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| Lula:
destaque para o movimento social |
"Sou grato aos companheiros do PCdoB,
pelo que fazem no Brasil, pelo que fazem
na Câmara, pelo que fazem no movimento
sindical e no movimento estudantil",
afirmou o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, na noite desta quinta-feira,
ao participar em Brasília da abertura
do 11º Congresso do PCdoB. Pela primeira
vez na história do PCdoB, o presidente da
República compareceu à abertura de
um Congresso do Partido Comunista.
Em clima de entusiasmo e atenção,
mais de mil delegados de todos os estados,
dirigentes e convidados lotaram o auditório
da Academia de Tênis em Brasília
para ouvir Lula. Também compareceram
o vice-presidente da República, José Alencar,
o presidente da Câmara dos Deputados,
Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a primeira
dama, Marisa Letícia, os ministros Ciro
Gomes (Integração Nacional), Agnelo Queiroz
(Esportes), Dilma Roussef (Casa Civil),
Luiz Dulci (chefe da Secretaria-Geral
da Presidência da República), Nilcéa Freire
(Direitos das Mulheres), o senador Aloízio
Mercadante (SP), representando o PT, e
os presidentes do PCdoB, Renato Rabelo,
do PSB, Roberto Amaral. O jovem presidente
da UNE, Gustavo Petta, também compôs
a mesa e lafou em nome dos dirigentes
de movimentos sociais.
O momento mais esperado da noite ficou
a cargo do presidente, que fechou o evento.
À vontade, Lula falou da tribuna do PCdoB,
deixando de lado o púlpito presidencial
colocado pela sua assessoria. Dirigindo-se
inicialmente a Petta, que pediu maior
atenção à reforma universitária, Lula
falou sobre a importância do projeto e
destacou os avanços do governo federal
na área da educação, especialmente no
ensino superior.
Num discurso que durou pouco mais de
45 minutos, o presidente da República
discorreu também sobre os êxitos alcançados
– especialmente na política externa –
e sobre as dificuldades que encontrou
para costurar alianças e criar a governabilidade.
“O Aldo sabe o trabalho que é necessário
para a construção de uma maioria na Câmara”.
O presidente afirmou ainda ser mais fácil
estar na oposição: “no governo, ou a gente
faz, ou a gente não faz”.
Sobre a participação do PCdoB na gestão
federal, Lula salientou que o Partido “tem
demonstrado extraordinária lealdade em sua
relação com o governo, com o PT e comigo
pessoalmente”. Disse ainda estar feliz com
a eleição de Aldo e agradeceu pela
indicação do PCdoB para a pasta dos
Esportes, ocupada por Agnelo Queiroz.
Brincando, disse que o ministro é ruim de
bola, mas fez mais pelo ministério do que
muitos ídolos do esporte.
Em tom de admiração, Lula elogiou o
presidente do PCdoB, Renato Rabelo, por
sua lealdade, compromisso e firmeza e
completou: “em momentos bons, é fácil
participar. O duro é ser companheiro em
momentos adversos, quando precisamos de
alguém que nos estenda a mão”. Ele lembrou
também de ensinamentos que tirou de sua
convivência com o líder João Amazonas,
que, num momento de dificuldade nas
eleições de 1989, quando Lula pensava em
desistir da candidatura, disse que seria
preciso escolher o público certo e esse
público é a classe operária. “Ele era a
voz ponderada e me ensinou que a política
não é aquilo que queremos, mas aquilo que
podemos fazer. Sou grato aos companheiros
do PCdoB pelo que fazem pelo Brasil”.
Presença da esquerda
“A vitória de Lula tem grande
significado para os comunistas porque é
expressão da singularidade política do
Brasil, manifestada pelo êxito em que
novas forças sociais e políticas, de
origem popular, democrática e patriótica,
terem alcançado o governo da República”,
disse Renato Rabelo na abertura do 11º
Congresso. Ele salientou também que o
presidente da República é um mediador que
precisa lidar com interesses diversos: “O
grande desafio é transformar todas essas
razões, encontrando os pontos comuns, na
concretização da unidade, em torno de um
projeto nacional que possa ser aplicado.
Para isso o presidente da República tem um
papel decisivo, mas – é lógico — com o
apoio dessas representações e do movimento
social. Porém, esse grande desafio não é
uma questão de simples racionalidade,
porque para transformar todas essas razões
num caudal único, é preciso aliar
interesses contrastantes, exigências que
se chocam”. Renato discorreu ainda sobre
temas como a crise, a reforma política e a
união da esquerda em torno de um projeto
de desenvolvimento para o país.
Em seguida, discursou o presidente da
UNE, Gustavo Petta. Como representante a
Coordenação dos Movimentos Sociais, Petta
salientou a importância da mobilização das
entidades formadoras da CMS na defesa do
governo Lula e na luta por um novo cenário
de crescimento e avanços sociais.
“Enquanto muitos se acovardaram, milhares
de pessoas foram às ruas junto com a CMS,
com coragem, para lutar contra a ação
conservadora. Não seremos tropa de choque
da direita, que quer mais do que sangrar o
governo Lula: quer enfraquecer a
esquerda”, disse, sob aplausos. Ao mesmo
tempo, Gustavo Petta pediu ao presidente
Lula maior rapidez na liberação da reforma
universitária para votação no Congresso.
Finalizando, lembrou que os maiores
movimentos democráticos da história
brasileira tiveram a participação do PCdoB
e de seus militantes.
Depois, foi a vez de Roberto
Amaral. O presidente do PSB recordou
Miguel Arraes e João Amazonas, líderes
que, segundo ele, “são biografias que
devem servir de farol” para a ação da
esquerda. E completou: “um outro futuro
ainda em possível”. Amaral ressaltou que a
candidatura de Lula na campanha
presidencial de 1989, embora derrotada nas
urnas, foi um projeto vencedor no âmbito
de sua política, o que gerou frutos.
“Vencemos em 2002 porque a semeadura foi
boa e bem feita”. Segundo ele, a elite
conservadora brasileira “fala em
democracia apenas quando está fora do
poder. Só a unidade do povo poderá
enfrentar o golpismo da direita”.
“Em 30 anos de luta na política
brasileira, posso afirmar que o PcdoB
sempre esteve presente”. Assim Aloízio
Mercandante abriu seu discurso.
Entusiasmado, o senador afirmou que a
vitória de Aldo para a presidência da
Câmara foi a mais importante do governo
Lula na atual conjuntura. “Foi uma vitória
deliciosa!”, disse. Para ele, os
acontecimentos que há pouco mais de cinco
meses ocupam os principais noticiários do
país serve para que se reveja o padrão de
financiamento de campanha e mostra a
necessidade de uma reforma política ampla
e profunda. Ao terminar, afirmou que
“lealdade e coerência são as maiores
qualidades do PCdoB”.
Ao ser chamado para a tribuna, Aldo
Rebelo arrancou aplausos e palavras de
ordem da militância comunista. Num
discurso rápido, o presidente da Câmara
falou sobre o papel do PCdoB na política
nacional e disse ver refletido no 11º
Congresso do Partido a luta do povo
brasileiro.Ӄ preciso que o PCdoB acredite
no futuro e faça disso a razão de sua
combatividade”.
Já o presidente do Senado,
Renan Calheiros parabenizou o PCdoB pela
realização de mais um congresso, sinal,
segundo ele, de sua “vitalidade e
pujança”. Para ele, a eleição de Aldo
Rebelo coloca o PCdoB como um “esteio para
que este país alcance um futuro mais
democrático e desenvolvido”.
De Brasília,
Priscila Lobregatte
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