Com 81 anos de idade, Diogo Baeça é o mais
idoso militante comunista presente na
plenária do 11º Congresso do PCdoB. Ele
nasceu no 7º aniversário da Revolução de
Outubro, da Rússia, em 7 de novembro de
1924, no bairro do Brás, em São Paulo. Foi
na capital paulista que ele ingressou no
Partido Comunista do Brasil, em 7 de
novembro de 1945, e não esconde sua
satisfação por acompanhar os trabalhos do
Congresso Nacional do PCdoB, em Brasília.
“É um
congresso muito bom, com muita gente, o
que também exige um controle muito rígido
para que os trabalhos corram bem”, conta
seu Diogo. Ele já atuou no Sindicato dos
Metalúrgicos de São Paulo, nos anos 1950,
quando era mecânico, e no Sindicato dos
Condutores, na década seguinte, quando foi
preso pela ditadura militar.
“Em 1950
eu fui com uma delegação de comunistas
brasileiros participar de um congresso
sindical, no Uruguai, quando fui preso,
pela primeira vez. Os uruguaios fizeram
manifestações de protestos e nós fomos
logo soltos e enviados de volta ao
Brasil”, recorda. Já a prisão durante a
ditadura militar, em 1965, foi traumática:
na cela em que estava, seu Diogo começou a
sangrar, devido a uma úlcera suporada.
“Quando o carcereiro me viu sangrando e
abriu a cela, não sei o que me deu na
cabeça, mas eu sai correndo, fugi. Tomei
um táxi e fui pro Sindicato dos
Condutores, onde o medito de plantão no
ambulatório que funcionava lá me medicou”.
O velho
militante achou muito boa a presença de
Lula na abertura do Congresso: “O Lula
evoluiu muito, avançou bastante. Já não se
comporta apenas como dirigente sindical,
mas como um político consciente”, comenta.
De
Brasília,
Carlos Pompe |