 |
|
| O
plenário vota a controvérsia
do voto |
Duas questões concentraram o debate
sobre o novo Estatuto do PCdoB, que realiza
em Brasília o seu 11º Congresso:
voto aberto ou secreto; e presença
das mulheres nos órgãos
dirigentes.
A
primeira questão foi a mais mais
controversa: versou sobre a inovação
introduzida no Projeto de Estatuto, estabelecendo
o voto secreto para a escolha das direções
partidárias. A proposta feita pelo
Comitê Central encontrou questionamentos
em várias conferências municipais
e estaduais. E a manutenção
do voto aberto chegou a vencer, por um
voto, a Conferência Estadual do
PCdoB-São Paulo, a maior das 27
realizadas, com 12 mil participantes na
base.
Primeiramente
o Congresso votou em bloco o Estatuto,
com 13 mudanças propostas por delegados
e acatadas pela Comissão de Sistematizaçano.
Esta votação foi unânime.
Depois
de duas defesas contra e duas a favor,
o plenário votou a controvérsia
sobre voto aberto ou secreto. A votação
por crachás erguidos teve em torno
de três quartos a favor do voto
secreto.
Argumentos
pró e contra
O
debate em plenário sobre o método
de votação para as direções
partidárias reproduziu os argumentos
já levantados desde as Assembléias
de Base, Conferências Municipais,
Distritais e Estaduais.
Antônio
Ederval, delegado do Amazonas, foi o primeiro
a falar e defendeu o voto aberto. Argumentou
que "voto democrático é
voto aberto" e argumentando com passagens
recentes da vida parlamentar no Brasil
e na Assembléia Legislativa do
Amazonas.
Wadson
Ribeiro, da UJS, primeiro valorizou no
debate um sentimento muito justo e uma
preocupação louvável
" com a saúde política
e ideológica do nosso Partido".
Mas defendeu que no PCdoB, no momento,
"tem que encarar problemas que existem
em determinados locais, onde o militante
tem dificuldade de se contrapor ao dirigente",
advogando por isso a introdução
do voto secreto.
Eliseu
Soares Lopes, delegado de São Paulo,
fez a segunda defesa do voto aberto.
Para Eliseu, "aqui é comunista,
não tem objetivo pessoal de ninguém"
e "podemos ter divergência
mas temos unidade no objetivo". Ainda
segundo sua defesa, "a intimidação
ao contrário derruba o debate e
faz com que o coletivo partidário
não tenha consciência dos
problemas que eventualmente possa ter".
Aldo
Rebelo, delegado por São Paulo,
opinou que "não se trata de
uma questão de princípios"
e partidos comunistas do mundo inteiro
adotaram posições distintas
a respeito. E citou os PCs da China, Cuba
e Índia, que adotam o voto secreto.
"O Partido vive da busca da inovação",
argumentou. E disse ainda que "dirigente
do Partido não pode ter medo do
voto secreto dos militantes e dos delegados".
Quanto
à presença das mulheres,
vários delegados propuseram que
o estatuto fixasse uma cota mínima
de 30% de mulheres nos organismos dirigentes
do PCdoB. Após negociações,
os proponentes aceitaram uma solução
intermediária, introduzindo um
adendo ao Artigo 53 do Estatuto: nele
se estabelece que o Partido definirá
"políticas de ampliação
de sua participação (das
mulheres) nas diversas instâncias
partidárias".
De
Brasília,
Bernardo Joffily
|