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De Brasília,
Cláudio Gonzalez
O presidente
nacional do PCdoB, Renato Rabelo, acaba de
concluir seu discurso inaugural do ato
político de abertura do 11º Congresso
Nacional do PCdoB. O Congresso, instância
máxima de deliberação do Partido, ocorre de hoje (20/10)
a domingo (23) na Academia de Tênis, em
Brasília.
Rabelo iniciou
seu discurso informando e comemorando o fato
deste ser o maior e mais representativo
Congresso que o Partido Comunista do Brasil
já realizou.
O presidente do
PCdoB saudou os mais de mil delegados
presentes à plenária final do evento em nome
de todos os quase 70 mil militantes
comunistas reunidos em todo o país durante o
processo de debates do Congresso nos
estados.
Renato Rabelo
fez questão de saudar a presença do
presidente da República na abertura do
Congresso e destacou que Lula participou de
todos os últimos congressos do Partido
Comunista do Brasil. "Este fato é uma
demonstração de amizade e confiança mútua
que se desenvolve desde 1989, com a formação
da Frente Brasil Popular, quando quase
chegamos à vitória.", disse Renato, que
completou a saudação a Lula registrando que
"é a primeira vez que Lula está presente ao
Congresso do PCdoB à frente da Presidência
dessa querida nação, está presente como
nosso Presidente da República".
Em relação à
crise política em curso, Rabelo destacou que
"é preciso localizar os nossos erros e
debilidades, retirar os ensinamentos,
contribuir para uma investigação exemplar
dos ilícitos cometidos, punir de maneira
justa os responsáveis. Mas, apesar do
estopim dos acontecimentos terem sido as
denúncias efetivadas contra o PT, estendidas
ao governo e aliados, o móvel do acirramento
da crise se deve à intensificação da luta
pelo poder por parte das forças opositoras,
conservadoras, que preparam febrilmente a
sua volta ao centro do poder".
Para Rabelo,
"apesar da realidade adversa e do grande
esforço realizado pelo governo Lula, o nosso
desafio é ainda encontrar a saída, uma via
de repactuação, para a construção desse
projeto nacional que una os interesses da
maioria da nação. Ou seja, o desafio de
concretizar, unindo a maioria, o projeto de
desenvolvimento mais acentuado, com efetiva
distribuição de renda, valorização do
trabalho, e persistência na integração
regional".
Confira abaixo a íntegra do discurso
proferido por Renato Rabelo na noite desta
quinta-feira (20/10), em Brasília, durante o
ato político de abertura do 11º Congresso
Nacional do PCdoB:
"Este 11º
Congresso é o maior da história do Partido
Comunista do Brasil, pelo número de
militantes envolvidos, delegados e
convidados presentes. É o primeiro Congresso
em que o PCdoB realiza, com quadros da sua
direção investidos em altos postos da
República. Temos hoje, como nunca, grandes
responsabilidades perante a nação, o governo
Lula e os nossos aliados.
Para nós é
uma honra e motivo de entusiasmo contar com
a presença do companheiro Luiz Inácio Lula
da Silva nesse evento de abertura do 11º
Congresso do PCdoB. Lula compareceu em todos
nossos últimos Congressos — atitude que
muito valorizamos. Este fato é uma
demonstração de amizade e confiança mútua
que se desenvolve desde 1989, com a formação
da Frente Brasil Popular, quando quase
chegamos à vitória. Aliás, Lula sempre
repete que os únicos que naquela ocasião
acreditavam na possibilidade de vitória era
ele e o nosso saudoso presidente João
Amazonas.
Mas, hoje, é
a primeira vez que Lula está presente ao
Congresso do PCdoB à frente da Presidência
dessa querida nação, está presente como
nosso Presidente da República.
A vitória de
Lula tem grande significado para os
comunistas porque é expressão da
singularidade política do Brasil,
manifestada pelo êxito em que novas forças
sociais e políticas, de origem popular,
democrática e patriótica, terem alcançado o
governo da República.
Daí, a nossa
imensa responsabilidade histórica perante a
nação e os povos que lutam por sua
emancipação. A nossa amizade com o
Presidente Lula não é conjuntural, fortuita,
mas forjada no decorrer de um processo de
intensa luta política e social no qual se
construiu uma confiança recíproca. O PCdoB
foi seu aliado em todas as campanhas
presidenciais desde 1989.
Queremos
destacar a presença nesse ato de abertura
dos nossos companheiros de luta, razão de
ser do nosso Partido, do representante da
CMS -----, que congrega as entidades
nacionais mais representativas do movimento
sindical, estudantil e popular.
Queremos
saudar também com entusiasmo a presença
neste evento do Presidente do Senado Renan
Calheiros; dos partidos com os quais
mantemos uma relação de respeito mútuo,
amizade e confiança, os ministro(a)s,
senador(a)es, deputado(a)s. Temos a
convicção de que essa convivência
democrática com nossos aliados e amigos é
vantajosa para o nosso povo e o destino do
país.
Quero
especialmente me referir à presença nesse
ato, do nosso querido camarada Aldo Rebelo,
numa condição inédita, investido da alta
responsabilidade como Presidente da Câmara
dos Deputados. Dessa forma o PCdoB dá sua
contribuição através de um dos seus quadros
mais prestigiados e que tem um profundo
sentimento patriótico pelo nosso povo.
Acredito que desde o presidente da
República, ministros aqui presentes, os
aliados e amigos que compartilham conosco o
entusiasmo deste ato de abertura,
presidentes da Câmara e do Senado, o
movimento social e o nosso Partido estão
todos empenhados em um objetivo comum: o
desenvolvimento do país, com democracia,
soberania, conquistas sociais, e a
integração da América Latina, em especial,
da América do Sul.
Mas aqui,
cada partido, cada entidade e movimento
integrantes do nosso campo político e mesmo
do sistema político brasileiro têm sua
“razão”. O presidente da República e seus
ministros com suas razões de governo e até
de Estado, os presidentes do Senado e da
Câmara com as razões que compõem esse
sistema de representação política, o
movimento social com suas bandeiras, suas
razões próprias muito sentidas, e as
legendas aqui presentes com suas razões
partidárias.
O grande
desafio é transformar todas essas razões,
encontrando os pontos comuns, na
concretização da unidade, em torno de um
projeto nacional que possa ser aplicado.
Para isso o presidente da República tem um
papel decisivo, mas – é lógico — com o apoio
dessas representações e do movimento social.
Porém, esse grande desafio não é uma questão
de simples racionalidade, porque para
transformar todas essas razões num caudal
único, é preciso aliar interesses
contrastantes, exigências que se chocam.
Portanto, a solução que resolve é reunir o
interesse da maioria da nação num projeto
viável, transformador. Esse tem sido um dos
ensinamentos mais importantes da nossa
história — as mudanças progressistas mais
importantes se concretizaram com a unidade
da maioria da nação. Esse ainda é o nosso
grande desafio atual.
O governo Lula, no qual termos nosso papel e
responsabilidade qual, barrou as
privatizações, deu passos importantes no
sentido das mudanças, representou um avanço
democrático significativo, paralisou a
investida neocolonial da ALCA, faz um
esforço sem paralelo para a integração
sul-americana. São passos importantes porque
temos que considerar a situação a partir do
país herdado. O país encontrado pelo novo
governo, foi um país que estava numa
situação “gravíssima”. Não vou repetir dados
já bastantes citados, vamos nos concentrar
no seguinte: os dois governos de FHC
conseguiram a proeza insólita de arrecadar
100 bilhões de dólares com as privatizações
realizadas e mais, somar um déficit em
contas correntes da ordem de 180 bilhões de
dólares, e com toda essa dinheirama diminuiu
a taxa de investimentos do país. O país
praticamente ficou semi-estagnado nesse
período. É evidente que os grandes impasses
do Brasil se agravaram sobremodo. E depois
andam dizendo por aí, que eles é que sabem
governar.
Mas, pensamos que apesar da realidade
adversa e do grande esforço realizado pelo
governo Lula, o nosso desafio é ainda
encontrar a saída, uma via de repactuação,
para a construção desse projeto nacional que
una os interesses da maioria da nação. Ou
seja, o desafio de concretizar, unindo a
maioria, o projeto de desenvolvimento mais
acentuado, com efetiva distribuição de
renda, valorização do trabalho, e
persistência na integração regional.
Em relação à crise política em curso é
preciso localizar os nossos erros e
debilidades, retirar os ensinamentos,
contribuir para uma investigação exemplar
dos ilícitos cometidos, punir de maneira
justa os responsáveis. Mas, apesar do
estopim dos acontecimentos terem sido as
denúncias efetivadas contra o PT, estendidas
ao governo e aliados, o móvel do acirramento
da crise se deve à intensificação da luta
pelo poder por parte das forças opositoras,
conservadoras, que preparam febrilmente a
sua volta ao centro do poder. O julgamento
já é feito a priori. Há uma pressão para que
ocorram julgamentos sumários, à revelia,
inclusive, do Estado de Direito. Inverte-se
o direito constitucional consagrado: o ônus
da prova passa ao acusado. Chegou-se até
mesmo a ensaiar a abertura do processo de
impeachment contra o presidente da Republica
– um tipo de “golpe branco” - e jogaram tudo
para a tomada da presidência da Câmara,
tentando impor uma espécie de rendição ao
Presidente. O nosso Partido procurou desde o
primeiro momento contribuir para prestar
apoio e mobilizar forças em defesa do
mandato e da autoridade do presidente da
República. Era premente a formação de uma
inadiável linha de defesa, que nesses
momentos não pode ser contida por devaneios,
perplexidade, hesitação.
Hoje, no
leito de um trabalho conjunto que progride
entre PT, PSB e PCdoB temos defendido a
necessidade e atualidade de organizar uma
agenda em conjunto com as presidências da
República, Câmara, Senado e partidos, que
enfrente os problemas de como destravar o
investimento público, dando prioridade na
discussão do Orçamento para 2006 aos
investimentos sociais – sobretudo a
valorização do salário mínimo – e aos
investimentos em infra-estrutura. E ainda, a
resolução da emenda constitucional que pode
concretizar uma proposta de grande impacto
na qualidade da universalização de um
direito social prioritário – a educação
básica.
Dentro dessa perspectiva de uma agenda que
resolva os problemas mais candentes está
também a questão da reforma política. O
presidente da Câmara, Aldo Rebelo vem
propiciando uma série de reuniões com os
líderes de todos os Partidos da Câmara com a
finalidade de se encontrar um acordo amplo
para uma reforma política sistêmica e
democrática. É necessário esclarecer que
sempre fomos contra as reformas políticas
parciais, ditas “fatiadas”, por isso não
defendemos uma reforma que se circunscreva
apenas à diminuição da cláusula de barreira,
como se andou propalando. Essa medida que
consideramos democrática (a diminuição da
cláusula) só será possível numa reforma de
conjunto, que contemple, sobretudo, o
financiamento público exclusivo das
campanhas eleitorais. Este sim um
ensinamento básico a ser extraído da crise.
As crises
podem se tornar positivas e se constituírem
em superação de grandes impasses se formos
capazes de compreendê-las e saber retirar os
ensinamentos. O PCdoB, de sua parte, neste
11º Congresso, dentro de suas condições,
envidará esforços para dar a sua
contribuição.
Vamos nos
unir para retomar o impulso transformador e
reacender novas esperanças."
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