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Brasil, quinta-feira, 28 de agosto de 2008

21 de OUTUbro DE 2005

CONGRESSO AO VIVO
“Sou grato aos companheiros do PCdoB”, diz Lula na abertura do 11º Congresso

 
Lula: destaque para o movimento social
"Sou grato aos companheiros do PCdoB, pelo que fazem no Brasil, pelo que fazem na Câmara, pelo que fazem no movimento sindical e no movimento estudantil", afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite desta quinta-feira, ao participar em Brasília da abertura do 11º Congresso do PCdoB. Pela primeira vez na história do PCdoB, o presidente da República compareceu à abertura de um Congresso do Partido Comunista.

Em clima de entusiasmo e atenção, mais de mil delegados de todos os estados, dirigentes e convidados lotaram o auditório da Academia de Tênis em Brasília para ouvir Lula. Também compareceram o vice-presidente da República, José Alencar, o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a primeira dama, Marisa Letícia, os ministros Ciro Gomes (Integração Nacional), Agnelo Queiroz (Esportes), Dilma Roussef (Casa Civil), Luiz Dulci (chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República), Nilcéa Freire (Direitos das Mulheres), o senador Aloízio Mercadante (SP), representando o PT, e os presidentes do PCdoB, Renato Rabelo, do PSB, Roberto Amaral. O jovem presidente da UNE, Gustavo Petta, também compôs a mesa e lafou em nome dos dirigentes de movimentos sociais.

O momento mais esperado da noite ficou a cargo do presidente, que fechou o evento. À vontade, Lula falou da tribuna do PCdoB, deixando de lado o púlpito presidencial colocado pela sua assessoria. Dirigindo-se inicialmente a Petta, que pediu maior atenção à reforma universitária, Lula falou sobre a importância do projeto e destacou os avanços do governo federal na área da educação, especialmente no ensino superior.

Num discurso que durou pouco mais de 45 minutos, o presidente da República discorreu também sobre os êxitos alcançados – especialmente na política externa – e sobre as dificuldades que encontrou para costurar alianças e criar a governabilidade. “O Aldo sabe o trabalho que é necessário para a construção de uma maioria na Câmara”. O presidente afirmou ainda ser mais fácil estar na oposição: “no governo, ou a gente faz, ou a gente não faz”.

Sobre a participação do PCdoB na gestão federal, Lula salientou que o Partido “tem demonstrado extraordinária lealdade em sua relação com o governo, com o PT e comigo pessoalmente”. Disse ainda estar feliz com a eleição de Aldo e agradeceu pela indicação do PCdoB para a pasta dos Esportes, ocupada por Agnelo Queiroz. Brincando, disse que o ministro é ruim de bola, mas fez mais pelo ministério do que muitos ídolos do esporte.

Em tom de admiração, Lula elogiou o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, por sua lealdade, compromisso e firmeza e completou: “em momentos bons, é fácil participar. O duro é ser companheiro em momentos adversos, quando precisamos de alguém que nos estenda a mão”. Ele lembrou também de ensinamentos que tirou de sua convivência com o líder João Amazonas, que, num momento de dificuldade nas eleições de 1989, quando Lula pensava em desistir da candidatura, disse que seria preciso escolher o público certo e esse público é a classe operária. “Ele era a voz ponderada e me ensinou que a política não é aquilo que queremos, mas aquilo que podemos fazer. Sou grato aos companheiros do PCdoB pelo que fazem pelo Brasil”.

Presença da esquerda

“A vitória de Lula tem grande significado para os comunistas porque é expressão da singularidade política do Brasil, manifestada pelo êxito em que novas forças sociais e políticas, de origem popular, democrática e patriótica, terem alcançado o governo da República”, disse Renato Rabelo na abertura do 11º Congresso. Ele salientou também que o presidente da República é um mediador que precisa lidar com interesses diversos: “O grande desafio é transformar todas essas razões, encontrando os pontos comuns, na concretização da unidade, em torno de um projeto nacional que possa ser aplicado. Para isso o presidente da República tem um papel decisivo, mas – é lógico — com o apoio dessas representações e do movimento social. Porém, esse grande desafio não é uma questão de simples racionalidade, porque para transformar todas essas razões num caudal único, é preciso aliar interesses contrastantes, exigências que se chocam”. Renato discorreu ainda sobre temas como a crise, a reforma política e a união da esquerda em torno de um projeto de desenvolvimento para o país. 

Em seguida, discursou o presidente da UNE, Gustavo Petta. Como representante a Coordenação dos Movimentos Sociais, Petta salientou a importância da mobilização das entidades formadoras da CMS na defesa do governo Lula e na luta por um novo cenário de crescimento e avanços sociais. “Enquanto muitos se acovardaram, milhares de pessoas foram às ruas junto com a CMS, com coragem, para lutar contra a ação conservadora. Não seremos tropa de choque da direita, que quer mais do que sangrar o governo Lula: quer enfraquecer a esquerda”, disse, sob aplausos. Ao mesmo tempo, Gustavo Petta pediu ao presidente Lula maior rapidez na liberação da reforma universitária para votação no Congresso. Finalizando, lembrou que os maiores movimentos democráticos da história brasileira tiveram a participação do PCdoB e de seus militantes.

Depois, foi a vez de Roberto Amaral. O presidente do PSB recordou Miguel Arraes e João Amazonas, líderes que, segundo ele, “são biografias que devem servir de farol” para a ação da esquerda. E completou: “um outro futuro ainda em possível”. Amaral ressaltou que a candidatura de Lula na campanha presidencial de 1989, embora derrotada nas urnas, foi um projeto vencedor no âmbito de sua política, o que gerou frutos. “Vencemos em 2002 porque a semeadura foi boa e bem feita”. Segundo ele, a elite conservadora brasileira “fala em democracia apenas quando está fora do poder. Só a unidade do povo poderá enfrentar o golpismo da direita”.

“Em 30 anos de luta na política brasileira, posso afirmar que o PcdoB sempre esteve presente”. Assim Aloízio Mercandante abriu seu discurso. Entusiasmado, o senador afirmou que a vitória de Aldo para a presidência da Câmara foi a mais importante do governo Lula na atual conjuntura. “Foi uma vitória deliciosa!”, disse. Para ele, os acontecimentos que há pouco mais de cinco meses ocupam os principais noticiários do país serve para que se reveja o padrão de financiamento de campanha e mostra a necessidade de uma reforma política ampla e profunda. Ao terminar, afirmou que “lealdade e coerência são as maiores qualidades do PCdoB”.

Ao ser chamado para a tribuna, Aldo Rebelo arrancou aplausos e palavras de ordem da militância comunista. Num discurso rápido, o presidente da Câmara falou sobre o papel do PCdoB na política nacional e disse ver refletido no 11º Congresso do Partido a luta do povo brasileiro.”É preciso que o PCdoB acredite no futuro e faça disso a razão de sua combatividade”.

Já o presidente do Senado, Renan Calheiros parabenizou o PCdoB pela realização de mais um congresso, sinal, segundo ele, de sua “vitalidade e pujança”. Para ele, a eleição de Aldo Rebelo coloca o PCdoB como um “esteio para que este país alcance um futuro mais democrático e desenvolvido”.

De Brasília,
Priscila Lobregatte

 

 

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