Cinco
dias de barco, de Jordão, onde vive, até
Tarauacá; outros cinco de ônibus, desta
cidade até a capital, Rio Branco. Assim os
20 comunistas eleitos pelos 500
participantes da Conferência Municipal do PCdoB de Jordão se deslocaram para
participar da Conferência Estadual do
Partido no Acre, onde dois jordanenses
foram eleitos para participar do congresso
comunista, em Brasília. Mas desta vez
apenas um conseguiu vir, o presidente do
Partido em Jordão, Élson Farias (foto).
“Mas a
viagem valeu”, conta o comunista acreano.
“Estou tendo a oportunidade de ver gente
que eu só via pela TV. Estou podendo ouvir
intervenções importantes, de pessoas que
eu só conhecia lendo os artigos no Portal
Vermelho ou no jornal A Classe
Operária. Está sendo um debate muito
bom, com a participação de pessoas que eu
sempre quis conhecer”.
Jordão
fica no meio da floresta amazônica. A sede
da cidade tem apenas 7 mil habitantes,
“mas nós conseguimos filiar 500 pessoas
para o Partido e elegemos três vereadores
na cidade, inclusive o presidente da
Câmara”, informa, com justo orgulho,
Élson. Afinal, quase 10% da cidade é
filiada ao PCdoB! O jovem presidente se
informa da política e das orientações do
Partido principalmente através da
Internet: “Existem dois pontos de
Internet, públicos, na cidade, e eu
diariamente vou lá e acesso o Portal
Vermelho. Quando chega A Classe Operária,
eu levo o jornal para as famílias que
trabalham na roça, para que também
conheçam a visão dos comunistas. Tanto o
Portal como o jornal ajudam a formar
intelectualmente e a levar nossa política
também para os índios da região”.
Élson diz
que a natureza “é muito generosa com a
gente, no Acre, mas a cidade tem problemas
com saúde – o posto de saúde é mal
equipado –, saneamento básico e educação,
que é muito fraca. Além disso tem a
distância, a questão do transporte. Ou a
gente vai pra capital de barco ou vai de
avião pequeno, fretado, mas é caro: R$ 5
mil, para quatro pessoas, e só no verão.
No inverno, como agora (este é o período
do inverno na Amazônia), o avião não faz a
viagem . Então, mesmo pras localidades
próximas, a gente tem que ir de barco ou a
pé. Portanto, se alguém está doente, nem
sempre sobrevive até a chegada do
socorro...”
Da bancada
do Acre no 11º Congresso, de 60
comunistas, 46 viajaram três dias e três
noites de ônibus, de Rio Branco a
Brasília.
De Brasília
Carlos Pompe |