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Freitas: é preciso construir uma
adequada
política de participação em governos |
O secretário de Relações
Institucionais, Ronald Freitas, fez sua
intervenção no 11º Congresso enfocando a
participação do PCdoB na vida política nas
esferas legislativa e executiva. Criada há
poucos anos, a secretaria foi concebida
com o objetivo de auxiliar os ocupantes de
cargos públicos – como prefeituras e
ministérios, por exemplo – que fazem parte
do PCdoB. Dessa forma, é possível
aprimorar a atuação dos comunistas em
funções públicas. Após traçar o perfil da
participação política do Partido em sua
história, Freitas falou sobre os êxitos
conquistados: “Com a vitória de Lula em
2002, pela primeira vez em nossos 83 anos
de existência, a questão da participação
no governo central da República saiu da
esfera das probabilidades para o terreno
da política concreta. Para debatermos e
nos posicionarmos sobre a questão de
acordo com o coletivo partidário,
convocamos a 9ª Conferencia Nacional em
fins de 2003”.
Sobre a esfera municipal, Freitas avaliou
que “com o resultado das eleições de 2004,
passamos a viver uma nova realidade.
Elegemos 10 prefeitos e 29 vice-prefeitos
além de termos participado como aliados da
eleição de inúmeros outros. Disso decorreu
o aumento de nossas responsabilidades como
administradores públicos nesta esfera,
pois hoje participamos da administração
municipal em mais de 200 cidades, dos mais
variados tamanhos e nos mais variados
cargos”.
Ao mesmo tempo, o dirigente comunista
reconhece que ainda há muito que ser feito
para aperfeiçoar a participação do PCdoB
em governos: “Registramos que, no que pese
os êxitos obtidos, muito mais poderíamos
ter feito. Ficou a desejar um maior
entrosamento entre os vários agentes
públicos indicados por nós e pela direção
partidária, e não conseguimos montar um
sistema de atuação entre os vários entes
públicos por nós dirigidos, que
potencializasse as suas possibilidades
políticas. Além disso, temos deficiências
na participação da elaboração das
políticas de Estado, nos vários órgãos
onde atuamos, bem como a nossa elaboração
teórica partidária sobre a participação em
governos ainda dá os seus primeiros
passos, exigindo de nós um esforço
dirigido neste sentido”.
Para Freitas, é preciso que haja a
compreensão de que se deve buscar
“construir uma adequada política de
participação em governos onde,
respeitando-se as especificidades dessa
atuação, sejam desenvolvidas políticas que
permitam um significativo crescimento
partidário em todos os terrenos; no
teórico, no político e no organizativo”.
Veja a seguir o texto completo da
intervenção de Ronald Freitas
A PRESENÇA DOS COMUNISTAS
BRASILEIROS
NO GOVERNO CENTRAL DA REPÚBLICA
Ronald Freitas
1- Introdução
Para os comunistas participar em governos
nos marcos de um estado burguês tem uma
longa historia. Desde 1848, quando da
revolução francesa de fevereiro daquele
ano, em que os socialistas Albert e Louis
Blanc participaram do governo que dela
emergiu e foram criticados por Marx,
passando ainda na França, pelo governo
socialista de Milerrand que emergiu da
crise gerada pelo Caso Dreyfus, e causou
grande polemica no seio da II
Internacional. Posteriormente o debate se
desenvolveu entre os mencheviques e
bolcheviques russos, que Lênin retrata na
obra Que Fazer. Volta com força em 1935
durante o VII Congresso da Internacional
Comunista, quando Dimitrov, apresenta a
questão no seu famoso informe sobre a luta
antifascista. Após a segunda guerra
mundial, com a respeitabilidade
conquistada pelas forças comunistas na
luta antifascista e o ascenso das idéias e
da luta pelo socialismo, vivemos em
1944/47 entre outras, as experiências
francesa e italiana. Em 1971/73, na
América Latina, tivemos a experiência
chilena de Salvador Allende, e em 1974/75
a da Revolução dos Cravos em Portugal.
O PC do B tem enfrentado essa questão ao
longo de sua atividade. Temos nos
posicionado de acordo com as orientações
políticas para as condições de cada
momento histórico em que atuamos. Na
atualidade compreendemos que participar ou
não de cargos em governos centrais de um
estado burguês, decorre de uma serie de
fatores de natureza política tais como:
correlação de forças da sociedade,
objetivos parciais a serem atingidos etc.
Ou seja, é uma questão de posição
política, e não um princípio demarcador de
uma fronteira entre revolução e reforma.
2- Situação atual do PC do B nessa
frente
Sempre disputamos cargos no
legislativo, e chegamos a ter durante a
fugaz legalidade de 1946/47, forte
presença no parlamento nacional e em
varias assembléias estaduais, e câmaras de
vereadores. Disputamos nesta oportunidade
cargos do executivo, tendo inclusive
lançado Iedo Fiuza candidato a Presidente
da República. No plano municipal, elegemos
o Prefeito da cidade operaria de Santo
André/SP, que não chegou a tomar posse
devido às perseguições golpistas de
direita a que fomos submetidos naquele
então.
Com a feição que a luta de classes tomou
em nosso país no período posterior a
ditadura (1964/1985), passamos a ter
tímida participação nas disputas de cargos
majoritários, tendo inclusive disputado e
eleito em 1985 o Prefeito Municipal da
cidade de Camaçari/BA. Desde então essa
política de disputa e participação em
postos executivos, nos marcos do Estado
brasileiro atual, tem se intensificado.
Sendo que hoje, além de termos uma
participação de certo destaque no governo
central da República, participamos como
aliados em governos estaduais e locais.
Também elegemos com nossa própria legenda,
Prefeitos e Vices de importantes cidades.
A partir de janeiro de 2003, passamos a
participar do governo LULA. Inicialmente
no Ministério do Esporte; na Gerência do
PROEP; e em cargos de certa importância
nos ministérios da Saúde, da Educação e
secundariamente em outros postos de vários
ministérios. Posteriormente passamos a ter
um camarada dirigindo a Agência Nacional
de Petróleo (ANP) e outro na Agencia
Nacional de Cinema (ANCINE). A partir do
inicio de 2004, a convite do Pres. da
República integramos o núcleo central do
governo, com a titularidade da Secretaria
de Coordenação Política e Assuntos
Institucionais que tem nível ministerial.
Indicamos também o Secretário Executivo do
Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT).
Atualmente não estamos mais presentes na
Secretaria de Articulação Política e no
PROEP, mantendo nossa presença nos demais
cargos.
Na esfera legislativa, temos experiência
mais longa, pois mesmo antes de voltarmos
à legalidade em 1985, já elegíamos
deputados federais pela legenda do ex-MDB,
e após 1985, elegemos bancadas próprias em
todas as legislaturas. No governo Lula,
exercemos por mais de um ano a Liderança
do Governo na Câmara, um dos mais
importantes postos do legislativo. Com a
eleição em setembro último, de Aldo
Rebelo, para a Presidência da Câmara dos
Deputados, configura-se a situação de ter
um importante quadro do Partido Comunista
na direção de um dos poderes da república.
Sem duvida o mais importante posto
político assumido por um comunista nos 83
anos de existência do Partido.
A essa participação em postos na esfera
federal, agregue-se significativa presença
nos níveis Estaduais e Municipais, onde há
mais tempo, ocupamos cargos de confiança
na esfera executiva e elegemos camaradas
para as respectivas casas legislativas.
3-Os posicionamentos atuais do Partido
sobre a questão
A nossa presença no governo nas varias
esferas de poderes e competência, é fruto
de uma orientação política elaborada em
consonância com nossa estratégia e tática
para o período de acumulação
revolucionária de forças, que vivemos no
Brasil, desde o fim da ditadura e a
reconquista da legalidade partidária.
No nosso 9º Congresso, realizado em 1997,
analisando a situação política do nosso
país e as tarefas e desafios que se
colocavam, afirmamos que para enfrentá-las
com êxito, necessitávamos de um:
“Partido de princípios,
marxista-leninista, de feição moderna,
capaz de realizar a grande política
destinada a mudar os rumos do país. Um
partido livre do dogmatismo e do
voluntarismo. Partido de lutas, disposto a
assumir responsabilidades em níveis de
poder local e mesmo poder nacional, se
existirem condições para isso.”
Isso mostra que já em 1997 levantávamos
que dadas certas condições, estávamos
dispostos a assumir nossas
responsabilidades políticas de ser
cooparticipe de governos nos marcos da
situação vigente no país.
Quando da realização do nosso 10º
Congresso, em 2001, na Intervenção
Especial sobre o Trabalho Institucional
assim foram colocados os nossos objetivos
ao participar em governos.
“A participação nos governos é parte
integrante da ação política geral do
Partido, associada às demais frentes de
luta, tendo como foco a busca de um novo
rumo para o país através da constituição
de maioria social e política capaz de
promover um pacto social progressista e
abrir caminho para transformações de
conteúdo mais avançado.”
Com a vitória de Lula em 2002, pela
primeira vez em nossos 83 anos de
existência, a questão da participação no
governo central da república, saiu da
esfera das probabilidades para o terreno
da política concreta. Para debatermos e
nos posicionarmos sobre a questão de
acordo com o coletivo partidário,
convocamos a 9ª Conferencia Nacional em
fins de 2003. Nesta conferencia
realizou-se um vigoroso debate sob o
significado, possibilidades e limites
dessa participação, onde concluímos:
“Essa nova realidade brasileira tornou
imprescindível à participação do PC do B
no novo governo, resguardando sua
independência ideológica e política. O
nosso Partido compõe, principalmente com o
PT, desde 1989, no período da transição
democrática, o núcleo das forças
responsáveis por esse resultado sem
paralelo na nossa história política. Por
isso, pela primeira vez, os comunistas no
Brasil participam no primeiro escalão de
um governo da República e também, a
convite do presidente, aceitam liderar a
bancada do governo na Câmara federal.
São essas as orientações políticas que
balizam a nossa participação atual no
governo.
4-O desempenho, êxitos e falhas no
decorrer da atividade.
Não cabe nos marcos de uma intervenção
dessa natureza, realizar um balanço
pormenorizado nos vários níveis de nossa
atuação governamental, e nos vários entes
públicos em que temos responsabilidades de
gestores. Apresentaremos então de forma
sucinta, alguns aspectos gerais dessa
atividade, nas varias esferas em que
atuamos.
Na esfera municipal, com o resultado das
eleições de 2004, passamos a viver uma
nova realidade. Elegemos 10 prefeitos e 29
vice-prefeitos além de termos participado
como aliados da eleição de inúmeros
outros. Disso decorreu que aumentou em
muito nossas responsabilidades como
administradores públicos nesta esfera,
pois hoje participamos da administração
municipal em mais de 200 cidades, dos mais
variados tamanhos e nos mais variados
cargos. Em decorrência disso, passamos a
ser solicitados a dar respostas a inúmeras
demandas daí derivadas. Focamos o centro
de nossa atenção em construir um conjunto
de orientações políticas que pautassem,
conduzissem e normatizassem a nossa ação
nessas prefeituras. Para isso realizamos
dois (02) Encontros Nacionais de Prefeitos
e Vices que além dos titulares dos
mandatos, contaram com a participação de
camaradas que exercem cargos de secretario
em varias prefeituras. Promovemos na
medida do possível intercambio de
experiências entre camaradas que atuam
nestas administrações e encaminhamos as
demandas de natureza
técnico-administrativas para consultorias
profissionalmente capacitadas para tal
mister.
No plano Estadual, nossa participação tem
menor expressão quantitativa, embora tenha
expressiva importância política. Temos o
vice-governador do Piauí, secretários de
estado ou equivalente em Santa Catarina,
Acre, Goiás, Rio Grande do Norte, Piauí,
Alagoas, Paraná. A atuação nesse conjunto
de Estados tem sido importante e tem
colocado o nosso Partido em destaque na
vida política dos mesmos. Com isso
potenciamos a nossa intervenção nos
movimentos sociais organizados e na luta
do povo em geral. A orientação para
atuação nesses espaços, decorre da
política geral do Partido, e se conforma
com a realidade política e partidária de
cada Estado da Federação. Registramos,
entretanto que nessa frente pouco se fez
para estabelecer uma maior troca de
experiências entre os camaradas
responsáveis, o que sem dúvida teria
contribuído para uma maior eficiência na
realização dessas tarefas.
Na esfera da União Federal, é onde nossa
presença é mais destacada e tem maior
repercussão política. Como listamos acima,
além de dirigirmos um Ministério,
dirigimos a Agencia Nacional de Petróleo e
estamos presentes em vários outros
ministérios, agência, secretarias e
assessorias técnicas de órgãos públicos
federais. Além de que com a eleição do
camarada Aldo Rebelo para a Presidência da
Câmara dos Deputados, essa presença passa
a um novo patamar.
Podemos afirmar que a participação no
governo tem sido positiva para o Partido.
Na esfera política, a variada presença no
executivo e no legislativo, trouxe o
Partido para o centro da vida política do
país, como nunca estivemos em nossa
existência. Isso nos proporcionou um amplo
reconhecimento pela sociedade brasileira,
que passou a nos conhecer melhor,
reconhecer nossas qualidades de lutadores
sérios, éticos, comprometidos com a luta
pela justiça social e conseqüente
defensores da Pátria. Simultaneamente
passamos a conhecer mais a realidade do
nosso país e de nosso povo, e participar
da busca de soluções para os enormes
problemas existentes. Agregue-se a isso
que toda uma nova geração de quadros
passou a viver uma experiência política
nova e desafiadora, que é conduzir os
destinos de setores da vida de um país de
dimensões continentais, populoso e
detentor de uma das importantes economias
do globo. Tivemos também condições de, por
meio dessa atividade, construir
importantes oportunidades de ampliação das
fileiras partidárias.
Registramos que no que pese os êxitos
obtidos, muito mais poderíamos ter feito.
Ficou a desejar um maior entrosamento
entre os vários agentes públicos por nos
indicados e a direção partidária, e não
conseguimos montar um sistema de atuação
entre os vários entes públicos por nos
dirigidos, que potenciasse as suas
possibilidades políticas. Alem disso,
temos deficiências na participação da
elaboração das políticas de estado, nos
vários órgãos onde atuamos, bem como a
nossa elaboração teórica partidária sobre
a participação em governos, ainda dá os
seus primeiros passos, exigindo de nós um
esforço dirigido neste sentido.
Além dos aspectos acima levantados,
enfrentamos uma serie de outras limitações
fruto de nossa inexperiência e mesmo de
concepções, avaliações e expectativas
sobre o significado e o fato de estarmos
participando do governo.
A inexperiência, aliada a uma convicção
difusa de que a simples conquista do
governo nos municia, de um poder
inquestionável, o poder político pode
tudo, tem levado a ilusão quanto ao poder
real de que dispomos, nos marcos do
governo. Isso tem levado alguns a se
decepcionarem não só com os rumos do
governo, mas também com a baixa eficiência
da maquina administrativa.
Essa questão é mais complexa do que se
pode de inicio imaginar e envolve questões
que vão de uma superestimação das
possibilidades e limites do tipo de
governo de que estamos participando, a
inexperiência e capacidade como gestores
públicos por parte de nossos quadros.
Identificamos pelos menos três gargalos
centrais que bloqueiam um melhor
desempenho de nossos quadros na gestão
pública, e procuramos apresentar um esboço
de atitudes a serem por nós assumidas no
seu enfrentamento.
a) O aparato do Estado tem uma burocracia
estável, experiente e muito viciada no que
se refere aos métodos e atitudes no
trabalho. Necessitamos conhecê-la em seus
múltiplos aspectos, e reconhecer sua
competência especifica. Nem sempre temos
conseguido trabalhar bem com esse
segmento. É politicamente necessário
ganhá-los, ou no mínimo neutraliza-los.
Quando conseguimos ganhá-los para o nosso
lado, temos uma ajuda significativa. Mas
caso se coloquem contra nós, nos
atrapalharão muito, pois, têm uma imensa
capacidade de emperrar a maquina
administrativa, e frustrar planos.
b) A inexperiência administrativa por
parte de muito de nossos quadros, é outro
fator que pesa no bom desempenho de nossas
funções como gestores públicos. É
necessário aprender como trabalhar no
órgão público onde atuamos. Conhecer sua
estrutura, a lei, regulamentos e portarias
que o constituem. Seu organograma, suas
inter-relações com outros entes públicos,
etc. Procurar-mos aprender com os
funcionários de carreira, e não descurar
de se qualificar, seja através de estudo
individual, seja realizando cursos de
gestão pública.
c) As ‘limitações legais e materiais’
são importantes obstáculos a que estamos
submetidos. Leis, regulamentos, decretos e
portarias que regem a administração
pública, orçamentos insuficientes,
contingenciamentos, etc., Tudo isso
constitui um conjunto de limitações e
restrições às quais devemos estar atentos
e saber com elas trabalhar.
Particularmente no que se refere às
limitações orçamentárias, é necessário ser
criativo e procurar realizar atividades
mesmo com pouco dinheiro. Essa capacidade,
muitas vezes caracteriza um bom
administrador. Além do que, para aqueles
que têm em suas atribuições o ‘ordenamento
de despesas’, o domínio das normas
específicas para tal fim é fundamental,
pois essa matéria gera obrigações legais
do ‘ordenador’ perante o Estado, que
continuam válidas, mesmo quando ele já não
mais exerce a função.
4-Perspectivas
Companheiros!
Nos marcos do atual desenvolvimento da
luta de classes no Brasil e no mundo, como
analisa exaustivamente o PRP apresentado,
o processo de acumulação de forças que
desenvolvemos, tem na luta institucional
no geral, e na participação em espaços de
governos nacionalistas, democráticos e
progressistas em particular, um dos seus
mais importantes aspectos. Ou dito de
outra maneira, a política de participação
em governos, será um importante
instrumento de nossa tática, enquanto
perdurarem as atuais condições políticas.
Daí decorre que devemos nos preparar cada
vez mais para atuar nessa frente e nessas
condições. Para tanto, temos que armar
adequadamente os nossos quadros para
entenderem em profundidade o significado,
as possibilidades e os limites dessa
atividade. Também é necessário que além
dos aspectos políticos, os membros do
partido que atuam nessa frente sejam
capacitados na ciência e em certo sentido
na arte da administração pública. Essa
matéria se desenvolveu significativamente,
e os comunistas brasileiros têm pouca
reflexão acumulada de um ponto de vista
progressista e marxista.
A atuação partidária nessa frente, nas
atuais condições, tem ainda muito a
percorrer no sentido de estabelecer uma
adequada, moderna e correta política de
relações entre partido e administração
publica. Como se estabelecer uma adequada
relação entre quadros no exercício de
cargos públicos com poder de mando, e sua
atuação partidária? Quais os limites e
possibilidades que derivam dessa situação?
Em suma, como estabelecer uma correta
relação entre o interesse da administração
pública e os interesses partidários, sem
que se repitam experiências históricas
onde situações dessa natureza, levaram a
um super-dimensionamento do papel do
Partido frente ao Estado.
É necessário estabelecermos mecanismos
políticos e organizativos que propiciem as
condições de crescimento partidário a
partir da atuação em postos de governo,
nas condições dadas. Este é um dos pontos
onde temos muito a aprender, e onde se
apresentam duas tendências mais salientes.
Uma considera que o simples fato de
estarmos participando de um posto
executivo, já projeta o Partido em uma
nova esfera política, o que nos credencia
a novos saltos. Essa idéia embora não seja
de todo incorreta, trás no seu âmago, uma
visão expontaneista do processo político o
que limita explorarmos a fundo as
possibilidades que se abrem. Já a outra,
partindo de uma visão meramente
utilitarista e pragmática, compreende
esses espaços, como um mero instrumento da
ação partidária, no sentido menor que pode
ter essa concepção, ou seja, tende a
transformar esses espaços em meros
aparelhos. Compreendemos que se deve
buscar construir uma adequada política de
participação em governos onde,
respeitando-se as especificidades dessa
atuação, sejam desenvolvidas políticas que
permitam um significativo crescimento
partidário em todos os terrenos; no
teórico, no político e no organizativo.
Devemos também desenvolver a elevação do
nível ideológico de todo o coletivo
partidário e particularmente dos quadros
com tarefa nessa área, no sentido de
armá-los para que não se deixem corromper
pela maquina do Estado. Participar em
postos destacados da administração
publica, é para muitos quadros uma
experiência que além de nova e complexa,
encerra enormes desafios. De repente um
ativista político, que até então atuava em
precárias condições, vê-se alçado a postos
de mando que lhes proporcionam
instrumentos de ação política até a pouco
inimaginados. Além de que passa a
conviver, por dever de oficio, com novos
agentes políticos e sociais que não só
têem larga experiência no trato da
administração, como em muitos casos,
procuram utilizá-la em função de
interesses não republicanos.
Companheiros!
Apresentamos nessa Intervenção Especial
ao 11° Congresso, algumas reflexões que o
acompanhamento desse frente nos suscitou.
Atividade nova, que passou a ter
importância em nossa ação na medida em que
estamos participando mais ativamente de
postos de mando nas várias esferas do
poder executivo do Estado brasileiro.
Mesmo a denominação Relações
Institucionais, merece uma compreensão
adequada do contexto que é utilizada,
cingi-se a citada participação em
executivos e legislativos dos governos,
pois em sentido amplo, a participação em
sindicatos e outras entidades de massas,
também estão no campo da participação
institucional, pois as várias entidades de
massa nas quais temos atividade política,
também são instituições públicas, porem o
centro de sua atividade se situa na defesa
dos interesses dos seus representados e
não se propõe a representar toda a
sociedade, como pretende o Estado.
Consideramos que, mantidas as condições
atuais da luta política no Brasil e no
mundo, essa atividade desempenhará um
crescente papel na vida política do
Partido. Disso decorre que a elaboração de
políticas, o acompanhamento de sua
execução, a formação de quadros
capacitados para tais atividades, passam a
ser uma das frentes de luta política e
ação partidária, destacada para nós.
Como assinala o PRP, a acumulação de
forças para derrotar o neoliberalismo é um
dos aspectos centrais de nossa tática, e
nessas circunstâncias a participação em
governos nacionalistas, democráticos e
progressistas, é uma destacada trincheira
de nossa luta pela vitória do SOCIALISMO
em nossa PATRIA. (BSB, 16/10/2005).
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