meu
comprometimento com o povo e não com
preconceito”, conclui.
Manuela D´Avila também tem resposta para o
preconceito. Ela diz que montou equipe
toda jovem no gabinete. “É a juventude
fazendo política para juventude”, destaca.
E destaca o preconceito contra a mulher
bonita. “Eu ouviu na campanha que é mais
um rostinho bonito na TV, mas o primeiro
na Câmara”, lembra, acrescentando que a
eleição dela rompe com outros preconceitos
até mesmo contra o Partido.
“A gente rompe com o padrão do Partido –
formado por homens, barbudos, meio
desleixados, que foram presos e torturados
na década de 60”, avalia. “A nossa eleição
acabou contribuindo para mostrar que o
partido é aberto, alegre”, refletindo a
diversidade do Partido – de velhos,
jovens, homens e mulheres e até gays e
lésbicas, “porque antigamente, continua
ela, tinha preconceito no Partido contra
gays e lésbicas. Nós montamos o gabinete
para a passeata gay e um velho gay veio
chorando falar comigo para dizer que tinha
saído do PCdoB porque não tinha espaço
para ele no Partido e que estava surpreso
de ver a bandeira do Partido na passeata”.
Ela insiste no assunto, destacando que
jovens e mulheres dão nova fisionomia ao
Partido. “Eu vivo outro momento, não vivi
a clandestinidade, as perseguições, as
prisões, é outro momento, outra vivência,
outra prática”, destaca.
História de Vida
Manuela Brandão Martins Paes diz que é
filha de família que tem tradição
política. Os avôs foram prefeitos pelo
PMDB, na época do bipartidarismo. E que o
pai, embora nunca tenha exercido cargo
político, é médico que atende pelo SUS e
defende causas semelhantes às causas
comunistas. Ela tira daí a justificativa
para ter se filiado ao PCdoB.
E atribui também a convivência com o
deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) a
influência para se filiar ao Partido.
Estudante de Direito em Salvador, Manuela
tinha contato com Daniel Almeida e
manifestou admiração “pela forma como ele
se portava politicamente, ouvia e atendia
as pessoas indistintamente. Nunca
discriminou ninguém e eu observei que essa
era a forma do partido e o Congresso
ratificou essa observação minha. Aldo
Rebelo teve o mesmo tempo de fala que
qualquer outro militante. Não há
discriminação, privilégio de um em
detrimento de outro. Isso é uma virtude do
partido”, afirma.
Manuela também destacou como virtude dos
comunistas “o sentimento de convicção,
antes de estar filiado a um partido, estão
filiados a uma causa. Gostam disso, lutam
de coração, por uma causa que antes de ser
política é social”. Em seu primeiro
Congresso do Partido, a jovem vereadora
baiana avalia que o evento “me deu uma
idéia mais ampla do que é o partido, me
fortalece hoje enquanto comunista, porque
eu passo a conhecer mais os princípios,
sentir a unidade que existe em torno do
Partido”.
Manuela D´Ávila, ao contrário da xará, já
tem vivência comunista, apesar da pouca
idade. No 10º Congresso nacional do
Partido, no Rio de Janeiro, trabalhou na
equipe de apoio de Relações
Internacionais. Militou na UJS e na UNE, o
que, segundo ela, foram experiências
valiosas e tão importantes quanto a que
vive hoje como vereadora.
De Brasília,
Márcia Xavier
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