De Brasília,
Cláudio Gonzalez

Haroldo Lima
discursa em homenagem a João Amazonas
A memória e o legado de João Amazonas, que
presidiu o Partido Comunista do Brasil até
o 10º Congresso do PCdoB, em 2001, recebeu
uma emocionante homenagem póstuma no
início da noite deste sábado (22/10), em
Brasília, onde ocorre a plenária final do
11º Congresso do PCdoB.
Sua trajetória de “seis décadas, cujo
rastro permeia a trajetória de lutas da
classe operária e do povo brasileiro’ foi
contada em tocante discurso do dirigente
comunista Haroldo Lima, vice-presidente
nacional do PCdoB.
Haroldo começou o discurso contando como
Amazonas ingressou no Partido: “Corria o
ano de 1935. No mundo crescia o
nazi-fascismo, que também se ensaiava pelo
Brasil. Para fazer-lhe frente,
organizou-se a Aliança Nacional
Libertadora, que passou a se desenvolver
pelo país afora com seu lema “Pão, Terra e
Liberdade”. Em Belém, o jovem Amazonas, de
23 anos, balançava-se em uma rede, quando
escutou pelo rádio o chamado para um
comício dessa Frente. Pulou da rede, foi
para o comício. Empolgou-se. No dia
seguinte pediu ingresso na ANL e dias
depois foi convidado a entrar no
agrupamento que dirigia a frente, o
Partido Comunista do Brasil”.
A partir daí, Haroldo Lima relatou todas
as importantes contribuições que Amazonas
deu à história do Partido e ao país até 27
de maio de 2002 quando, aos 90 anos, o
então presidente de honra do PCdoB
faleceu.
O discurso de Haroldo Lima emocionou o
auditório e foi diversas vezes
interrompido por aplausos e palavras de
ordem como: “João Amazonas/bravo
guerrilheiro / herói dos comunistas / e do
povo brasileiro” e “Sente-se, sente-se /
Amazonas está presente”, além do já
tradicional “Tarda, tarda, tarda mas não
falha / aqui está presente a juventude do
Araguaia”.
A sessão de homenagem foi conduzida pelo
deputado estadual Nivaldo Santana (PCdoB-SP),
que convidou para compor a mesa e
acompanhar a homenagem, a viúva de
Amazonas, Edíria Carneiro, conduzida ao
palco pelo deputado federal Jamil Murad (PCdoB-SP).
Também foram convidados para acompanhar a
homenagem o militante mais idoso presente
ao Congresso, Diogo Baeça, de 81 anos; o
histórico comunista Dinés Aguiar, que
militou por longo período ao lado de
Amazonas e, representando a juventude
socialista, pela qual Amazonas sempre
demonstrou grande entusiasmo, compareceu a
sindicalista de Caxias do Sul, Eremi
Fragoso.
Também compuseram a mesa dirigentes
nacionais do Partido como Renato Rabelo,
Aldo Arantes, Aldo Rebelo, Luciana Santos,
Agnelo Queiroz, entre outros.
Ao
final do discurso de Haroldo Lima, os
convidados Dinéas Aguiar, Eremi Fragoso e
Diogo Baeça entregaram um buquê de flores
à viúva de Amazonas, Edíria Carneiro
(foto). Neste momento a emoção de todos,
na mesa e na platéia, aflorou e muitas
lágrimas foram derramadas.
Convidada a falar, Edíria Carneiro
agradeceu a homenagem e disse que se João
Amazonas estivesse presente “ele estaria
muito feliz pela homenagem dos camaradas e
desse partido que foi a razão da vida
dele”. Em resposta, a platéia gritou “João
Amazonas/você está presente”.
O presidente do PCdoB, Renato Rabelo,
entregou a Edíria um exemplar da segunda
edição do livro Os desafios do socialismo
no século XXI (Editora Anita Garibaldi),
que reúne diversos textos de João
Amazonas. Com esse gesto, que simbolizou o
legado teórico que o histórico dirigente
comunista deixou, a homenagem foi
encerrada.
Clique aqui para ler a íntegra do discurso
de Haroldo Lima
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