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| Moacir:
"As condições estão
dadas" |
Moacir Paulino Silveira, 53 anos, é
delegado por Pernambuco ao 11º Congresso
do PCdoB. Brincalhão, ele declarou
ao Vermelho que já
pode ser presidente da República,
já que é pernambucano, metalúrgico
e torneiro-mecânico trabalha
na Máquinas Piratininga, do Grupo
Votorantim, em um torno mecânico
pesado que produz peças de muitas
toneladas.
Moacir
é atualmente vice-presidente do
Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco,
com 15 mil trabalhadores na base estadual,
concentrados nos municípios da
Região Metropolitana do Recife.
Quase duas décadas atrás,
em 1987, ele foi o primeiro comunista
a participar da diretoria do Sindicato,
em um movimento que retomava uma antiga
tradição comunista no Estado.
"O
trabalhador começa pelo problema
imediato"
Hoje,
metade dos diretores do Sindicato é
do PCdoB os demais se distribuem
entre tendências como a Articulação
de Esquerda, o PCB e ASS. E Moacir avalia
que a presença sindical tem sido
essencial para o crescimento do PCdoB
nas metalúrgicas pernambucanas.
No
processo do 11º Congresso, participaram
cerca de 80 metalúrgicos, que constituem
Organizações de Base, em
oito empresas. São metalúrgicos
cinco dos membros eleitos para o novo
Comitê Estadual, assim como vários
membros de Comitês Municipais e
Distritais da capital. É uma presença
que cresce, em grande parte a partir do
trabalho sindical.
"O
movimento sindical tem uma coisa que é
a questão objetiva: o trabalhador
se movimenta primeiro para resolver o
seu problema imediato. Por isso o movimento
sindical ee tão forte e importante",
argumenta o torneiro-mecânico.
Ele
explica que o PCdoB cresce nas fábricas
com este ponto de partida. "A partir
de uma prática, de alguns dirigentes,
os trabalhadores encontram neles um exemplo,
de solidariedade, de seriedade no mandato".
O passo seguinte é conhecer o PCdoB
e ingressar nas suas fileiras.
"O
que falta ee mais ousadia"
Moacir
está entusiasmado com as perspectivas
do Partido na base operária. "As
condições estão dadas.
O que falta é mais ousadia, é
planejamento, envolver as direções
nesta disputa de hegemonia. E eu acredito
que o PCdoB vai crescer não só
na questão da institucionalidade,
mas nos movimentos e nas lutas sociais",
afirma.
As
condições estão dadas?
E a crise política? E a ofensiva
da oposição? Moacir dá
o testemunho do que ouve na fábrica
e na base sindical: "A maioria dos
metalúrgicos... eles 'aliviam'
quando falam do Lula. Nnao estão
enganados e até acham que o presidente
sabia, mas que não teria como enfrentar
uma situação que não
foi ele que criou."
Moacir
relata que na empresa dele há uma
base forte do PCdoB, mas a maioria dos
360 operários "é PT,
acompanha o PT". Naquela base, opina
que "o PT perdeu muita credibilidade"
com a crise. E que "muita gente procura
uma outra perspectiva".
Ele
chama atenção também
para o fato de que a matriz de corrupção
existente no movimento sindical, que é
antiga, deve ter influido na crise. Recorda
que Delúbio Soares já foi
tesoureiro da CUT, e opina: "Essas
pessoas que criaram esse problema no PT,
elas já aprenderam no movimento
sindical". Tira da í a conclusão
de que é preciso fortalecer a solidez
e os princípios também no
sindicalismo brasileiro.
De
Brasília,
Bernardo Joffily
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