 |
|
Walter Sorrentino no 11º Congresso |
Esse foi o tom
da intervenção de Walter Sorrentino feita
nesta manhã sobre o projeto de Estatuto do
PCdoB. O informe, bastante aplaudido, fez
uma avaliação dos debates realizados sobre
a formulação do novo estatuto, que segundo
ele, “representa uma síntese avançada do
que se alcançou enquanto saber e labor
coletivo durante todos esses anos”.
Sorrentino reforçou a
idéia de que é necessário um partido de
extensas fileiras militantes, parte do
processo de acumulação de forças e da luta
pela hegemonia. “Firmou-se a noção do
Partido enquanto uma comunidade de
filiados, militantes e quadros, associados
em bases conscientes e livres, concebendo
o Partido enquanto instrumento de
constituição de compromissos militantes,
estruturado como um sistema de
organizações de alto a baixo”.
“Militância é e será
cada vez mais uma marca distintiva para os
partidos conseqüentes de esquerda e por
isso queremos valorizá-la”, apontou.
“Institui-se uma nova compreensão
dialética da relação entre filiados,
militantes e quadros, segundo direitos e
deveres diferenciados e graus crescentes
de responsabilidades”.
E foi incisivo:
“Queremos assumir especificidade própria
de nossa tradição política, que reconhece
os filiados como parte do patrimônio
partidário, sem renunciar ao critério
essencial de um partido de militância. E
não se fala apenas dos filiados de base,
mas também de filiados líderes políticos e
sociais, gente de expressão, que se juntam
ao PCdoB em condições claramente definidas
no Estatuto”.
Concepção de
Partido
Sorrentino explicou
que o debate sobre o estatuto tem muito a
dizer sobre um tema momentoso para a
esquerda mundial, que é a concepção de
partido. “Concentradamente, ele é a
expressão da independência política,
ideológica e organizativa do Partido”.
Nesse debate, se
explicita o caráter e natureza mais
essencial do PCdoB e seu programa máximo.
“O saber coletivo nos indicou o melhor
caminho: fixar isso na forma de artigo 1º
do Estatuto, e não como preâmbulo; e
sintetiza-lo de modo a afirmar o programa
máximo do Partido, que é o comunismo. O
novo Estatuto é, portanto, o documento
fundamental do Partido onde se fixa esse
objetivo máximo que é o comunismo”,
explicou.
E o dirigente
destacou que no terreno das concepções, a
questão fundamental é a do centralismo
democrático. “Os debates do 11º Congresso
mostram inteiro convencimento da
necessária unidade das fileiras
comunistas, sob um único centro dirigente
e uma única orientação geral, válida para
todos. Esse é o maior tesouro do PCdoB, é
a alma do Estatuto e um dos maiores feitos
deste Congresso foi ter discutido a norma
do centralismo democrático sem sequer uma
emenda apresentada!”, disse Sorrentino que
parabenizou a militância por sua
consciência aguda e coesão demonstrada no
debate que foi destacadamente politizado.
Vida interna
Quanto à
normatividade propriamente dita, o Partido
fez a opção de que deveria expressar como
é pensada e praticada sua vida interna. O
Estatuto deixa, assim, de ser peça
referida basicamente à esfera ideológica,
irredutível, e passa a ser passível de
alterações a cada Congresso, aprimorando
experiências e respondendo a novos
fenômenos.
“Buscou-se conferir
ao Partido feições modernas, conectadas ao
movimento real e suas características
contemporâneas, particularmente nas
originalidades brasileiras, entre as quais
as tradições movimentistas e o papel
saliente da juventude brasileira, de que a
UJS constitui um dos maiores orgulhos do
PCdoB”, disse.
Segundo o dirigente,
o tema do sistema de organização e
funcionamento foi o que motivou maior
debate e o de maior número de emendas, que
foram quase uma centena ao final. Destas,
39 foram acatadas, aprimorando muito o
texto final que será votado.
Os três trópicos que
mais motivaram emendas foram as relativas
aos comitês distritais, aos coletivos, e
ao voto secreto.
Os comitês auxiliares
deixam de se remeter única e
exclusivamente ao critério
territorial-administrativo, que são os
Comitês Distritais, e estes passam a
conviver com outras formas. “Pretendeu-se
potencializar, particularmente, o trabalho
junto ao proletariado, constituindo OBs e
comitês a partir das relações de trabalho
como critério principal”, explicou
Sorrentino.
Sobre os coletivos,
ele afirmou que houve celeuma. “O modo
como estava redigido o preceito permitiu
que o debate transgredisse da esfera
estritamente organizativa a que pertence,
para a esfera ideológica, no tocante a
religiosos e empresários”. Neste caso,
houve uma nova redação sem especificar sua
tipologia. “É preciso dizer que cidadãos e
cidadãs que concordem com o Programa e
Estatuto do Partido podem nele ingressar,
sem distinção de origem social, profissão,
renda, credo, cor ou raça. Há religiosos
no Partido, nenhum deles infenso ao
caráter e propósitos do PCdoB”. “O Partido
defende a liberdade de culto no país e a
separação entre Estado e religião”,
reforçou.
A questão do voto
secreto foi a maior polêmica, segundo
Sorrentino. “Todos afirmam não se tratar
de uma questão de princípio, mas acabou
mobilizando sentimentos. Das 27
conferências estaduais, quatro votaram
contra sua instituição por margem reduzida
de votos”.
O dirigente explicou
que a questão do voto aberto não é uma
cláusula pétrea e nem estatutária. “Nos
estudos comparativos que fizemos de
Estatutos de 12 partidos comunistas, todos
adotam o voto secreto”. Para ele, se faz
presente, talvez, uma sobrevivência da
cultura política baseada em costumes,
própria de um partido de quadros, em
condições de clandestinidade. O que não é
o caso atual.
“No geral, os
argumentos a favor do voto aberto partiram
de sentimento sadio: a necessidade de
franqueza nas relações militantes. Outros
agregaram que o voto secreto não permite
essa sinceridade, ou reforça o
individualismo e o lobismo”, disse. O voto
secreto não está anulando o fato
consciência, mas o aprimora. “Porque vai
exigir maior discernimento pessoal, maior
compromisso de consciência de cada um.
Permitirá maior sinalização de questões da
vida e relações internas do partido, e
combate a manifestações de mandonismo, tão
presentes e, qualquer organização humana”.
Por isso, o comitê
central cessante decidiu por unanimidade
manter a proposição. “Está convencido de
que se trata de um aprimoramento
democrático, que vem fortalecer o Partido,
não enfraquece-lo”. Sorrentino lembrou que
democracia não é valor universal, senão
histórico e relativo a interesses de
classe. “O Partido confia em sua
militância!”, disse sendo muito aplaudido.
Veja
aqui
a íntegra de sua intervenção
De Brasília,
Mônica Simioni
|